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domingo, 8 de novembro de 2026

O teatro de rua em festa no Acre

      

Adailtom Alves Teixeira

O Festival Matias de Teatro de Rua chega à sua oitava edição. Idealizado e realizado pela Cia. Visse Versa, o evento ocupará cinco cidades do Acre, de 10 a 15 de novembro de 2026, e reunirá coletivos teatrais das cinco regiões do Brasil.

Tive a felicidade de ver esse festival nascer e de participar de quase todas as edições, com exceção de uma. Pude, assim, acompanhar desde o início sua parceria com a Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR), único movimento teatral nacionalmente organizado desde 2007. O Acre, aliás, já recebeu dois encontros presenciais da RBTR e um encontro híbrido no período pós-pandemia, realizado como parte da programação do Matias.

O Festival Matias é um dos maiores da região Norte do Brasil e tem como foco a ocupação dos espaços públicos abertos. Essa escolha revela uma preocupação que vai além de ampliar o acesso da população ao teatro: expressa também uma maneira de pensar e vivenciar a cidade. O teatro de rua não se limita a transferir espetáculos para um espaço aberto. Ao ocupar ruas e praças, transforma esses lugares em espaços de encontro, convivência e fruição artística; aproxima a arte do cotidiano e convida quem passa a interromper por alguns instantes o caminho, tornando-se espectador. Cada vez mais penso que o teatro é um ato de amor à humanidade. Quando ocupa a rua, essa força se amplia: potencializa afetos entre artistas e público e também entre cidadãos e cidadãs e os lugares onde vivem. É, ainda, uma forma de afirmar que a cidade é um espaço comum, que pode ser vivido e partilhado por todos.


O Festival Matias já nasceu grande e, desde o início, buscou chegar a mais pessoas e lugares. Embora Rio Branco seja sua principal praça, o evento também leva apresentações a outros municípios, como Senador Guiomard, Plácido de Castro, Bujari e Porto Acre. Assim, o festival assume seu sentido maior de festa e celebração: amplia o acesso da população às artes cênicas e promove o encontro entre produções locais e nacionais.

A programação é diversa e reúne espetáculos teatrais e circenses, intervenções, ações formativas, lançamentos de livros e uma discussão sobre o fazer teatral de rua em articulação com a RBTR. Nesta edição, o público poderá acompanhar grupos e artistas do Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.

A abertura acontecerá no dia 10 de novembro, em Rio Branco, com um Cortejo Cênico, a partir das 16h. A concentração será na Praça da Revolução, de onde o cortejo seguirá até a Praça Povos da Floresta. No local, terão início as apresentações da programação com os espetáculos Vida de Boneca, da Boneca Lilica e Cia. (RJ), e Domadores de Gungunzara, da Cia. Os Palhaços de Rua (PR).

Nos próximos dias, escreverei outros textos sobre a programação. Abaixo, um pouco mais sobre o festival, em texto produzido pelos organizadores.

Sobre o Festival

Em sua 8ª edição, o Festival Matias de Teatro de Rua movimenta a cena cultural do Acre ao reunir produções de diferentes regiões brasileiras em uma programação gratuita, que circulará por diversos municípios. Neste ano, o festival traz como tema a relação entre arte e democracia e compreende a arte pública como espaço de participação, diálogo e exercício da cidadania.

De acordo com o coordenador do projeto, Lenine Alencar, da Cia. Visse e Versa, a comunidade é a protagonista das ações do festival. “Quem é protagonista de todas as ações do festival é a própria comunidade. A ideia é que ela se inteire, participe e possa dialogar. Por isso, vamos ocupar a Praça Povos da Floresta não somente com espetáculos, mas também com lançamentos de livros e um seminário para discutir arte pública e democracia, além de promover um diálogo sobre teatro e arte pública na Amazônia”, destaca.

O festival é uma realização da Cia. Visse e Versa, Cultura Viva, Federação de Teatro do Acre (FETAC) e Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR). O evento é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo Federal, por meio da Fundação Elias Mansour, em parceria com o Sebrae, a Prefeitura e a FUNCET – Senador Guiomard.

O público pode acompanhar as novidades e a programação completa do festival pelo perfil oficial no Instagram: @festivalmatiasdeteatroderua. As inscrições para as atividades formativas também estarão disponíveis no Instagram e no site oficial do festival: https://www.ciavisseeversa.com/festival-matias.


SERVIÇO

O que: VIII FESTIVAL MATIAS DE TEATRO DE RUA

Quando: 10 a 15 de novembro de 2026

Onde: Rio Branco (Praça Povos da Floresta), Senador Guiomard, Plácido de Castro, Bujari e Porto Acre.


PROGRAMAÇÃO

RIO BRANCO

10 DE NOVEMBRO

16h – Cortejo Cênico – Concentração: Praça da Revolução

18h – Vida de Boneca – Boneca Lilica e Cia. (RJ)

Praça Povos da Floresta

19h – Domadores de Gungunzara – Cia. Os Palhaços de Rua (PR)

Praça Povos da Floresta

11 DE NOVEMBRO

18h – MISÉRIA – Retirância Sertaneja – Mascaramento Grupo Associação Cultural Boi Maracatu (PE)

19h – Fuzarca – TruPior (MS)

Praça Povos da Floresta

12 DE NOVEMBRO

14h – As Charlatonas - Trupe Açu Cia. de Circo (TO)
Escola Lindaura Martins Leitão

16h – As Pelejas de Aruna na Folia da Sete Estrelas – Mamulengo Riso Frouxo, de Natália de Nia (SP)

Escola Raimundo Hermínio de Melo

18h – Experiência Flutuante – Espetáculo Acrobático - Circo Caboclo (AM)

Praça Povos da Floresta

19h – Cadê a Banda? – Coletivo Madame Mukura (AC)

Praça Povos da Floresta

13 DE NOVEMBRO

15h30 – Experiência Flutuante – Espetáculo Acrobático – Circo Caboclo (AM)
Escola Santa Maria II

17h – Cadê a Banda? – Coletivo Madame Mukura (AC)

Praça Povos da Floresta

18h – Giramunda Circo e Performance – Cia. Tangerina (RO)

Praça Povos da Floresta

19h – BRUFFA – Casa Brincante do Alto da Boa Vista (PE)

Praça Povos da Floresta

14 DE NOVEMBRO

CULTURA NA PRAÇA – Sebrae/AC

17h – Encontro de Teatro Lambe-Lambe

Quanto Custa o Ovo? – Teatro de Caixa (Lambe-Lambe) Romualdo Freitas (PE)

Apurinã – O Ritual - Cia. Flor de Muçambê (AC)

Encantaria – Teatro Lambe-Lambe Trupe SolaGasta (RO)

Praça Povos da Floresta

18h – Pinóquio – In Bust Teatro com Bonecos (PA)

Praça Povos da Floresta

19h – As Pelejas de Aruna na Folia da Sete Estrelas – Mamulengo Riso Frouxo, de Natália de Nia (SP)

Praça Povos da Floresta

20h – Feminina Voz do Samba: O Bar da Dona Clementina – Moças do Samba (AC)

Praça Povos da Floresta

15 DE NOVEMBRO

CULTURA NA PRAÇA – Sebrae/AC

17h – As Charlatonas – Trupe Açu Cia. de Circo (TO)

Praça Povos da Floresta

18h – Contos, Cantos & Encantos – CHAP – Companhia Horizontal de Arte Pública (RJ)

Praça Povos da Floresta

19h – Mestre Dondino e Banda (AC)

Praça Povos da Floresta


SENADOR GUIOMARD (QUINARI)

11 DE NOVEMBRO

14h – As Charlatonas – Trupe Açu Cia. de Circo (TO) – Escola Veiga Cabral

14h – Contos, Cantos & Encantos – CHAP – Companhia Horizontal de Arte Pública (RJ) – Escola 15 de Junho

 

PLÁCIDO DE CASTRO

11 DE NOVEMBRO

14h – BRUFFA – Casa Brincante do Alto da Boa Vista (PE) – Escola João Ricardo

14h – Pinóquio – In Bust Teatro com Bonecos (PA) – SESC – Plácido de Castro

 

BUJARI

12 DE NOVEMBRO

14h – Fuzarca – TruPior (MS) – Escola São João Batista

 

PORTO ACRE

12 DE NOVEMBRO

14h – Domadores de Gungunzara – Cia. Os Palhaços de Rua (PR) – Escola José Plácido de Castro

 

OFICINAS

12 DE NOVEMBRO | 8h às 12h

O Indivíduo Coletivo – Teatro, presença, território, ritmo e criação coletiva – CHAP – Companhia Horizontal de Arte Pública (RJ) – Cine Teatro Recreio, Rio Branco – AC.

13 DE NOVEMBRO | 8h às 12h

Teatro de Rua, Mamulengo e Comicidade Popular – Com Natália Siufi, do Grupo Xingó e Mamulengo Riso Frouxo (SP) – Cine Teatro Recreio, Rio Branco – AC.

 

LANÇAMENTO DE LIVROS

13 DE NOVEMBRO | 20h

Praça Povos da Floresta, Rio Branco – AC

FOGO – Organizadoras: Natália Siufi e Isabel Nascimento
Editora AVA, 2023.

Poéticas do afeto no teatro de grupo: trânsitos e alianças entre os criadores no teatro de Belém do Pará (1976–2016). Valéria Frota de Andrade – Coleção 60 anos da ETDUFPA.

Círio de Nazaré: a festa da fé e suas (re)significações culturais – 1970–2008. Ivone Maria Xavier de Amorim Almeida – Coleção 60 anos da ETDUFPA.

Zimba: a espetacularidade gestual dos dançarinos de carimbó na Amazônia. Eder Robson Mendes Jastes – Coleção 60 anos da ETDUFPA.

O Futuro Não Pode Esperar. Adailtom Alves Teixeira – Editora Temática, 2026.


SEMINÁRIO DE TEATRO DE RUA – ARTE E DEMOCRACIA

14 DE NOVEMBRO | 8h às 12h

Praça Povos da Floresta, Rio Branco – AC

Breve Cena: Cotidiano Mulher – Interpretação/adaptação: Selma Pavanelli; Direção: Adailtom Alves; Texto: Andressa Ferrarezzi