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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O chapéu no teatro de rua é uma tradição milenar

Desde os tempos dos Gregos o teatro prima por um contato mais direto e necessário com a platéia, para isto sempre esteve, nos mais de dois mil e quinhentos anos da história do teatro ocidental, presente nas ruas e espaços abertos da Polis. Nos dias de hoje no Brasil, há um número inestimável de grupos que se voltam para o espetáculo a céu aberto, cercado por um público movediço e transeunte, ávido por arte, que forma rodas propícias a nossa prática teatral.

Vivemos num país livre e democrático e não há melhor lugar do que estar nas praças, ruas e parques para exercitar a democracia da arte do teatro. O Brasil possui uma diversidade gigantesca de estilos, costumes, tradições, conhecimentos e saberes. Portanto, estes são os elementos constitutivos na nossa Nação.

Nem sempre, no entanto, encontramos o respeito as tradições, aos costumes, as culturas, como podemos observar no comprimento do nosso oficio do Teatro de Rua. Temos a nosso favor uma notável capacidade de acolhimento e transformação enriquecedora daquilo que nós e inicialmente alheio. Entretanto, os desequilíbrios entre regiões e as desigualdades sócias – realimentadas por discriminações étnicas, raciais e de gênero – também fazem parte da história do País. E por muitas vezes encontramos dentro das Secretarias de Cultura pensamentos e praticas que desconsideram o verdadeiro sentido republicano.

A gestão da Política Oficial de Cultura do Município de ....., através da Fundação ......., cidade situada no Estado do Rio de Janeiro, desconsidera a tradição dos artistas e grupos de Teatro de Rua passar o chapéu em suas apresentações. Na programação do Circuito Estadual de Artes, o grupo Off-Sina foi orientado, pela atual gestão, a não passar o chapéu. Está visão contrária os avanços conquistados por todos os artistas e grupos pertencentes a Rede Brasileira de Teatro de Rua, reconhecidas até pelo Ministro da Cultura Juca Ferreira, como atesta a matéria publica no Jornal o Globo, do dia 30 de julho de 2009, relativa ao lançamento do Vale Cultura, onde institucionaliza o Chapéu Eletrônico ( leia em anexo).

            A participação do Teatro de Rua na II Edição do Circuito Estadual de Artes é um avanço importante na luta pela igualdade e pela plena oferta de condições para a expressão cultural sendo reconhecida, aqui no Estado do Rio de Janeiro e em outros estados, como parte de uma nova maneira de lutar pelos direitos fundamentais.

            Na I Edição do Circuito Estadual de Artes, realizado em 2008, a Rede Estadual de Teatro de Rua trabalhou em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e com o SESC Rio na realização de 26 espetáculos de Teatro de Rua e passou o chapéu em todos os municípios. Segundo declaração da Superintendente de Artes da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Eva Doris, em publicado na revista "A Rua",  - A gente não vai largar a rede nunca, mesmo que vocês queiram.

A proibição da passagem do chapéu fere uma tradição milenar e ofende aos grupos e artistas trabalhadores de teatro de rua.

Cordialmente,
Rede Brasileira de Teatro de Rua

Um comentário:

Marcela Ezitio disse...

Suas reflexões sobre a identidade de apenas um teatro de rua... É mais um ato de resistência às represálias que as ambiguidades da arte causam aos censuradores de uma ideologia inerte. Em matéria de uma linguagem e identidade cultural... Firmar uma consciência em um ato público.... Ameaça e sempre ameaçará os censuradores da estigmata arte. O teatro de rua... NÃO tão somente o de SP... É o único ato... Que transforma a plateia, em símbolo, signo, vigente da sociedade que se manifesta! Veio desde a muito.... À razão pela qual subjaz sua existência. Sendo ela: permanecer... UM ATO PÚBLICO! É daqui.... Desta atitude... Que a catarse purifica à moral e a ética de grandes valores etnicos culturais. Existir uma reflexão sobre como? Se faz? Teatro? De? Rua? É para os modelos estéticos da arte... Um salto grande para o começo de uma nova forma de arte dramática. Ainda que sua raíz... SEJA de tempos remotos. Desejo boa sorte.... À um novo tempo de arte, que no bojo de nossas lutas, virá! Evoé.... Este é o grito da mudança em plena metamorfose social. Os artista já gritam... Resta-nos esperar que este grito... Brade nos corações. Para que se manifeste neles... O amor que o artista têm...Por sua arte. Que o diálogo seja... A reflexão... De muitas razões. Não tão somente de uma... Porém... DA ARTE como um todo. ESTE diálogo... É a única utopia que mancha como sempre....Às nossas histórias. Sendo nossa herança... O germe da mudança. Em constante manifesto... Até que a efemeridade do tempo, fira, o novo, e o novo.... Assuste! Os velhos hábitos de nossos costumes censuradores....