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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Chico de Assis

No próximo dia 15 de setembro, o dramaturgo e diretor Chico de Assis terá lançada grande parte de sua obra dramatúrgica em livros editados pela Funarte, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, em São Paulo. Portanto é um bom momento para se escrever um pouco sobre esse homem que participou e participa ativamente da vida cultural e política desse país há 60 anos. Apesar de ter trabalhado com destaque em diversas atividades (rádio, TV e cinema) acredito que a melhor definição para Chico de Assis é que ele é um homem de teatro (um termo que há muito não ouço, mas que cabe resgatar para falar dele). Sob a ribalta, exerceu as funções de ator, compositor, diretor e dramaturgo com brilhantismo. É um dos mais destacados de um a geração brilhante e continua a ser hoje um autor produtivo, além de um grande mestre de dramaturgia. 
Nascido Francisco de Assis Pereira, começou sua carreira como ator de rádio em 1953 (aos 19 anos) e depois de dois anos foi para TV, com a intenção de conhecer esse novo meio de comunicação, tornando-se cameraman. Logo passou a trabalhar como ator e assistente de direção; na Tupi teve sua primeira peça montada, uma adaptação de Machado de Assis: “Os Óculos de Pedro Antão”. Na mesma Tupi, escreve seu primeiro texto original: “Na Beira da Várzea”.
Em 1958 entrou para o Teatro de Arena, atuando em A Mulher do Outro, de Sydney Howard, com direção de Augusto Boal, e Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por José Renato, em 1958. Em 1959, atua em Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho e Gente como a Gente, de Roberto Freire. Neste período é um dos fundadores do 1º Seminário de Dramaturgia do Teatro de Arena, que leva à cena textos escritos pelos membros da companhia, num expressivo movimento de nacionalizar o palco, difundir os textos e politizar a discussão da realidade nacional. Surge no seminário uma grande geração de autores que, nos anos seguintes, tiveram destaque em teatro e na teledramaturgia.
Em 1960 Chico e Vianinha, que eram militantes marxistas, resolveram aprofundar o debate com um texto que trouxesse o debate ideológico para a cena de forma mais direta. Assim, durante a temporada das peças do Teatro de Arena no Rio de Janeiro, eles montam A Mais-Valia Vai Acabar, seu Edgar (texto de Vianinha e direção de Chico de Assis, com música de Carlos Lyra). A peça, de forte caráter didático, foi encenada no Teatro da Faculdade Nacional de Arquitetura, no Rio. Os debates ocorridos entre os artistas e o público deu origem ao Centro Popular de Cultura (CPC), grupo de militância política e cultural que teve grande importância nacional nos anos que antecederam a ditadura.
Em 1961 surge “O Testamento do Cangaceiro”, de sua autoria, dirigida por Boal, tendo Flávio Império como cenógrafo e figurinista. Em 1963 escreve A Aventura de Ripió Lacraia, que é dirigida por José Renato para o Teatro Nacional de Comédia (TNC); e Farsa com Cangaceiro, Truco e Padre, que é montado pelo Núcleo 2 do Arena, em 1967, fechando uma trilogia sobre a literatura popular de cordel do Brasil. Nesta trilogia, Chico une a tradição popular brasileira com o teatro épico de Brecht, um trabalho de grande relevância que ainda precisa debatido com mais profundidade.
Volta a trabalhar como ator em Tom Paine, de Paul Foster, dirigido por Ademar Guerra, em 1970. No mesmo ano, sua peça O Auto do Burrinho de Belém é interditada pela censura. Escreve Missa Leiga, peça polêmica dirigida por Ademar Guerra, com produção de Ruth Escobar, que é proibida de ser apresentada na Igreja da Consolação. Acaba por apresentar-se numa fábrica abandonada, em 1972, fazendo enorme sucesso e viajando para Portugal e África.
Durante os anos 1970, escreveu várias novelas para Globo e para Tupi, fazendo parte do grupo de militantes de esquerda que para sobreviver à ditadura foram trabalhar na TV (juntamente com Dias Gomes, Vianna Filho e outros). Para os que cresceram nos anos 1970, é curioso saber que Chico de Assis era um dos responsáveis pela edição brasileira de Vila Sésamo, primeiro na TV Cultura depois na Globo. Em 1983, Antônio Fagundes, que havia participado da primeira montagem de Farsa com Cangaceiro, Truco e Padre, remonta o texto – mudando o título para Xandú Quaresma – com grande sucesso, ficando muitos meses em cartaz com casa cheia.
É convidado, em 1989, pelo diretor e autor Fauzi Arap, para montar um curso de dramaturgia no Teatro de Arena, no Projeto Tarô dos Ventos. Terminado o projeto, Chico de Assis conserva o seminário, então denominado Projeto Semda – Seminário de Dramaturgia do Arena. Desde então, com seu método formou inúmeros novos dramaturgos.
Este histórico é parcial; Chico tem dezenas de peças de teatro, escritas em diversos estilos e formas. Sua atuação é ampla.
Conheci Chico de Assis em 2000, quando ele assistiu uma montagem nossa (da Cia. Ocamorana). A partir de então nos aproximamos dele e logo decidimos montar uma peça de sua autoria. Ficamos muito felizes quando ele aceitou a direção. Montamos uma peça sua escrita em 1966, que havia sido censurada pouco antes de sua estreia e era, portanto, inédita até aquele momento: As Aventuras e Desventuras de Maria Malazartes durante a construção da Grande Pirâmide. Por meio de uma fabula épica (a construção da pirâmide), Chico descreve como o capital cria próteses para se desenvolver. A peça serve ainda como uma alegoria sobre a construção de Brasília, permanecendo atual ainda hoje, 48 anos após ter sido escrito. Fizemos duas temporadas da peça no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. Tive o prazer de fazer assistência de direção para ele, além de ter participado por anos do Semda.
Chico escreveu para a companhia um texto infantil que ainda é inédito, mas que está nos nosso planos: Quebra-vento e Dorminhoco ou o Triunfo da Amizade.

Chico de Assis tem uma vida dedicada ao desenvolvimento da cultura brasileira. Seu companheiro de oficio Brecht dizia que “os homens que lutam por toda vida são imprescindíveis” – tenho certeza que ele admiraria o trabalho de Chico de Assis.

Márcio Boaro - Diretor do Ocamorana
Publicado originalmente no Brasil de Fato

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

ALMANAQUE OFF SINA

                    


Antes de começar a escrever fiquei pensando como definir o almanaque comemorativo de 25 anos do Grupo Off Sina. Me dei conta que não dá para definir em uma palavra, mas em duas que se confundem e se interagem no mesmo significado e importância para a história dos artistas de rua e do Teatro e Circo no seu todo: Ancestralidade e Linguagem.

Partindo da ultima, o que lemos é a síntese do começo de uma pesquisa e uma necessidade: necessidade de praticar o que mais se ama, nesse caso, a arte, com todos os seus percalços e seus questionamentos. Questões levam a curiosidade e a curiosidade faz brotar a necessidade de se aprofundar na arte que exercemos. Quanto mais perguntas e mais inquietações, nasce á linguagem. Assim é o retrato deste almanaque que complementa o primeiro, onde o inicio desta linguagem nasceu da inquietação e da procura de novas possibilidades. Assim o estudo do seu ofício  proporcionou ao Off Sina encontrar uma linguagem própria, baseando sua caminhada na descoberta do circo teatro e se esgueirando pela ancestralidade do palhaço. O cuidado com essa linguagem é narrada com carinho nas páginas que descrevem o nascimento de um espetáculo, no caso o Tremelicando, desde a concepção dos artefatos musicais construídos e do entendimento dessa arte através do contato com o casal de palhaços Treme Treme e Currupita. É busca, é proposta e é resgate da memória que não está escrita, mas que é presente. Ai entra a ancestralidade no modo representar, “tão antigo e tão contemporâneo – Amir Haddad”, pois é a perpetuação da memória dos antigos bufões, mambembes e circenses, que nasceram antes de nós e que serão depois de nós. O palhaço de rua, o circense e os atores de rua já existiam antes mesmo da Grécia. Nascemos com a necessidade de se manifestar  e daí em diante não mais paramos.   Somos antes do Egito ou das antigas civilizações e continuamos após elas. Da idade do ouro até os dias de hoje, saltando junto com a natureza. E é isso que encontramos neste almanaque, um passeio entre passado e presente, referências da herança que recebemos pelos que antes trilharam estes caminhos, gastando suas solas de sapatos.

Poderia ser uma revista, poderia ser um livreto, mas a escolha de ser almanaque é mais do que acertada. Almanaque na sua origem árabe representa a memória registrada em matérias, informações, fotos, humor e brincadeiras. O almanaque é não é uma invenção moderna, mas é de tradição antiga milenar e ancestral. O resultado não poderia ser outro e cumpre sua função. De maneira leve, simples e direta é fermento para contribuir com a nossa memória pública ancestral. Parabéns OFF Sina. Mais 25 anos de puro prazer.


Herculano Dias. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Relato sobre XV Encontro RBTR e Ocupanise

LOUCOS DE AMOR

Loucos de amor.
Não nos entregaremos e vamos juntos até o fim, Nos somos a resistência e não nos entregaremos. Somos as forças desarmadas da população e vamos Quebrar os velhos moldes, abandonar os temas irrisórios dar larga ao pensamento livre. Nós os artistas deste tempo, falaremos do amor, da liberdade e da arte pública, das durezas amargas da nossa época e do nosso meio. Somos um grande gueto sempre aberto e livre. Nossa liberdade desafia a ordem do homem, nosso gueto se expande ocupando as ruas e, as praças dialogando com as pessoas e fazendo delas protagonistas, estamos nos alastrando como a peste que somos e iniciamos a retomada porque estas cidades são nossas o Brasil é nosso.



Adelante junto somos mais fortes. Somos insanos, um bando cheio dos recheios da mais doce loucura. A loucura do afeto, sem perversidade. Nossa loucura causa felicidade. Portanto é a contra mão do que nossa sociedade quer. Sociedade entupida de repressão e opressão. Sociedade que clama por saúde pública com uma polícia doente dentro do colapso político onde armas disparam sem querer e dinheiros somem sem querer, não temos mais opção, nos entregamos ou vamos ate o fim juntos. Só a saúde pública salva, só o cuidado com outro salva. Estamos determinados nos somos as forças desarmadas da população queremos romper e exterminar a perversidade desta sociedade doente. Nós temos que tomar ciência que todos somos doentes frutos da podridão desta ordem. Vamos rasgar os ternos do poder a dureza e o cinza das cidades, a conversa e a troca estão abertas entre nesta roda sem culpa sem culpa ocupa nise.  Venha para a cura, vista os trapos das fantasias, vamos colorir e fazer rebolar as curvas das cidades, pois amar em tempos de ódio é um ato revolucionário. Nós somos as forças desarmadas do povo. Estamos na frente no fronte preparados para a tomada. Muita Gratidão pelo carinho e afeto, pela troca e principalmente pelo entrelace e fortalecimento da brodagem, saio deste encontro mais determinado, seguro que estamos no caminho certo e que o que está posto neste mundo não nos serve.

  Fico feliz de ter a grata sorte de poder compartilhar com várias gerações de mestres de todos os lugares e de nenhum lugar, com as mais diversas práticas, das mais variadas cores, de riquezas ímpares. Mostrando-nos com generosidade em apontar o caminho. Nesta sociedade decadente e doente que clama por educação, saúde e arte pública. Onde se perguntam com quantos policiais, porretes e políticos corruptos se faz um cidadão estamos de pronto respondendo e mostrando com quantos espetáculos, cortejos e com quantas doses de arte pública e loucura se faz um cidadão. Se preparem, a retomada começou! As forças desarmadas do povo tomaram a Cinelândia e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A arte pública salva, a educação pública salva e a saúde pública salva. Nesta sociedade insana, onde padecemos das mais variadas tragédias, este encontro da RBTR, da UPAC e OCUPANISE veio como um rio que passou em minha vida me enchendo de questionamentos metendo o dedo na ferida e mostrando o que somos!




Renderson Valentim conspirados com todos aliados e pensamentos de grandes mestres XV RBTR, IV UPAC e III OCUPANISE Engenho de dentro para fora Rio de Janeiro. Salvemos nossas loucuras...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Subsídios Para Uma Política Pública Para as Artes Públicas

Por Amir Haddad

Introito

Por reconhecer a existência de uma outra possibilidade artística na cidade, e por haver comprovado esta existência concretamente durante os 3 (três) meses nos quais realizamos nossos encontros públicos, em busca de subsídios para construção de um pensamento para Políticas Públicas para as Artes Públicas é que nos sentimos mais que autorizados, capacitados, para realizar a tarefa que nos tínhamos proposto; A partir de um projeto inicial, apresentar à prefeitura no melhor tempo possível, subsídios importantes para elaboração de Políticas Públicas para as Artes Públicas obtidos pela militância de quatro grupos de artistas públicos desta cidade em 6 (seis) praças centrais durante 3 (três) meses, com mais de 600 (seiscentas) apresentações e 760(setecentos e sessenta) grupos ou artistas públicos ou de rua cadastrados.
O resultado foi surpreendente, de uma diversidade inimaginável; e que será ainda maior se e quando o evento puder ser levado a outras regiões da área metropolitana da cidade do Rio de Janeiro.
A possibilidade da emergência de uma livre manifestação artística para todo o aparato e o convívio urbanos, se confirmou além de nossas expectativas.
E também foram além, as questões a respeito de estabelecer políticas públicas para o fortalecimento, proteção e desenvolvimento destas atividades, que muitas vezes não veem á tona, exatamente por falta de apoio, estímulo, proteção ou reconhecimento!!
O universo manifestado se mostrou mais diverso e complexo do que imaginávamos.  À medida que as apresentações revelam sua diversidade e complexidade, as questões em relação a elas também se multiplicam.
 O que é público? O que é privado? O que é arte pública? E artista público? É o mesmo que arte privada, ou artista privado?  Espaço público é espaço privado?
O alcance do espetáculo público, seus limites.  O futuro das artes públicas.  Linguagens.  Linguagem pública?  Linguagem privada? Perspectivas históricas, vaticínios, profecias e utopias. 
Como responder a tantas questões, muitas delas nunca dantes formuladas em nenhuma parte deste mundo, e a maior parte delas ainda sem respostas, pois só agora começam a ser formuladas, como resposta a elas mesmas, e ao momento histórico que vivemos. 
Num mundo de privatizações exacerbadas qual será a possibilidade dialética de confrontá-lo com outra proposta, que seja oposta a ele e seus interesses. 
Que estrelas poderão nascer do entrechoque dessas duas tendências tão fortes e arraigadas à natureza humana, e tantas vezes em desequilíbrio?  Ou tudo coletivo, público. Ou tudo individual. Privado. Privatizado. Choque necessário e inevitável.  É bom lembrar que estamos falando de interesses humanos e não do Poder Público, que muitas vezes representa apenas os interesses privados.
Todas as questões e tantas questões que não temos, e nem teremos, todas as respostas, mas sua variedade, diversidade e complexidade justificam, por sua importância a criação de políticas públicas para estes artes que estamos chamando de Artes Públicas.
Elas existem, são fortes, poderosas, contemporâneas e se estimuladas poderão surpreender e transformar os nossos paradigmas a respeito da arte, cultura, produto cultural, mercado, vida cultural. Valerá à pena investir, pois é um veio rico e misterioso, ainda inexplorado, esperando pacientemente que o ser humano se volte para esse lado, desobstruindo mais um canal importante de nossos afetos, contribuindo para a evolução dos homens, criando cidadãos capazes de sobreviver à débâcle que parece inevitável, e que saberão renascer das cinzas do Apocalipse com um novo sentido de convívio humano e o desejo de antecipar um novo processo civilizatório. Precisamos desde já estarmos preparados para isso. 
“Ave Cᴂsar, morituri te salutamus”. 
Quem sobreviver, verá! 

ARTE PÚBLICA

A palavra “pública”:
Do Grego- Publike
1-    Depende do Estado
2-    Que pode ser utilizado por todos
3-    Conhecido por todos
Do Latim- Publicus
1-    Pertencente ao povo
2-    Para uso de todos
3-    Conhecido por todos

Usos diversos;
Personalidade pública
Entidade pública
Força pública
Celebridade publica
Responsabilidade Pública
Utilidade Pública, etc.
Aquilo que é de todos, que pertence a todos, que é de conhecimento de todos, que extrapola os limites do privado ou do particular.
Público também pode ser notório, revelado, desmascarado. Vexame público, escândalo público. Do conhecimento público. Prejuízo público.

Arte Pública

Arte que é de todos, que pertence a todos e é conhecida por todos, não se mantém adstrita ao particular, que não tem dono, que não se vende e nem se compra. Em qualquer lugar, para todo e qualquer público.
Tudo que é publico pode ser privado? E tudo que é privado? Pode ser transformado em público? Quais os limites entre o publico e o privado?  Qualquer coisa que se faz em espaço fechado pode ser feito em espaço aberto? E o contrario? Há diferença? Quais?
Linguagem pública. Ordem pública. A plateia da arte pública é a mesma da arte privada?

Artista Público

A função do artista- público ou privado. Os limites do artista - público ou privado. O que pode e deve ser dito ou feito em público, e o que é do âmbito privado.
Qualquer artista que atua no espaço público é um artista público? Basta mudar a geografia? Ou o lugar da apresentação?  Que diferença faz se apresentar em um espaço público? E no espaço privado?
Em que mundo você interfere quando atua no espaço público? E no espaço privado? Qual a responsabilidade do artista no espaço público? E no privado? O afeto público e o privado. O que é de todos e o que é apenas para alguns.

Paredes

Falar para alguns. Quais os limites? Falar para todos ao mesmo tempo em espaços públicos.   Quais os limites?
O que vaza no espaço público? E para onde vaza? No espaço privado. Vaza?   Quais são as paredes que contem e limitam o espaço privado? E o espaço público, tem paredes?  Quais são? Qual é a arquitetura possível de um espetáculo em praça pública? Qual a arquitetura do espaço que contém o espetáculo?

Espaço

Teatro sem arquitetura é espaço público?  Teatro sem arquitetura é espaço teatral? Espaço público sem artista público é local de espetáculo? Quais são os limites de uma intervenção artística em um espaço público?
Qual o alvo de um espetáculo público?  Qual é o alcance público de uma intervenção artística em espaço privado? 
O que se faz entre quatro paredes pode ser feito no espaço aberto? No espaço público?
Quais os assuntos, temas, sentimentos e ações que poderão interessar a todos?  E quais serão os de interesse restrito?
Os valores de classe atuam nos espaços fechados? E nos abertos? Atuam?  O que será representar para uma sociedade sem classes, democrática, onde a estratificação social será eliminada? Ou representar para um grupo social homogêneo cujos valores ideológicos dominantes determinam e controlam suas reações?  Quais são as paredes de um espetáculo público e de que maneira elas repercutem o acontecimento que se dá em seu interior?

Alcance

Atinge a todos da mesma forma? É possível obrigar alguém a ver o que não quer ver, ou ouvir o que não quer ouvir? 
Como se organiza isso no espaço público? Qual o tamanho possível? Arte Pública é espetáculo para milhões? Ou para muitos em muitos lugares, ao alcance do olhar e eventualmente até do tocar?
 Poucos para muitos? Muitos para poucos?  Muitos para muitos?  A questão do alcance. Qual o alcance suportável?  Sustentável?   Uma Praça fechada é espaço público? Qual a diferença entre uma praça e outra?

Futuro
           
A se pensar uma cidade pacificamente ocupada pelas forças desarmadas da população. 
Que tamanho deverão ter estas manifestações? Como pensar e repensar a vida cultural de uma comunidade - Cidade?  Como dividir o produto cultural igualmente produzido por todos, para que todos também a ele tenham acesso?
É possível isso? Desmontar o mercado?
Fazer hortas familiares ou comunitárias. Estabelecer produções orgânicas em pequenas propriedades, com a produção de sementes de qualidade verdadeira.
Em oposição à produção transgênica do latifúndio cultural?
Será possível nadar contra a corrente? Impetuosa. Que nos arrasta por corredeiras tortuosas até o abismo, o mergulho inevitável no precipício da destruição. Será possível responder isso?
Poderia ser a “Arte Pública”, força do minifúndio, a possível resistência a esta aparentemente irresistível decadência?
Levar para a rua o transgênico não será levar a contaminação para todos de uma maneira imprevidente?   O que é a festa?  O encontro? A troca?  A celebração? O que é poder participar sem perder sua individualidade, personalidade?  O individuo massacrado pelo coletivo ou o coletivo perfurado pelo individualismo?
            Qual o Tamanho do espetáculo, como ele age e como atinge ou pode atingir o espectador? 

Linguagem

A questão da linguagem. Uma questão ética. Qual a linguagem do espetáculo público? Da mostra pública? Será a mesma do espaço fechado?  Como falar com o meu semelhante sem ser intermediado pela questão dos valores e da ótica classista do mundo onde vivemos? Como pensar uma linguagem para uma sociedade sem classes?!! Cem anos depois estamos diante das mesmas questões que desafiavam o pensamento e a criatividade dos artistas russos por ocasião de suas revoluções?  Eisenstein/Maiacovsky?

História

A história não acabou! A história acabou? De onde virão as forças capazes de modificar o mundo, criando para ele uma possibilidade de sobrevivência diante do desastre que se anuncia eminente. Onde estão elas?  A história caminha por caminhos inesperados. As ruínas do Megamundo deixarão antever após a derrocada, o novo mundo, a semente que germinou debaixo das gigantescas torres da dominação e do poder.  Os novos bezerros de ouro serão sistematicamente postos abaixo até que não haja mais condições de reconstruí-los. Aí virão os outros, os da coisa pública, e sua produção até então subterrânea poderá florescer e se estabelecer a céu aberto. A Arte Pública não é mega, é mini, muitas e muitas vezes! E poderá repovoar o mundo com as sementes orgânicas de uma nova possibilidade social, germinadas no minifúndio amoroso e solidário, compartilhado como num assentamento.
Será demais pensar assim? Não é isso ou mais ou menos isso o que se pretende? Se não o quê?  Não queremos salvar nada deste mundo que esta aí.

Ou nos salvamos todos, ou todos morreremos à míngua! Não há salvação individual. Não há individuo sem coletivos, assim como não há coletivo sem indivíduos fortes, humanizados. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

sábado, 23 de agosto de 2014

XV Encontro da RBTR

XV Encontro Nacional da Rede Brasileira de Teatro de Rua/ III Ocupa Nise/ IV Congresso da UPAC:
                      Arte Pública e Saúde Pública


01/09/2014 – Segunda Feira:

Celebração Recepção com Tambores e Apresentações

 Abertura. Mesa: Amir Haddad, Vitor Pordeus, Heloisa Helena Costa e Heloisa Buarque de Hollanda: Arte Pública e Saúde Pública.
Edmilson Santini e o Cordel da Arte e Saúde Pública
Mesa de Debate: Lygia Veiga, André Garcia, Richard Riguetti, Licko Turle e Herculano Dias, Lino Rocca e Prof° Francisco Gregório Filho
Diálogo: Por que um evento de arte pública em um lugar de saúde pública?
Ações Expressivas
Hora: 17h




02/09/2014 – Terça feira:
Espaço Público, Lei 5429
Sede Pública
Mesa: Vereador Reimont e convidados.
Diálogo: Ocupação das Cidades pelas Forças Desarmadas da População.
Hora: 10h



03/09/2014 – Quarta Feira:
Arte Pública na Praça.
Praça Rio Grande do Norte no Engenho de Dentro.
HOMO LUDENS
Manifestações variadas: cortejos, mistérios e novidades
Hora: 10h





04/09/2014 – Quinta Feira:
Re-Flexão
Mesa: Carnavalesco Milton Cunha, Humberto, Romualdo, Junio Santos e Ray Lima e convidados
Diálogo: Carnavalização
Canto, Dança, Teatro e Liberdade
Oficinão Dionisíaco
Hora: 10h

05/09/2014 – Sexta feira:
Cinelândia – Partilhamento do Espaço
“Botando as Manguinhas de Fora.”
Onde a liberdade é uma obrigação.
Hora: 14h

06/09/2014 – Sábado:
Espaços Internos.
Mesa: Marcelo e Adriano (Pombas Urbanas), Carlos Meijueiro (Norte Comum), Cesário Chandi (Baixada Fluminense) e convidados.
Diálogo: Assentamento, Espaços de Formação e Fomento.
Hora: 10H
Documentário: Hotel da Loucura Gênese
 Dir: Mariana Campos e Raquel Beatriz,
Prod: Luiz Antônio Pilar. 
Exibição: Espaço Cinema Nosso, Rua do Rezende, 80, Lapa
19h

07/09/2014 – Domingo:
Agendas
Encerramento do Evento no Local.
Dialogo com José Pacheco, criador da Escola da Ponte, Vila das Aves, em Portugal.
No Brasil trabalha no Projeto Âncora em Cotia/SP e inúmeros projetos educacionais e inclusive o Ocupa Nise.
Festa Popular!

 Hora: 14h