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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Jornadas de Junho no Brasil

Realizado a partir de entrevistas com ativistas de cinco capitais brasileiras, o material não é apenas uma ferramenta para o debate e a compreensão das Jornadas de Junho, mas também um instrumento de organização da luta política, característica marcante da militância audiovisual de Carlos Pronzato, que também dirigiu, entre outros, "O Panelaço - a rebelião argentina" (2002) e "Carlos Marighella - Quem samba fica, quem não samba vai embora" (2011).

Direção, roteiro e concepção: Carlos Pronzato
Direção de produção: Cristiane Paolinelli 
Edição: Ricardo Gomes (Coletivo Das Lutas RJ)
Edição teasers e pesquisas de imagens adicionais: Richardson Pontone
Trilha: Apanhador Só
Realização: Lamestiza Audiovisual

Brasil, fevereiro de 2014.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Automákina - Universo Deslizante de Porto em Porto

*Márcio Silveira dos Santos

Recentemente fui conferir a apresentação do espetáculo/instalação "Automákina – Universo Deslizante" do Grupo de Teatro De Pernas Pro Ar, da Cidade de Canoas – RS. Apresentação que faz parte do Projeto de circulação: "De Porto em Porto", contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2012. Serão dez funções por cidades portuárias dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, culminando com uma exposição: Mostra fotográfica e vídeo documental, no final de fevereiro na sede nova do grupo, chamada de "Inventário". Este projeto também é parte das ações comemorativas de 25 anos do grupo fundado por Luciano Wieser e Raquel Durigon.

Esta foi à segunda vez que fui assistir, em Porto Alegre, no dia 24 de Janeiro de 2014, em busca de um segundo olhar sobre o prisma desta obra artística inquietante e instigadora. Segundo o grupo, "O Espetáculo trata de uma questão pertinente a todos os homens de todos os tempos: "a arte da sobrevivência". Com uma linguagem que mescla o simbolismo do teatro de bonecos com seus personagens autômatos fazendo uma metáfora a existência humana, o virtuosismo das técnicas circenses e a poética do teatro de rua". Sem dúvida alguma o trabalho transcende esta questão, não só pelo esplêndido trabalho do ator, em atuação solo, Luciano Wieser, mas também pela estética, uma poética de sublimação que arrebata o espectador.


O Público
Um menino-espectador desavisado leva um susto-surpresa ao dobrar a esquina do Largo Glênio Peres com a Avenida Voluntários da Pátria. Segurando firme a mão de seu pai aproximam-se da parafernália maquinal do estranho mundo do Duque Hosain'g. Seu olhar se estende para o alto, o pequeno extasiado contempla o gigante universo móvel de ferro-fios-flor-pele-plástico-poesia-etc-etc-etc..........(retinas esticadas)............ que aos poucos vai identificando alguns objetos na busca de um entendimento do todo, de uma explicação do que é e por que está ali tudo aquilo que sobrepostos desconhece. Ele muda o olhar em direção ao pai, que provavelmente já não parecia tão grande assim e pergunta: - Pai o que é isto? E o homem, que deveria naquele mesmo tempo-esticado na memória de ambos, maquinando no entendimento e assimilação, ou no agarrar dos neurônios catando algo que lhe fosse familiar para responder a si e ao pequeno filho, que talvez tivesse entendido mais que ele, responde: - Ah! Sabe o filme Edward Mãos de Tesoura? (pausa) Tipo isso! O menino se desloca do olhar do pai e se espraia novamente no olhar do Duque e sua portátil e móvel casa-montanha-sótão-solidão-sobrevivência-jardim-esculturas; mas ainda permanece na face do menino-espectador alguns pensamentos interrogativos (tipo:) "mas onde estariam as tesouras dele?". Não importa. Seu conhecimento de mundo e ampliação de novas possibilidades já ganharam horizontes outros.

Wieser – Um ator pós-dramático (?)
O Duque Hosain'g é um desses personagens que vivem em nosso inconsciente, deriva de muitas influências de seu criador, quase um alterego do inquieto Luciano Wieser. O Duque, aliás, parece ser primo de outro personagem seu, o genial Lançador de Foguetes, dois distintos e inesquecíveis da galeria de personagens do teatro de rua gaúcho, sem dúvidas. Mas como sabemos, esta capacidade de composição é uma das características de grandes atores-metamorfos. Wieser desenvolve ao longo de menos de uma hora, uma atuação catalisadora, e diria mais profundamente: uma complexa rede de ações/ partituras. Seria, assim, ele, um ator pós-dramático?
"o ator pós-dramático deve possuir competências que transitam entre o teatro dramático, o circo, o cabaret, o teatro de variedades, o teatro-musical, o teatro-dança, e a performance, dentre outras manifestações que compõem o continuum das artes cênicas ou performáticas. (...) deverá saber reconhecer pragmaticamente a diferença existente entre os processos de produção de significado e os de produção de sentido." (Bonfitto, 2009:93).

Creio que posso chama-lo assim devido a sua atuação. Constituída de um amplo leque de linguagens artísticas que acumulou-vivenciou em sua trajetória artística. Um circense, malabarista, bonequeiro, menestrel, "cantator", rueiro, performer, pai/mãe de família (opa! Pai/Mãe?. Explico depois). Há a presença de elementos do teatro de formas animadas, através dos bonecos "autômatos" (máquinas que se movem por meios mecânicos, que imitam movimentos humanos), além da impagável "vaca voadora"; outro destaque são os seres/bonecos "a imagem e semelhança" de seu criador, que pedalam maquinando o funcionamento da estrutura gigante medindo 6,0 m de comprimento, por 7,0 m de altura. Também há o lado circense onde brinca com acrobacias no interior da maquina, não poderia faltar é claro, algumas vezes, a posição "De Pernas Pro Ar". Em um momento chave do espetáculo, Luciano anda de pernas de pau, ou de mola, também conhecida como "Skyrunner" produzindo certo impacto ao sair da máquina para recolher com suas tarrafadas, um pouco de DNA para sua obra que perde força. Não, não entregarei aqui o poético e sanguíneo final que resplandece junto ao desabrochar de uma linda e gigante flor autômata.

O Pai/Mãe de família, que citei anteriormente, é uma alusão à cena em que o Duque, ao colocar um véu negro (chispa de luto!) e emitindo gritos de lamentos diante da possível tragédia em percurso, se transforma num ser andrógeno, se torna Pai e Mãe de sua criatura. Situação/condição típica dos estranhos doutores da ficção como o marcante Dr. Frankenstein ou outros seres híbridos que o cinema já nos revelou. O Duque-duquesa ressalta o feminino dentro de qualquer criação, que não se destina só a parir e criar, e sim possui um papel de grande importância para manter, entre outras questões, o equilíbrio vital nas estruturas do conhecimento e relações sociais. Esse feminino avoluma o desesperador sentimento de proteção do criador, de pai/mãe da criatura, um pedaço da síntese de nossa condição humana.

O fato de o personagem sair do interior da "mákina-útero" e ganhar outros espaços-energias junto ao público conduzem ao rompimento do até então "mundo impenetrável" do Duque Hosain'g, pois é esta interação, embora rápida, que estabelece uma conexão vital, e um novo fôlego ao universo deslizante e incerto do Duque. Possibilitando um novo ponto de vista àquele espectador citadino que no amontoado de significados da obra pode estabelecer novos sentidos na sua apreciação estética. Um desenvolvimento proximal desta relação público-ator provoca uma espécie de micro catarse que alavanca para o poético final. Não deve ter sido fácil para o diretor Jackson Zambelli trabalhar esta sútil curva-ápice na encenação!!! Mas está tudo lá na síntese presente e circundante de um DNA.

A Mákina e o espaço público
Wieser transforma seus devaneios criativos em realidade, através de uma excepcional metalurgia (arte de purificar e transformar os metais) comparável, e sem nada a perder em qualidade/efeito, as maquinarias de grupos faraônicos da Europa. A "mákina" enquanto cenário é indiscutível sua funcionalidade, mas a cidade com seus edifícios de ecléticas arquiteturas ganha um novo significado e também provoca na encenação outra dinâmica.

Sabemos que todo cenário, ou quase todo, deve ter função no espetáculo. No teatro de rua este cenário é constituído não só pelo cenário afirmado pelo grupo como também a cidade passa a ser cenário, o local onde se efetua a apresentação. Não importa o tipo de espetáculo, seja ele em deslocamento, de invasão, de roda parada, arena ou de outras formas inventivas de ocupação do espaço público, a cidade continuará sendo parte do cenário. E esse cenário fixo possui outra função, pois a maioria dos edifícios são departamentos de vendas, setores comerciais e bancários, com suas finalidades outras e que devido a isso tem ocorrido grandes intempéries no fazer teatral de rua. Um cerceamento do espaço público.

A cidade com seu complexo fluxo de ruas, praças, parques, largos e avenidas é forçada a esquecer do humano que ali circula. Os espaços da cidade estão focados cada vez mais para o comércio, para o consumo desenfreado, perdeu seu caráter de domínio público de espaço e "patrimônio da coletividade". Pois,

"Nas últimas décadas, em um contexto de fluxos globais, o espaço público é considerado o lugar das oposições – carros x pedestres, estacionamentos x espaços livres, mobiliário urbano x pedestres, painéis publicitários x perspectivas panorâmicas -, do vazio, do afastamento do convívio social, do perigo e da violência, do distanciamento entre arquitetura e cidade." (Albernaz, 2007: 42).

No caso do "Automákina – Universo Deslizante" é um pouco diferente, pois o "espetáculo-instalação" tem duração de nove horas. Não acompanhei tudo, mas na parte da desmontagem pude marcar presença e realmente faz jus a segunda designação: "instalação", pois os transeuntes que perderam a apresentação com o ator, podem conferir a outra apresentação; a máquina fica ali exposta para fotografias-filmagens, para perguntas ao grupo e apreciação dos olhares curiosos e hipnotizados, seja qual for o tempo disponível, todos podem conferir um pouco destas nove horas. Exaustas horas, por que Luciano, mais a produtora/figurinista/maquiadora Raquel Durigon, o diretor Jackson Zambelli e mais cinco integrantes do grupo: Arthur F. Côrtes, Odair F. de Souza, Tayhú D. Wieser, Txai D. Wieser e Vitor Brasil, (competente e precisa equipe técnica) montam, monitoram, registram por fotos e vídeos, desmontam tudo. Uma espécie de acampamento/ocupação no local durante o dia inteiro da função. Esta ocupação de nove horas com teatro de rua, resignifica o espaço da cidade, rompe com os códigos e situações hierarquias no cotidiano, o que amplia as possibilidades de retomar os espaços públicos enquanto espaços de convívio social.

"O teatro de rua, como manifestação não hegemônica propõe novas zonas de conflito a busca de situações em que a rua reconquiste ou reforce sua característica de lugar (Augé), isto é, seja um âmbito de convivência social que supere a superficialidade do universo do consumo, rompendo, ainda que momentaneamente, com a lógica pragmático do sistema de mercado." (Carreira, 2007, 37-38)

O "espetáculo/instalação" enquanto intervenção transgressora de longa duração provoca durante nove horas uma nova ordem para a rua, reestrutura a dinâmica da cidade, reformula o deslocamento do pedestre que por vezes se transforma em espectador.

Camada estética
O Cenário móvel, a "mákina", ou um triciclo gigante constituído de universos alternativos, está repleto de parafernálias recolhidas por Wieser e Durigon por muitos anos. Conseguiram dar cabo ao que é praticado pela maioria dos artistas: juntar coisas sem saber o real destino, um acumulo de sucatas ou lixo que em certo momento precisamos urgentemente descartar. O resultado aqui neste caso é a ótima reutilização-transformação de materiais, agregados a uma pesquisa ousada e inovadora de um grupo familiar, pois na equipe constam também os dois filhos do casal: Txai Durigon Wieser e Tayhú Durigon Wieser.

Hoje os trabalhos do grupo mostram nitidamente que suas inovações estéticas propostas são fruto de um acumulo de 25 anos de empenho e trabalho. O resultado neste espetáculo não poderia ser outro que não um aparato cênico impar em qualidade visual e sonora. Mas o espetáculo não se constitui só de uma maquina e um ator, embora seja este o cerne da encenação, há, entretanto uma "camada estética" constituída pelas mãos de Raquel Durigon, ou seja, há o seu toque peculiar no visual do todo. Durigon criou de forma exemplar figurino e adereços conectados-imbricados com o visual do "espetáculo – instalação". O efeito produzido pelo figurino, misto de steampunk-gótic-bizarre como as vestes de alguém que lida com ferro-graxa-solda, um figurino ferroso que remete a muitas referencias e servem como uma luva as movimentações do ator dentro da "Mákina". Um figurino e maquiagem funcionais que na cena já citada do véu, causam imagens impressionantes no topo da estrutura. Em tempo, como sou muito fã do gênero Steampunk, eis breve elucidação:

"Gênero derivado da ficção científica. Trata-se de obras ambientadas no passado, no qual os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na história real (ou em um universo com características similares), mas foram obtidos por meio da ciência já disponível naquela época". (Fonte: Wikipédia)

Não poderia deixar de citar a mão precisa do diretor Jackson Zambelli. Conhecido por seus trabalhos com trilhas de filmes, aqui também assina a música original em parceria com Claudio Veiga. Uma trilha brilhante, executada ao vivo com efeitos de som mecânico e instrumentos construídos pelo grupo que enriquecem a estética do espetáculo. Como diretor, Zambelli conseguiu estabelecer uma encenação ao mesmo tempo complexa e sensível. Há um fio condutor de entendimento, uma linha dramatúrgica compreensível, se soubermos diferenciar e aglutinar as várias dramaturgias presentes: a do ator, do diretor e das cenas.  Poderá ocorrer um "não entendi" ao espectador desacostumado a ver artes de rua e poderá passar dias juntando os caquinhos de entendimento a partir do seu próprio conhecimento referencial. E aqui vem o trunfo do diretor que tem em mãos uma equipe competente e um ator daqueles que transborda criatividade, embora possa dificultar ao diretor limar as arestas e excessos. Mas o jogo é pra jogar!  E sabendo que a tarefa é árdua e ao mesmo tempo prazerosa, Jackson orquestra a polifonia de dramaturgias, sons, cenas, ator, com mão precisa e deixa fluir o que de mais significativo possa aflorar na mente do espectador. É sincero no que permite mostrar e coerente com a rua, que para aquele transeunte que só pode ver metade do espetáculo, ou menos ou mais, possa ter uma ideia do que viu e potencializar uma assimilação do essencial daquilo que o grupo quis trazer para a rua com seu trabalho-acampamento-ocupação do espaço público.  

As Bodas.
O Grupo De Pernas Pro Ar chega às bodas de prata, são 25 anos de incansável e digna luta. Até o momento já assisti três espetáculos do repertório do grupo, que mais adiante desejo escrever sobre os outros dois, mas quero finalizar aqui dizendo que uma das maiores láureas que todo artista espera obter em vida é o reconhecimento por sua trajetória. Ser respeitado, que tenha incentivo, que possa ser sustentado com o que ganha por sua arte sem precisar mendigar apoios e patrocínios. Para poder dedicar-se em tempo integral a sua obra de vida, a sua busca enquanto tiver forças e que possa transmitir ensinar-aprender com os outros que virão. Eis a luta deste coletivo familiar e de muitos rueiros deste país. No momento tanto o De Pernas Pro Ar como também outros grupos de Canoas – RS lutam por políticas culturais efetivas na cidade vizinha a capital dos gaúchos. Foram contemplados no PIC – Programa de Incentivo a Cultura, tornado lei em 2012, mas até o momento nada receberam e o edital do mesmo PIC não saiu em 2013 e 2014. Já há um levante nacional de apoio a causa que esperamos surtir resultados positivos.

Mas enquanto isso o grupo segue apresentando seu repertório nos mais diferentes rincões deste mundo. Que venham mais 25 anos e continuem rasgando-deslizando-ocupando as ruas e outros espaços inusitados porque o tempo é incerto. Evoé!!!


*Márcio Silveira dos Santos é ator, diretor, dramaturgo, pesquisador. Integrante do Grupo Teatral Manjericão - RS

Fotos do autor

Referências

ALBERNAZ, Paula. Reflexões sobre o espaço público Atual. (in) Espaço e Cidade: Conceitos e Leituras. Lima, Evelyn Furquim Werneck. Maleque, Miria Roseira. (orgs.). Rio de Janeiro: Editora 7 Letras. 2ª edição, 2007.
CARREIRA, André. Teatro de rua: (Brasil e Argentina nos anos 80): uma paixão no asfalto. São Paulo: Editora Hucitec, 2007.
BONFITTO, Matteo. O Ator Pós-Dramático: Um Catalisador de Aporias?. (in) O Pós-Dramático – Um Conceito Operativo?. Guinsburg, Jacob. Fernandes, Silvia. (orgs.).  São Paulo: Editora Perspectiva, 2009.
LUFT, Celso Pedro. Dicionário de Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Ática, 2010.
De Pernas Pro Ar. De Porto em Porto. Programa/Cartaz da Circulação. Canoas, 2014.
Sitios:
www.grupodepernasproar.com.br
www.wikipédia/Steampunk

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

BOLETIM INFORMATIVO FÓRUM DE ARTE PÚBLICA Data: 27 de Janeiro 2014

 Segundo encontro do Fórum após o começo do evento de Arte Pública no dia 15 de Janeiro.
Amir abre o fórum saudando a todos e cumprimenta aos que vieram pela primeira vez.
"Uma coisa está acontecendo e não podemos depender das autoridades." – foram suas palavras iniciais para que ele descreveu mais uma vez todo o histórico e o porque a necessidade da criação do fórum.  Narrou sobre quando a "Operação Choque de Ordem', criada pela recém formada Secretária de Ordem Pública, teve seu inicio e os guardas municipais começaram a proibir e até a confiscar o material de trabalho dos artistas e grupos de rua. Isso levou os artistas a se unirem e se manifestarem. Tentarem impor um decreto na qual dissemos não, pois nenhum decreto é garantia, pois pode ser revogado por novas gestões municipais. Continuamos a nos manifestar e com isso conseguimos emplacar uma lei que garantia o artista de rua de exercer sua profissão. Essa lei foi vetada pelo prefeito. Devido á pressão que foi feita, voltou atrás e pediu para que sua bancada na Câmara de Vereadores derrubasse o seu próprio veto. Isso aqui, na sede do Grupo Tá Na Rua. O Prefeito Eduardo Paes falou em criar um edital, da qual foi dito não, edital não era a política que queríamos. Editais só servem para aqueles que ganham sempre e não era esse o caso para os artistas que atuam nos espaços abertos. Então ele sugeriu que fizéssemos um projeto, projeto esse que teve seu inicio agora em janeiro, depois de quase dois anos de elaboração e espera. Demorou esse tempo por causa da burocracia regida pela Secretária de Cultura Municipal. Eles sugeriram que tivesse o formato de um festival, mas não é um festival que propomos, mais um conceito novo que tinha surgido e que estamos construindo. Por isso retomamos o nome que foi inicialmente no projeto: Arte Pública, Uma Política em Construção e é com esse pensamento que estamos trabalhando, tendo também como objetivo cadastrar e localizar os artistas e grupos que atuam nos espaços públicos e apresentar ao final de três meses, tempo de duração do projeto, um considerável material para mostrar a infinidade de atividades artísticas espalhadas pelas ruas cariocas. Precisamos saber quantos somos e quem somos.
O projeto está acontecendo em seis praças da cidade, sendo curadas por quatro grupos que há muito tempo tem reconhecido trabalho nos espaços públicos do Rio de Janeiro. São elas: Largo da Lapa e Praça Tiradentes, curadoria Grupo Tá Na Rua; Praça da harmonia, na Gamboa, Zona Portuária, curadoria da Cia Mystérios e Novidades; Saens Pena e Praça Xavier de Brito, na Tijuca, curadoria do Boa Praça; largo do Machado, curadoria do Grupo Off-Sina.
São locais onde naturalmente esses grupos já trabalham há muito tempo, independente de qualquer projeto. Agora, com recursos, estas praças terão dias onde os artistas e grupos poderão se apresentar coletivamente. São verdadeiras feiras medievais contemporâneas onde o artista é livre para mostrar o que apresenta na rua. Não tem que montar nada, é ele, livre com sua arte.
E o fórum é o local de encontro, de reflexão, de discutir políticas públicas para as artes públicas.
Amir lembrou que quando começou, no Brasil só existiam três grupos de rua conhecidos no Brasil. Agora são mais de 700. Isso como exemplo para falar sobre a diversidade artística que povoam os espaços abertos no país. Hoje ele está aqui, neste fórum, conhecendo e aprendendo mais sobre o seu ofício e mais ainda sobre as atividades artísticas nos espaços abertos. Estamos construindo uma política que não existe. Somos uma nova possibilidade. Nas terças feiras, aqui no Largo da Lapa, o Tá Na Rua, dentro do evento, tem sua Aula Pública, onde tanto os artistas e a população podem entrar e usar as nossas roupas e fantasias e brincar e praticar sua liberdade com os atores do grupo. No final, quando estamos terminando, nos instituímos a troca de guardas. Chega á operação Lapa Presente e saem os artistas. Eles chegam organizados, são o antivírus e nós somos os vírus, somos a peste. "Sai a Arte Pública e entra a Força Pública" (Amir).
Eles representam o velho e nós representamos a possibilidade. Amir ressalta que é necessário lembrar todo o processo até este dia, para que, aqueles pela primeira vez freqüentam o fórum, tenham conhecimento sobre os fatos que fizeram nascer o movimento.

Depoimentos:
Nélio Fernando, poeta e ator: "Tenho 15 anos de ofício. Tenho minha plaquinha e lá na Quinta da Boa Vista vendo meu poema por R$: 1,00. Fala para quem quiser e recebo a todos com carinho. Quero dar aqui meu apoio. Eu quero é somar. Acho importante construir políticas públicas.
Sergio Biff, Teatro Lambe Lambe: "Não tinha conhecimento deste encontro e é ótimo compartilhar com outros artistas sobre o meu trabalho."
Palhaço Tiririca Cover: "Fui no Rio mais 20 e ai perguntei ao guarda – o abestado pru que num posso me apresentar aqui não? Eu quero disser, eu queria mesmo, disse é que sou da rua... sou abestado mermo da rua..."
"Florentina, Florentina de Jesus, não sei se tu me amas, porque tu me sedus? Viva a rua!"
Pedro Arauto, Grupo Lá e Cá: "O ideal é o artista de rua viver do seu chapéu, sem depender do poder público e do público. Acho muito válido o encontro dessas segundas e do evento em si".
Com esta ultima declaração encerro este boletim.  Lembrando sempre que não é uma ata, mas um relato a partir das minhas anotações do Fórum. Está aberto para correções, acréscimos e observações.

Herculano Dias

domingo, 9 de fevereiro de 2014

CURIOSIDADES DO EVENTO ARTE PÚBLICA UMA POLÍTICA EM CONSTRUÇÃO

Sorrisos


Mais uma da Saens Pena, dia 25. Artistas espalhados pela praça, integrados e modificando a rotina do sábado, dando um colorido maior a feira de artesanato, feira tradicional da bucólica Tijuca.

No parquinho para crianças, quase em frete a entrada do Shopping 45, uma pequena platéia em meia lua está formada em frente de uma árvore.

Lá, com suas trançinhas, roupinha vermelha e pele cor de piche, a Boneca Lilica canta e conta histórias: "O sapo não lava o pé, não lava por que não quer..."

As crianças riem, olham curiosas, se divertem com a boneca sapeca e simpática. "Você quer um beijinho da Lilica?" – a criança se aproxima e recebe o dengo da Lilica. "Que beijinho gostoso!" - responde com carinho a boneca. Fernanda é a parceira da Lilica e conduz cada movimento com calma e poesia. Tudo natural, assim como a resposta do seu público, que a aplaude com naturalidade, tanto os adultos como os pequeninos.

Um adulto em particular chama minha atenção, um homem aparentando estar na casa dos quarenta anos, cabelo castanho sendo dominado por fios prateados, olha fixamente as reações de uma pequenina menininha, usando um vestido vermelhinho cheio de pontinhos brancos (parecia uma joaninha), de um ano e meio, talvez dois anos. A boneca e sua parceira se despedem e o homem calmamente pega a menina que exibe um caloroso sorriso infantil.

Minha parte curiosa puxa um fio de conversa com o homem:

"- Parece que ela adorou o espetáculo, não é?"

"- Com toda certeza." – responde o homem enquanto carinhosamente ajeita a menininha no seu colo, sem parar de olhar para o delicado rostinho de covinhas. Noto a emoção que transparece nos seus olhos úmidos por lágrimas que não chegaram a sair, mas que ao mesmo tempo faz brilhar nas retinas por causa da luminosidade da manhã. Me atrevi a bancar  o bom samaritano devido a minha ansiedade de entender o quadro que se desenhava na minha frente:

"- O senhor está bem?"

"- É que é a primeira vez que vejo minha filha sorrir desde que veio para esse mundo."

O homem se despede, sai caminhando com sua pequena princesa nos braços.

Esse foi o quadro que se formou diante deste espectador: Um sorriso novo que aflorava... e um sorriso que renascia.


Herculano Dias

Teatro nas feiras: Guerras desconhecidas na Barraca de Cena - Cia Estudo de Cena.


A Companhia Estudo de Cena convida todas e todos para o Circuito de Feiras Livres de seu novo trabalho, o espetáculo Guerras desconhecidas na Barraca de Cena.



    O espetáculo Guerras desconhecidas na Barraca de Cena é uma intervenção cênica nas feiras livres da cidade de São Paulo. A Barraca de Cena é um pequeno teatro mambembe, que mede 06 metros quadrados, onde a Companhia Estudo de Cena apresenta números de variedades e cenas que falam de conflitos atuais e da história do Brasil.  O espetáculo apresenta diversas cenas como o aterrorizante monstro que se alimenta de pessoas do público; a história da Guerra de São Bonifácio; o surpreendente romance da Srta. Julia com seu criado Antônio; a visita na feira dos dois homens mais ricos do Brasil; um grande show de inauguração do "Açougue Pau de Colher" que vai nos lembrar da guerra do Arraial de Pau de Colher; além de poesia, magia, sedução e muito mais.....
     No mês de fevereiro Guerras desconhecidas na Barraca de Cena  acontece na Feira COHAB Fernão Dias, na Zona Norte; e na Feira da Concórdia, no bairro do Brás na Zona Leste. Em março a Barraca continua nas feiras do centro, zona sul e oeste.

Ficha Técnica:
Criação, concepção e produção: Estudo de Cena.
Atores Criadores: Claudia Peracio; Glauber Pereira; Juliana Liegel; Marilza Batista; Nei Gomes e Vinícius Hoffman.
Direção e dramaturgia: Diogo Noventa.
Direção de números de cortina e produção Executiva: Nei Gomes.
Concepção musical: Iraci Tomiato; Juh Vieira; Lucas Vasconcellos; Rani Guerra e  Vinícius Hoffman.
Direção de Arte: Valter Mendes.
Assitente de Arte: Danielly Abreu.
Criação de Foto/Vídeo e divulgação: Wilq Vicente.
Equipe de montagem: Zeca Volga e Carlão.
Projeto realizado com a Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura.
Apoio: Engenho Teatral / Supervisão geral de abastecimento da cidade de São Paulo.
Facebook: Companhia Estudo de Cena.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Batalha pelo direito ao fomento em Canoas/RS



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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Arte pública Programação 06 e 08/02/2014


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