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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Trabalhadores da Cultura é Hora de Perder a Paciência!

O Movimento de trabalhadores da cultura quer tornar pública sua indignação e recusa ao tratamento que vem sendo dado à cultura deste país, aprofundando e reafirmando as posições defendidas desde 1999, no Movimento Arte Contra Bárbarie. A arte é um elemento insubstituível para um país por registrar, difundir e refletir o imaginário de seu povo. Cultura é prioridade de Estado, por fundamentar o exercício crítico do ser humano na construção de uma sociedade mais justa.

A produção artística vive uma situação de estrangulamento que é resultado da mercantilização imposta à cultura e à sociedade brasileiras. O estado prioriza o capital e os governos municipais, estaduais e federal teimam em privatizar a cultura, a saúde e a educação. É esse discurso que confunde uma política para a agricultura com dinheiro para o agronegócio; educação com transferência de recursos públicos para faculdades privadas; incentivo à cultura com Imposto de Renda usado para o marketing, servindo a propaganda de grandes corporações. Por meio da renúncia fiscal – em leis como a Lei Rouanet – os governos transferem a administração de dinheiro público destinado à produção cultural, para as mãos das empresas. Dinheiro público utilizado para interesses privados. Esta política não amplia o acesso aos bens culturais e principalmente não garante a produção continuada de projetos culturais.

Em 2011 a cultura sofreu mais um ataque: um corte de 2/3 de sua verba anual (de 0,2% foi para 0,06% do orçamento geral da União) em um momento de prosperidade da economia brasileira. Esta regressão implicou na suspensão de todos os editais federais de incentivo à Cultura no país, num processo claro de destruição das poucas conquistas da categoria. Enquanto isso, a renúncia fiscal da Lei Rouanet, não sofreu qualquer alteração apesar de inúmeras críticas de toda a sociedade.

Trabalhadores da Cultura, é HORA DE PERDER A PACIÊNCIA: Exigimos dinheiro público para arte pública!

Arte pública é aquela financiada por dinheiro público, oferecida gratuitamente, acessível a amplas camadas da população – arte feita para o povo. Arte pública é aquela que oferece condições para que qualquer cidadão possa escolhê-la como seu ofício e, escolhendo-a, possa viver dela – arte feita pelo povo. Por uma arte pública tanto nós, trabalhadores da cultura, como toda a população tem seu direito ao acesso irrestrito aos bens culturais, exigimos programas – e não um programa único – estabelecidos em leis com orçamentos próprios, que estruturem uma política cultural contínua e independente – como é o caso do Prêmio Teatro Brasileiro, um modelo de lei proposto pela categoria após mais de 10 anos de discussões. Por uma arte pública exigimos Fundos de Cultura, também estabelecidos em lei, com regras e orçamentos próprios a serem obedecidos pelos governos e executados por meio de editais públicos, reelaborados constantemente com a participação da sociedade e não apenas nos gabinetes. Por uma arte pública, exigimos a imediata votação da PEC 236, que prevê a cultura como direito social, e também imediata votação da PEC 150, que garante que 2% do orçamento da União seja destinado à Cultura, nos padrões propostos pela ONU, para que assim tenhamos recursos que possibilitem o tratamento merecido à cultura brasileira.

Por uma arte pública, exigimos a imediata publicação dos editais de incentivo cultural que foram suspensos e o descontingenciamento imediato da já pequena verba destinada à Cultura. Por uma arte pública, exigimos o fim da política de privatizações e sucateamentos dos equipamentos culturais, o fim das leis de renúncia fiscal, o fim da burocratização dos espaços públicos e das contínuas repressões e proibições que os trabalhadores da cultura têm diariamente sofrido em sua luta pela sobrevivência. Por uma arte pública queremos ter representatividade dentro das comissões dos editais, ter representatividade nas decisões e deliberações sobre a cultura, que estão nas mãos dos interesses do mercado. Por uma arte pública, hoje nos dirigimos à Senhora Presidente da República, aos Senhores Ministros da Fazenda e às Senhoras Ministras do Planejamento e Casa Civil, já que o Ministério da Cultura, devido seu baixo orçamento encontra-se moribundo e impotente.

Exigimos a criação de uma política pública e não mercantil de cultura, uma política de Estado, que não pode se restringir às ações e oscilações dos governos de plantão. O Movimento de Trabalhadores da Cultura chama toda a população a se unir a nós nesta luta.

* Texto coletivo do Movimento de Trabalhadores de Cultura.

MOÇÃO DE APOIO DO P.C. ARTE QUE TRANSFORMA DE MT - A OCUPAÇÃO DO MTC NA FUNARTE

MOÇÃO DE APOIO


Tangara da Serra - MT, 27 de Julho de 2011


Nós da Associação Folclórica de Tangara da Serra, em conjunto com o Ponto de Cultura Arte que Transforma e o Grupo de Teatro Atores em Metamorfoses, manifestamos nosso total apoio a OCUPAÇÃO na Funarte – SP, realizada pelo movimento dos Trabalhadores da Cultura que teve início nesta segunda-feira 25 de julho de 2011 e que se estende.

É lamentável o grande retrocesso, onde a cultura esta sendo banalizada sofrendo cortes orçamentários absurdos, não tendo nenhuma proposta capaz de suprir as necessidades dos trabalhadores e ainda sendo repensadas discussões e projetos de anos de luta onde leis estão sendo criadas e alteradas sem a menor preocupação com o desenvolvimento cultural do país.

Consideramos que estamos sendo correspondidos pelas as ações e reivindicações realizadas por estes, onde precisamos imediatamente de políticas publicas para continuação de nossos trabalhos.

Na oportunidade fazemos votos que esta ação continue e se replique até alcançarmos nossos objetivos. Todos os trabalhadores é hora de perder a paciência!


Arte pública com dinheiro público!!!!


Por políticas Estruturantes,



ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA DE TANGARA DA SERRA (MT)

PONTO DE CULTURA ARTE QUE TRANSFORMA (MT)

GRUPO DE TEATRO ATORES EM METAMORFOSES (MT)

GRUPO DE DANÇA "OS PASSAROS TANGARÁS" (MT)

VERGONHA! Boal deixa o Brasil




Teatro do Oprimido

Boal deixa o Brasil: sem apoio do governo ou da iniciativa privada, viúva do dramaturgo leva o acervo para os EUA


A argentina Cecília Boal está decidida: até o fim do ano, parte do acervo de seu marido, o diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta carioca Augusto Boal, que fundou o Teatro do Oprimido, foi eleito embaixador mundial da Unesco e morreu de leucemia em maio de 2009, migra para os Estados Unidos, sob a tutela da New York University (NYU). Segundo a psicanalista, que foi casada por 40 anos com o diretor que uniu teatro e ação social, trata-se da única saída possível ante a deterioração do material.

- Não recrimino, nem me queixo do Brasil - diz Cecília, diante de uma pilha de pastas coloridas etiquetadas como "correspondências de Augusto".

- Mas este país é jovem e, apesar de estar progredindo, ainda não tem interesse em cultivar a memória de seus ícones. Em outros lugares do mundo, como nos Estados Unidos, o dinheiro destinado à cultura é bem maior, e fica tudo mais fácil.

Com a ajuda de amigos, Cecília descobriu recentemente que gastaria aproximadamente US$ 500 mil se quisesse limpar, catalogar e digitalizar no Rio os 20 mil textos, 300 horas de vídeo, 120 horas de áudio, 2 mil fotografias, 120 cromos e diversos desenhos (sim, Boal desenhava!) que o marido arquivou. Decidiu sair em busca de ajuda, mas não obteve sucesso em lugar algum. Visitou as secretarias municipal e estadual de Cultura do Rio e, apesar de bem recebida, ouviu queixas de que a verba pública é sempre diminuta, insuficiente para a obra de Boal.

- Até me disseram que poderiam me ceder uma casa, mas que o espaço precisava de obras e que isso correria por minha conta. Não dava - lembra a viúva.

Cecília recorreu, então, à iniciativa privada. Esteve no Instituto Moreira Salles e se deu conta de que o volume de documentos do marido, que compulsivamente guardou os originais de todas as suas peças, os programas, os cartazes, as traduções, os prêmios, os artigos de jornal e as teses escritas sobre ele, tornava tudo ainda mais complicado.

Foi aí que recebeu um telefonema da New York University e resolveu: em agosto, abrirá, para uma dupla de funcionários da universidade americana, as portas de seu apartamento, no Arpoador, e do quartinho refrigerado que aluga em Botafogo.

Os dois especialistas irão garimpar entre caixas, pastas e prateleiras todas as preciosidades criativas do ensaísta, que teve obras traduzidas para mais de 70 línguas, além de ter sido indicado ao Nobel da Paz em 2008.

- Os cassetes, as fitas em VHS, os DVDs e todas as outras coisas gravadas serão arquivados com a ajuda de uma tecnologia da NASA que capta os sinais das reproduções e os guarda por cerca de 500 anos - conta Cecília, afundada no sofá de sua sala.

- Já os cadernos, roteiros, fotos, objetos e cartas ficarão numa sala que poderá ser visitada gratuitamente por quem agendar hora. A universidade também me prometeu criar um portal trilíngue na internet só para abrigar o acervo do Augusto. Entrar na internet é a melhor forma de manter a obra dele viva.

A princípio, a parceria com a NYU pode parecer estranha, mas, durante quatro décadas, o dramaturgo carioca frequentou a escola, dando aulas extracurriculares e recebendo no Rio alunos interessados em aprofundar suas técnicas. Eram, ao menos, 25 todos os anos, lembra Cecília

- Então me pareceu lógico entregar esse acervo à NYU - defende a psicanalista. - Não tenho mais idade para esperar uma solução por aqui, e o material está visivelmente se deteriorando. É muita maresia e muita humidade no Rio de Janeiro.

Na coleção de Boal está a fita cassete original de "Meu caro amigo", que Chico Buarque e Francis Hime lhe enviaram quando ele estava exilado em Portugal. Estão também uma foto do dramaturgo com Maria Bethânia na época do show "Opinião" e cartas redigidas por Fernanda Montenegro e pelo escritor argentino Julio Cortázar, além de diversos textos ainda inéditos. Quando entra no escritório de sua casa, de onde se ouvem as ondas do mar, Cecília zanza, confusa, entre caixas e pastas. Não sabe mais ao certo onde cada coisa foi parar.

Desde a morte de Boal, o arquivo cruzou a cidade algumas vezes. Em 2009, seguindo a sugestão do professor de teatro Zeca Ligiéro, Cecília levou toda a produção do marido para a biblioteca da Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio). Durante mais de 12 meses, esperou que a ala especial prometida para abrigar e expor o acervo saísse do papel. Mas, obedecendo à morosidade do serviço público, a construção não decolou, e Cecília achou melhor retomar o arquivo para si.

No ano passado, por alguns meses, toda a produção intelectual de Boal ficou hospedada na Fundação Darcy Ribeiro, mas, no início deste ano, Cecília decidiu que o melhor seria desembolsar R$ 1.200 por mês e alugar um quartinho em Botafogo para que ela própria cuidasse do acervo. Pôs um ar-refrigerado, e metade das caixas não coube - indo parar em sua casa. A convivência com a desordem foi o empurrão que faltava para que Cecília entabulasse negociações definitivas com os americanos.

- A universidade lamenta que as obras de Boal terminem fora do país - diz Márcia Valéria Costa, diretora da biblioteca central da UniRio. - Não tivemos como atender a família na velocidade que ela queria, mas a ampliação de nossas instalações está prevista para acabar em 2012. Ainda temos interesse em manter o trabalho de Boal no Rio.

Cecília, no entanto, parece ter perdido a fé no serviço público brasileiro. Classifica como "irrecusável" a oferta dos americanos. Em troca do envio do acervo para os Estados Unidos, Cecília quer que a NYU colabore financeiramente para que o Instituto Augusto Boal, que já tem CNPJ, ganhe vida.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/07/18/boal-deixa-brasil-sem-apoio-do-governo-ou-da-iniciativa-privada-viuva-do-dramaturgo-leva-acervo-para-os-eua-924934586.asp#ixzz1SYBom2hJ

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quando a oportunidade aparece...

É inegável que o ministério da cultura conseguiu se fortalecer e estruturar seus programas durante os oito anos da administração onde o Partido dos Trabalhadores encabeçou o governo federal. Esta marca é uma marca do partido dos trabalhadores. A marca da pluralidade, do debate, dos questionamentos. O governo Lula construiu uma rede de comunicação com vários setores, quebrou paradigmas, inclusive dentro do próprio partido.

Diversos programas criados em administrações petistas são exemplos para o país e para o mundo. Na cidade de São Paulo foram implantadas propostas admiráveis como a LEI DE FOMENTO AO TEATRO, que se seguiu pelo fomento a dança, ao programa VAI que construiu uma rede impressionante de novos talentos e de ações que descentralizaram a cultura na cidade.
A construção dos Centros Educacionais Unificados ( C.E.U ) que modificaram a relação do cidadão com o fazer artístico, implantando em pouquíssimo tempo um aumento de mais de 300% de salas de espetáculos teatrais, salas de dança, bibliotecas, espaços de relação multidisciplinar entre a cultura , educação, esporte.Foi no governo petista de MARTA SUPLICY que o acesso ao conhecimento  do mundo virtual se massificou com a construção expressiva de mais de 130 unidades dos TELECENTROS.

Na esfera federal podemos verificar a dimensão desta expansão, quando nos deparamos com mais de 2.000 pontos de cultura, projeto inovador e revolucionário estudado por muitos países no mundo. Este projeto deu acessibilidade ao mundo tecnológico para os mais distintos cidadãos, além de respeitar a característica original das comunidades envolvidas e impulsionar a autogestão destes projetos.
Foi neste período que podemos acompanhar o crescimento do cinema nacional, com a criação da ANCINE, o crescimento do investimento no setor.
Qualquer cidadão poderá fazer uma vasta pesquisa e ter a certeza que a cultura deste país teve um enorme impulso durante esta década dentro da administração federal.

Este impulso certamente é o responsável pelo momento que vivemos  especial de cobranças... Pois descobrimos que podemos mais com nossa cultura, e assim, podemos e devemos ampliar e discutir novas ações. Cobrar promessas, estudos, programas. Sim, podemos cobrar, pois aprendemos isso com este partido que agora administra nosso governo federal.
Não deve ser nada fácil administrar este governo federal com outros partidos que não tem em sua história a marca do questionamento, da transformação. Por isso, exatamente por este complexo eixo de poder, muitas mudanças são lentas.
Neste momento acompanhamos a ocupação da FUNARTE unidade de São Paulo.

E com um chamado para que todos os artistas ( trabalhadores da cultura ) participem , se interem, conheçam, questionem a demora das resoluções, das promessas feitas de não contingenciamento de verbas.O que me chama atenção neste momento é a forma como algumas entidades resolveram criticar o movimento, anunciando que não apoiam esta ocupação. Com palavras como infantil, ocupação político partidária...

Para esta administração federal é o momento de ouvir sim as reclamações feitas, das cobranças de promessas não cumpridas, e principalmente amadurecer o papel que veio construindo durante estes anos, o de fortalecer as mais diversas frentes do desenvolvimento deste país.

Para as entidades que se posicionam contra o movimento, este momento está sendo realmente político, pois aqui se colocam com suas fragilidades, tentando desarticular o grito de angustia dos que não foram respeitados.

Um grande artista e diretor brasileiro escreve sobre o movimento e seu sentimento de ódio, a forma raivosa das assembléias que ali se constroem e os portões fechados como se formasse um grupo especial de articuladores.É provável que ele tenha razão, ou parte desta razão...pois vivencia a arte nas entranhas e sua trajetória nos mostra que se pode "sambar e criticar".

Só que o samba está sempre em nossa alma, com chuva e com sol. Mas na alma do povo, artista ou não... Não falta samba nem sol.
Mas é dentro dos gabinetes dos ministros do planejamento, casa civil e principalmente a ministra da cultura falta o compromisso com este samba e esta alma de alegria, falta compromisso com as promessas que foram feitas, com as expectativas criadas.

Contingenciar verbas para um ministério que teve seu crescimento nas mãos dos pensadores e trabalhadores, sonhadores e articuladores é um retrocesso inigualável na nossa história. Quando finalmente conseguimos colocar a cultura e sua importância dentro de um foco mais amplo, despenca sobre nossas cabeças a falta de compromisso e de entendimento do que significou esta transformação.

Um ponto de cultura pode empregar os mais diversos profissionais, além de gerar as mais diversas transformações e reestruturações no local onde se instalou.Um edital de fomento ao teatro, a dança, circo, artes visuais etc., poderá ampliar mais ainda a formação do olhar, a geração de renda, o aquecimento da economia e das almas, dos saberes, dos questionamentos, a formação de público (não torça o nariz, ainda precisamos caminhar até as portas dos lares para retirar uma alma da simples contemplação, e sugerir o ato de sentir, refletir, e até ousar em também agir artisticamente, podendo finalmente mostrar o poder de nossa cultura pulsante... verde e amarela, sem demagogias) .

Pois bem, é certo que a paciência se esgotou, a indignação tomou conta dos que acreditaram que a cultura teria o seu lugar de respeito no orçamento da união. Ainda é difícil fazer um parlamentar enxergar a força que vem deste momento... E verificar que aqueles debates sobre cultura e fomento se esvaziam na complacência de um ministério que deveria justamente lutar por ele, ou pelo menos lembrar sempre que o NÃO CONTIGENCIAMENTO DAS VERBAS foi uma promessa da nossa presidenta.

Neste momento de reflexão me pergunto:
Qual a falta de compromisso deste ministério da cultura com estas promessas, fragilizando a imagem de nossa presidenta?
Qual o motivo da não adesão das cooperativas de dança e da cooperativa brasileira de cultura?
Será o fato da cooperativa paulista de teatro ter mais cooperados, e esta é a hora de despolitizar o debate e agregar mais cooperados a suas frentes?Já que muitos não têm a paciência e o entendimento do que é um momento de luta?

Não se unem simplesmente porque acham o movimento infantil ou porque não conseguem levar mais cooperados a uma manifestação como esta do que a CPT?Não será também este momento de hipocrisia, mostrando apoio ao ministério atual, e prestando um desserviço aos que querem fortalecer a luta por mais disposição e incentivo orçamentário, e então apoiando aos que torcem por um enfraquecimento deste atual governo federal?

Oras senhoras e senhores, nossa presidenta tem história de luta e garra, e não me parece que o silêncio dos AUSENTES seja sua predileção.
Ao grande diretor e artista, se eu pudesse, pediria exatamente a paciência para deixar fluir esta energia de impaciência, que foi provocada pela promessa não cumprida.

Aos homens e mulheres que possuem o poder nas mãos neste momento, apenas digo... 
Que é totalmente pertinente este movimento e condizente com a história de transformação que vivemos e com a reconstrução de um ministério que foi encontrado em 2002 aos cacos e desprestigiado. E que este mesmo grupo que ainda em sua maioria administra o governo federal, deu vez e voz...
E exatamente por isso a solicitação de mais ações concretas, respeito e o cumprimento das promessas feitas.

Penha Silva
Produtora cultural e trabalhadora da cultura
Militante petista 
São Paulo, 01 de agosto do ano de todos nós!

1ª MOSTRA BEIÇOLA

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CONVOCATÓRIA - ABERTURA DOS PORTÕES DA FUNARTE.





CHEGOU A HORA DE ACENDER O PAVIO!
AMANHÃ DIA 1º DE AGOSTO DE 2011
14H00

OS PORTÕES DA FUNARTE SE ABRIRÃO E FAREMOS MAIS UM GRANDE ATO PÚBLICO QUE ESTÁ SENDO ENSAIADO HÁ DIAS.

JUNTE-SE A NÓS!!!
VENHAM SE MANIFESTAR
Entramos a convite da Funarte:
"A casa é sua, sinta se a vontade
Temos sofá, água, cafezinho e um bom papo
pra acalmar o redemoinho"
Mas essa história já não cola mais
E os Trabalhadores da Cultura,
Meu querido rapaz:
Se cansaram da embromação
Daqueles que elegemos
Para nossa representação.
O que não se espera,
sempre é mais interessante ver
Criou-se uma atmosfera
Todos estão pagando pra ver.
E nós aqui minha querida moça
Todos unidos, juntando forças
Prum novo momento que há de vir.
Seremos flecha e arco, um forte.

Seguiremos adiante
Com nossa força militante.
Vamos juntos nessa luta
teatro, dança, plásticas, culturas populares e música
conquistar o tesouro roubado
que pelo mercado foi confiscado.
Fundação Nacional de Artes – Alameda Nothmann, 1058
Campos Elíseos – São Paulo – Brasil

COMPAREÇA - DIVULGUE!!!

Arte pública com dinheiro público!
Fim do engôdo chamado incentivo cultural via renúncia fiscal!
Por políticas culturais estruturantes!
Cultura não é mercadoria!

Assunto: CARTA ABERTA MTC

sábado, 30 de julho de 2011

A Farsa dos 100 milhões

 

A FARSA DOS CEM MILHÕES

O presidente da Funarte, Antônio Grassi, apresentou, no Rio de Janeiro, já no meio do ano, um programa de investimentos de 100 milhões de reais para as artes no Brasil em 2011. Seria digno de comemoração para todos os artistas se não fosse, quando visto mais de perto, um grande exercício de ilusão e retórica. Acuado por criticas, Grassi apenas requebrou investimentos já feitos em 2010, e mostrou que não vai executar nada dos 2.2 bilhões do orçamento cultural deixado para 2011 por Lula.

É uma ficção orçamentária que envolve recursos do Ministério da Cultura, da Funarte e da Petrobras através do mecanismo de renúncia fiscal pela Lei Rouanet, para projetos lançados em anos anteriores e requentados.

Quase metade dos chamados "investimentos" (quarenta e oito milhões) são - pasmem -  os mesmos editais de 2010 do Procultura com orçamento do MINC. Quanto aos editais previstos para o início do ano e, portanto, já atrasados, temos somente uma promessa de divulgação de seus resultados para agosto. Sobre a continuidade do Procultura em 2011 com lançamento de editais que não foram lançados em 2010 e sua ampliação nem se toca. Ora, divulgar como novo um edital que foi lançado no ano passado é requentar marmita pronta.

A Funarte anunciou os editais Myriam Muniz, Carequinha e Klauss Viana para 2011, com ênfase no aumento de seus valores em relação a 2010. Dez milhões para o primeiro e quatro milhões e meio para os outros dois, no total de 19 Mi. Em 2009 o edital Myriam Muniz distribuiu 21 milhões e o Carequinha e o Klauss Viana, nove milhões cada um, totalizando 39 Mi, portanto mais que o dobro do que foi anunciado para 2011. Na comparação com o ano de 2010  não leva em conta os outros editais lançados como os de Festivais de Artes Cênicas, Artes Cênicas de Rua, Residências Nacionais e Internacionais.  Importante ressaltar que todos esses foram feitos com recursos orçamentários, sem precisar competir com os produtores privados na renúncia fiscal. Estes importantes editais nem foram mencionados agora pela Funarte, explicitando mais uma vez a descontinuidade deste novo ministério.

Desses cem milhões anunciados, aproximadamente seis milhões foram injetados em editais para a própria Funarte programar seus espaços. É o projeto apelidado de "Funarte quer ser SESC". Pena que os espaços da Funarte não têm a mesma capilaridade que os do SESC em todo Brasil. A Funarte, que deveria ser uma instituição federal, tem salas, teatros e galerias em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Bem espalhado não é mesmo? Estes espaços também ganham dinheirinho sem edital. Como exemplo, o Teatro Dulcina, um dos quatro teatros que a Funarte tem no Rio de Janeiro. Para lá, estão anunciadas apresentações de Peter Book, Bibi Ferreira e mais um monte de coisa. Mais glamoroso impossível. Mas quanto todo o país pagará por isto?

"Anunciados" também dezesseis milhões para o projeto Micro Projetos Mais Cultura. Este é um projeto do MINC e lançado em 2010 e que vai engrossar a sopa recozida dos cem milhões.

Tem mais dinheiro aí na conta dos cem milhões: num pequeno gesto e sem edital, ofereceram uma graninha para uma revista de amigos, uns livros de uns chegados, uma exposição sobre um rio (que não saiu), uma dispensa de licitação para cachê de companhias se apresentarem em festival comercial, um contrato sem licitação com OSCIP... e aí o dinheiro, que dizem ser pouco, mas não é, sai pelo cano.

Projetos novos: tem um antigo. A volta do Mambembão em 2012 com dois milhões de reais. E tome retrocesso. É a velha concepção de que o sonho dos artistas de fora do eixo está em se apresentar no RJ/SP. Mais concentração no sul maravilha de recursos federais que deveriam atender a todo país.

No fim, este anúncio de investimentos de cem milhões é um exercício de ficção e uma mistura incrível de coisas velhas com outras antigas. Mistura de orçamento público e dinheiro de estatais. Geleia geral e requentada. Programas novos? Dinheiro novo? Ficam pra depois...

Isabela Pedreira
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