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sábado, 12 de setembro de 2009

São Paulo e suas áreas verdes como locais de trocas simbólicas*

Por Adailtom Alves – historiador e ator 

São Paulo é um poço de contradições. Na maior cidade da América do Sul e a mais rica do Brasil residem onze milhões de habitantes, mas em suas entranhas abundam a miséria e o descaso com a maioria da população por parte de seus governantes. Quanto ao aspecto cultural, são dezenas de salas de espetáculos, museus, cinemas etc., a quase totalidade concentrada em uma pequena área, como coloca Milton Santos em seu livro O Espaço do Cidadão: apenas 14% do território (centro e centro expandido), onde habitariam 20% da população. Os dados podem estar desatualizados, mas servem para se ter uma ideia dessa concentração.

São Paulo, em sua Lei Orgânica, determina nos artigos 148 e 191 o acesso aos bens culturais, privilegiando, na Lei, a descentralização. Conforme dados da própria Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o território paulistano tem cinquenta e três parques, além de centenas de praças, que se utilizados e dotados também como equipamentos culturais, poderiam favorecer o acesso aos bens culturais a milhões de pessoas. Em uma cidade onde as indústrias do medo e da publicidade tentam nos mostrar que o melhor lugar para estarmos são os espaços fechados, é necessário um enfrentamento, que só pode ocorrer no espaço aberto: ruas, praças e parques.

O mundo contemporâneo ou supermodernidade, como chamou Marc Augé, sofre do “excesso de tempo, de espaço (encolhimento do planeta) e de ego (individualidade exacerbada)”. Ainda segundo o antropólogo francês, a modernidade fez com que o homem se diluísse na metrópole, levando-nos a este excesso na atualidade, na supermodernidade. Hoje, cada vez mais nos relacionamos apenas nos não-lugares, como os shoppings centers, por exemplo. Augé afirma que “se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá um não-lugar” (2008, p. 73).

Os espaços criados para serem ambientes que propiciem a convivência, como as praças e parques, estão perdendo esse sentido, graças a ilusão de que estamos mais seguros nos espaços fechados, no não-lugar, onde somos meros usuários. O “não-lugar não cria nem identidade singular nem relação, mas sim solidão e similitude” (AUGÉ, 2008, p. 95). É preciso fortalecer e recuperar o lugar, justamente para possibilitarmos a alteridade, o reconhecimento de si na presença do outro.

Um projeto como Teatro nos Parques, possibilita não só o acesso ao teatro, liga, através dos espetáculos, “a realidade à imaginação” (FISCHER, 1973, p. 123) e permite que cidadãos comuns re-encontrem o prazer de conviver com o outro no espaço público aberto, sem medos, posto reconhecer na diferença de quem está a seu lado a igualdade de ser humano. A arte precisa está no seio popular, junto da maioria, pois “uma arte que porventura ignore as necessidades das massas e se sinta glorificada de ser entendida apenas por uns poucos apreciadores selecionados é uma arte que abre caminho para o rebutalho produzido pela indústria do entretenimento” (FISCHER, 1973, p. 118).


Os artistas não estão fora da sociedade e devem pensar e discutir a mesma com sua arte, por isso devem estar em locais públicos, fortalecendo os lugares, antes que tenhamos apenas não-lugares. O teatro de rua cria fendas no espaço público aberto, faz de um local de passagem um espaço de trocas simbólicas e o do passante um espectador. Dessa forma, é uma arte que pode fortalecer os laços identitários do cidadão com sua cidade, pois a partir desse encontro o transeunte lança novos olhares sobre a paisagem. O teatro de rua, portanto, fortalece o lugar, o espaço do encontro, além de propiciar o lazer e a reflexão. Em tempos de medo, de isolamento, da falta de afetividade, é preciso ocupar o espaço público aberto com arte para percebermos que há relações para além do mercado.


Bibliografia 
AUGÉ, Marc. Não-Lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Trad.: Maria Lúcia Pereira. 7ª ed. Campinas: Papirus, 2008.
FISCHER, Ernst. A Necessidade da Arte. Trad.: Leandro Konder. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.
SANTOS, Milton. O Espaço do Cidadão. 5ª ed. São Paulo: Studio Nobel, 2000.


*Publicado originalmente no Jornal Teatro nos Parques em 05 de setembro de 2009, p. 4.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A rua e os espaços abertos

Há diferença entre rua e espaço aberto, embora evidentemente a rua seja um espaço aberto. O teatro é uma arte pública; não nasceu necessariamente na rua, mas é uma arte de espaços abertos. Levar o Teatro para as ruas significa devolvê-lo a seu lugar de origem recuperando sua natureza de atividade pública que se realiza nos espaços abertos das cidades. Centro e Periferia. Recupera o conceito mesmo de espaços públicos para o encontro da população. Assim a idéia de espaço público fica muito maior do que a idéia de rua, conforme a concebemos hoje nas cidades modernas. Quando vamos às ruas para fazer algum trabalho, por menor que ele seja, sabemos muito bem que estamos retrocedendo na historia para avançarmos em direção a um novo tempo e a uma maneira muito nova, embora evidentemente muito antiga, de ocupação dos espaços públicos urbanos e de diálogo com seus cidadãos, sem nenhuma espécie de discriminação, a começar pelo custo do ingresso, absolutamente inexistente dada a natureza publica do evento. Pensamos uma outra cidade e portanto um outro futuro. Mas encontramos grandes dificuldades para implantação destas pequenas Utopias. As políticas públicas oficiais são extremamente privatizadoras e excludentes, e as praças e ruas cada vez mais perdem suas características de lugares públicos para o convívio urbano indiscriminado e se transformam em espaços fechados onde o cidadão não encontra abrigo. Desde sempre as manifestações de vida têm sido confundidas com desordem. O que mobiliza imediatamente uma reação contraria, a favor da ordem. Nesta “reação” as cidades e suas ruas vão sendo limpas e saneadas e neste “arrastão” da ordem vai de entulhada tudo o que as ruas ou as cidades poderiam estar produzindo de novo ou surpreendente. Sonho com uma cidade luminosa onde a criatividade humana possa se manifestar livremente sem estar submetida aos controles ideológicos, artísticos, morais e administrativos a que hoje estas manifestações estão sujeitas. Santa Catarina tirou os malabaristas dos sinais luminosos, o Ademir Leão, que toca Sax nas ruas do Rio foi proibido de tocar, voltou por exigência popular. Por força de meu oficio foi grande meu contato com o “povo de rua”, de toda espécie. Como diria Galileu Galilei, não foi pouco o que eu aprendi com esta gente. Porém, pelo andar da carruagem não será esta a cidade que iremos desenvolver, e sim outra “perfeitamente” asseada e saneada onde qualquer homem branco dominante possa andar sem perigo de ser ameaçado. Conseguiremos esta “perfeição” étnica, política, racial, como queria Hitler? Se tivéssemos tantos artistas nas ruas como temos desempregados, marginais e policia nossa cidade seria melhor. Ou será que achamos que vivemos no melhor dos mundos e que basta limpá-lo para mantê-lo em “ordem”?
 Amir Haddad 18/08/09

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

CARTA ABERTA AO VENTO SUL - Contribuições da Rede Brasileira de Teatro de Rua ao Festival FLORIPA TEATRO-2009

Foto do Encontro da Rede Sul de Teatro de Rua Estimada equipe da coordenação do Floripa Teatro - 16º Festival Isnard Azevedo e demais integrantes da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes. A Rede Brasileira de Teatro de Rua pretende através desta, além de ressaltar o fomento que o festival promoveu ao teatro de rua de forma mais direta - tanto que proporcionou o 2º Encontro regional da Rede - objetivar contribuições para melhorias e adequações mais específicas na estrutura, na recepção e produção do evento para os artistas e seus espetáculos de teatro de rua.
Desde os tempos dos Gregos o teatro prima por um contato mais direto e necessário com a platéia, para isto sempre esteve, nos mais de dois mil e quinhentos anos da história do teatro ocidental, presente nas ruas e espaços abertos da Polis. Nos dias de hoje no Brasil, há um número inestimável de grupos que se voltam para o espetáculo a céu aberto, cercado por um público movediço e transeunte, ávido por arte, que forma rodas propícias a nossa prática teatral. Esta formação de roda proporciona uma empatia não só do espectador com o espetáculo, mas sobretudo da relação entre os seres humanos - ator e público.
Vivemos num país livre e democrático e não há melhor lugar do que estar nas praças, ruas e parques para exercitar a democracia da arte do teatro. A essência mais pura e verdadeira do nosso trabalho, do contato humano, que assim se efetiva. O Brasil possui uma diversidade gigantesca de estilos, costumes, tradições e também de climas. Nos Estados do Sul há um clima úmido e chuvoso por esta época, o que torna por vezes difícil a prática do teatro de rua.
A organização do Floripa Teatro - 16º Festival Isnard Azevedo em suas últimas edições atenta a este clima, providenciou tendas de lona plástica branca para os locais de apresentações do teatro de rua, descentralizados e na região central na Alfândega. Nas tendas totalmente fechadas havendo apenas uma possibilidade de entrada e saída, havia arquibancadas e um tablado baixo, todos forrados com material semelhante a carpete, uma estrutura/gaiola de iluminação de quatro torres largas interligadas, tenda pequena como camarim, dois banheiros ecológicos e equipamento de som, além de segurança e uma pessoa da produção do evento. No entanto, gostaríamos de dizer que não era necessário nestas tendas tal aparato técnico. Poderiam ter quatro grandes refletores set light, sem filtro colorido, nos quatro cantos da estrutura da tenda, dando assim uma luminosidade mais homogênea na área total da atividade, suficiente para a visualização do que foi pensado para o espetáculo sobre a luminosidade do dia, além de permitir que atores e público se vejam, fundamental para o teatro de rua! Como choveu só alguns dias, poderia não ter o pano de roda (lonas dos quatro lados) que atrapalham a visibilidade dos transeuntes, esquenta muito e impede uma melhor ventilação e entrada de luz natural. As arquibancadas se forem uma condição do Festival que não abre mão, poderiam ser posicionadas de uma forma circular ou uma arena semicircular, pois assim teríamos melhor visualização por parte do público sem a necessidade da permanência de torção do pescoço durante todo espetáculo. Mas repetimos, melhor sem arquibancada, pois permite uma relação mais horizontal. Muitos grupos utilizam o público como camarim, como marcação de entradas e saídas de cenas, produzindo uma grande interação entre ambos e isso se perde com arquibancadas. A lona deveria ser uma opção apenas em caso de chuva, já que os espetáculos foram criados para o espaço aberto, valorizando ainda mais esta modalidade teatral bem como a cidade, espaço e cenário dessas representações.
Sabemos da atenção da organização em propiciar ao público melhores condições de apreciação estética dos espetáculos de rua, mas quando se coloca uma armação de iluminação baixa, pois com tantos refletores (em torno de 40) e próximos demais do elenco em alguns locais, ofuscaram os olhos dos atores, bem como prejudicaram na estética dos espetáculos. O ideal é a organização do evento permitir a autonomia dos grupos e artistas de Teatro de Rua de só utilizarem a infra estrutura necessária para o desenvolvimento dos seus espetáculos. Com base na diversidade de montagens nacionais de teatro de rua, afirmamos que somente o grupo sabe o que é melhor para sua apresentação e não alguém de forma autoritária da comissão organizadora. Os grupos selecionados enviaram seus vídeos e uma lista de necessidades, então não precisariam ficar se justificando durante o Festival e nem se submeter ao desrespeito que alguns passaram.
Gostaríamos de ressaltar também, que muitos grupos não possuem grande estruturas para apresentar e exigem uma organização básica do evento: transporte, água e alguém da produção do festival, preparada para suprir as necessidades e contratempos que por conseqüência venham surgir. O que em certos momentos não se efetivou no Floripa Teatro. Um festival com a dimensão desta edição não pode de forma alguma pecar na profissionalização de sua equipe de técnicos, produtores dos locais e transportes.
O festival proporcionou além das apresentações, também oficinas, debates e trocas efetivas dos grupos de teatro de rua com as comunidades onde estavam inseridos. Mostrando o interesse da organização em promover capacitação, qualificação e reciclagem de artistas e não artistas interessados. Porém faltou uma grade de horários das apresentações que permitisse aos grupos se assistirem. Todos apresentavam às 15h e 20h engessando uma troca maior. Havia grupos de localidades diferentes e sempre que assistimos uns aos outros acontece uma troca efetiva, com sugestões e críticas construtivas vitais para os grupos de teatro.
Frisamos que não se trata de algo pessoal de um ou outro grupo, mas a voz de um coletivo nacional de teatro de rua. Queremos contribuir com a experiência dos grupos da Rede, onde há grupos com 10, 15, 20 e mais de 30 anos de estrada e sabem do que estão falando. Durante a presente década temos relatos de vários anos onde grupos tiveram dificuldades com as estruturas deste festival. Entendemos que sem parte deste material locado e que custa uma boa verba, poderia o Festival direcioná-las para o aumento dos cachês dos grupos de rua e ampliar o número de espetáculos de rua, pois há demandas de mais locais na ilha mágica de Florianópolis.
Para finalizar, como síntese do que explanamos sobre as tendas e a outra carta já encaminhada em repudio a portaria que proíbe os artistas nos faróis, citamos parte de recente artigo de Amir Haddad, um dos pilares do teatro de rua brasileiro integrante do Grupo Tá na rua, publicado no Jornal do Brasil. "As políticas públicas oficiais são extremamente privatizadoras e excludentes, e as praças e ruas cada vez mais perdem suas características de lugares públicos para o convívio urbano indiscriminado e se transformam em espaços fechados onde o cidadão não encontra abrigo. (...) Se tivéssemos tantos artistas nas ruas como temos desempregados, marginais e policia nossa cidade seria melhor. Ou será que achamos que vivemos no melhor dos mundos e que basta limpá-lo para mantê-lo em “ordem”?". Evoé!! Cordiais saudações; Rede Brasileira de Teatro de Rua Assinam também este documento: Rede Estadual de Teatro de Rua – RJ Movimento de Teatro de Rua – BA Movimento de Teatro de Rua de São Paulo - MTR/SP Rede de Teatro de Rua do Ceará Federação de Teatro do Acre - FETAC Alice Viveiros de Castro - diretora e Conselheira do Conselho Nacional de Política Cultural A Cia Elenco de Ouro (Curitiba/PR) Abel Saavedra (Seres de Luz Teatro, SP) ABRACIRCO - CAMILO TORRES - VICE-PRESIDENTE. Academia Mineira de Ilusionismo- AMI - Mágico YAGO Adailton Alves - Ator Ailton Amaral - RJ Alaor de Carvalho Alessandra Carvalho (RS) Alex Machado - RJ Alex Marinho - SP Ana Paula Casares (RJ) Ananda Rasuck (Companhia Circo Teatro Capixaba/Vitória/ES) André Garcia Alvez - RJ André Luis Soares - RJ Andréa Cevidanes – RJ Ane Oliva (GRUPO JOANA GAJURU, Maceio/AL) Anelise Camargo Garcia (RS) Anna Fuão - Usina do Trabalho do Ator (Porto Alegre/RS) Arte da Comédia - PR Barracão Teatro (Campinas/SP) Beatriz e Leandro Calado – Campos do Jordão Benedicto Camillo ( Ouro Preto - MG) Brava Companhia - SP Buraco D’Oráculo - SP Caio Martinez – SP CEFAC – Centro de Formação Profissional em Artes Circenses CENTRO SÓCIO-CULTURAL DE PROMOÇÃO À CIDADANIA – CARCARÁ (PE) CERVANTES do Brasil Chico Pelúcio (Belo Horizonte/MG) Cia Anjos Voadores Cia Brava Cia Circular – RJ Cia de Capadócia - SP Cia Circunstância Circo Teatro Cia de Teatro Nu Escuro - Goiânia/GO Cia de Teatro-Circo Lua Crescente (João Pessoa/PB) Cia dos Inventivos de São Paulo Cia Entropia de Patifaria - MG Cia Mimicalado – Campos do Jordão Cia Teatro Porão - RJ Cia. Crônica de Teatro (Contagem/MG) Cia. de Espetáculos Vérité (Cariacica/ES) Cia. d'os melodramáticos – RJ Cia. Teatro di Stravaganza (Porto Alegre /RS) Cícero Silva - MG Circo Dux -RJ Circo da Silva Circo do Mato de Campo Grande-MS Circo Mínimo –SP Circo Navegador - SP Circo Teatro Girassol (POA/RS) Circo Trapézio da Família Cericola (RJ) CLAC Centro Londrinense de Arte Circense Clayton mariano Cleber Braga (Curitiba/PR) Coletivo Nopok do Rio de Janeiro Como Lá em Casa - MTR/SP Companhia 2 Banquinhos - RJ Companhia Circo Teatro Capixaba (Vitória/ES) Companhia do Miolo/SP Cooperativa de Circenses da Bahia Cooperativa Paulista de Circo – Diretoria Crescer e Viver - RJ Cristiano Pena – MG Cristino Abel Saavedra - SP Dalisa Campos (Vila Velha/ES) Dayana Zdebsky de Cordova (Curitiba) Diego Elias Baffi Diego Esteves (Porto Alegre - RS) Diogo Dias Dilmar Messias (Circo Teatro Girassol,POA/RS) Domingos Montagner SP Duico Vasconcelos Edilson Bispo (Ator,Diretor,Musico e pesquisador do Teatro de Rua, Salvador – Bahia) Edmilson Santini - RJ Edson de Mello (Dimello) Edson Paulo – Ator (Buraco d´Oráculo, SP) Elenco de Ouro (Curitiba) Elsa Wolf EncantaConto - Contadores de Histórias (Vila Velha/ES) Erika e Dodô – RJ Ermínia Silva - SP ERRO Grupo (Florianópolis/SC) Esio Magalhães (Campinas/SP) Estandarte Cia. de Teatro ( Ouro Preto-MG) Evandro Heringer Fabricio Dorneles -RJ FarsaCena Cia Teatral/RJ Fernando Marques – ES Fernando Sampaio - SP Flávio Rodrigues – SP Francisco Gaspar (nucleo pavanelli de teatro de rua e circo/SP) Galpão do Circo (Escola de Circo de São Paulo - SP) Gian Carlos Magno – RS Gilvan Balbino - RJ Grupo Arteatro – Paraty / Mangaratiba Grupo Cutucurim - Angra dos Reis - RJ Grupo de Teatro Rerigtiba (Anchieta/ES) Grupo de Teatro/Circo DE PERNAS PRO AR – Canoas-RS Grupo do Balaio - Circo Intervenção Circo do Balaio Grupo experimental de teatro vivarte Grupo Galpão (Belo Horizonte/MG) Grupo Garajal (Maracanaú Ce) GRUPO JOANA GAJURU (Maceio/AL) Grupo LaMínima de Circo e Teatro de SP Grupo Off-Sina - RJ Grupo Pé no Chão (RJ) Grupo Primeiro de Maio - Salvador-Bahia Grupo Quebracabeça – RO Grupo Raízes do Porto (Porto Velho/RO) Grupo Sítio do Jeca – SP Grupo Tá na Rua (RJ) GRUPO TEATRAL CACHOLA NO CAIXOTE Grupo Teatral de 4 no Ato - RJ Grupo Teatral Manjericão (RS) Grupo Teatro Andante Grupo Teatro caretas – CE Grupo Teatro de Caretas - Fortaleza – CE Grupo Teatro Kabana (Sabará/MG) Grupo Timbre de Galo de Passo Fundo, RS Grupo Z de Teatro – ES GTA-GRUPO DE TEATRO ATUAL Gustavo Pacheco( Ouro Preto - MG) Gustavo Vierini - Mágico - RJ Guto Pasini - RS Gyselle Andrade Freitas Hélio Froes – GO Horácio Storani HUhuhu circo teatro – Maranhão IFÁ-RHADHÁ DE ART' NEGRA - OLINDA – PE IntrépidaTrupe - RJ Iracema Pires -RS Jessé Duarte (Cia. Crônica de Teatro, Contagem/MG) Joana Gajuru, Maceio-AL João Carlos Artigos – RJ João Novaes – RJ João Pinheiro - MG Josy Dantas (Icapuí-CE) Juliana Coutinho Júnio Santos (Icapuí-CE) Junior Perim- RJ Jussara Trindade, do Núcleo de Pesquisadores de Teatro de Rua – RJ Leandro Hoehne - artista Leo Carnevale - RJ Leonardo Silva - Produtor Cultural Licko Turle – RJ Lilian Moraes -RJ Liliana Marcela Curcio – SP Lily Curcio (Seres de Luz Teatro, SP) Lis Nobre – Grécia Los Patos/SP Lu Coelho – Atriz (Buraco d´Oráculo, SP) Luanda Morena -RJ Lucas Moreira - RJ Luciano Antinarelli Luciano Wieser Luiz Carlos Buruca - RJ Mágico Yago (Academia Mineira de Ilusionismo- AMI, MG) Majestade o Circo (Alagoas) Marcelino Ramos (Ouro Preto - MG) Márcio Silveira dos Santos (RS) Marcondes Mesqueu Marcos Pavanelli (SP) Mari Morango Mariozinho Telles (RJ) Marta Haas (Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, Porto Alegre / RS) Mauro Xavier – MG Michelle Cabral - Cia. Chegança - São Luís/MA Michelle França Milene Acosta - Artista circense, atriz - RJ Miguel Safe Movimento Escambo Movimento Livre Leste - união de 11 grupos de circo, teatro, dança, música, performance e outras artes NACE - Núcleo transdiscilinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares - Maceió – Alagoas Naiala Rasuck Rodrigues (Companhia Circo Teatro Capixaba/Vitória/ES) Nara Salles (AL) Netty Palácios Núcleo Boa Praça - RJ Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo (São Paulo/SP) O Circo e Teatro de Rua Os Mamatchas, de Presidente Prudente-SP O Teatro Terceira Margem - BH/MG Oigalê – RS Orlando Vaz Carneiro (Palhaço BEM-TE-VI, Campinas – SP) Pâmela Vicenta – RJ Paula Preiss Paulo Santana - MG Pedro Bennaton (Florianópolis/SC) Pedro Vinicius (Icapuí-CE) Povo da Rua Raquel Durigon Raquel Franco Tapete Criações Cênicas - MCTR-MA Reinaldo Facchini – SP Renata Lemes Ricardo Fruque -SP Richard Riguetti (RJ) Robson Mol - AL ROBSON SANCHES Rodrigo Matheus - SP Rogerio Sette Camara Rosa dos Ventos - SP Rosa Rasuck (Vitória/ES) Samir Jaime (RS) Samuel Rasuck (Companhia Circo Teatro Capixaba/Vitória/ES) Selma Pavanelli – Atriz Seres de Luz Teatro –SP Silvana Abreu- atriz, diretora e produtora teatral - São Paulo/SP Simone Pavanelli (SP) Spasso Escola Popular de Circo - BH- MG Sua Majestade o Circo – Alagoas Suely Rodrigues - RO tablado de arruar – SP Tapete Criações Cênicas – MA Teatro de Anônimo – RJ Teatro de Cordel - RJ Teatro de Roda - RJ Teatro em Trâmite Teatro Itinerante – RJ Teatro Ruante Telma Amaral (Grupo de Teatro Rerigtiba, Anchieta/ES) Thiago Salles – Campinas – SP Tiche Vianna (Campinas/SP) Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (Porto Alegre / RS) Troup Trama Circus - MG Trupe Estação do Circo (São Carlos - SP). Trupe Arlequin de Circo Teatro - PB TRUPE ARLEQUIN DE CIRCO TEATRO - PB Trupe Artemanha de investigação urbana (SP) Trupe Estação do Circo (São Carlos/SP) Trupe Olho da Rua – SP TRUPE POPULAR PARRUA Trupeniquim - Cia de Circo Tuca Cericola (RJ) UBCI - UNIÃO BRASILEIRA DE CIRCOS ITINERANTES - Wladimir Spernega – Presidente UTA - Usina do Trabalho do Ator (Porto Alegre/RS) Vanda Jacques – RJ VANDERLEI MIRANDA - PALHAÇO ORELHA Vanessa Galvao – RJ Vanéssia Gomes – CE Verônica Tamaoki -SP Vinicius Longo - RJ Willams Aris (Cia Anjos Voadores) Willian Rodrigues (Companhia Circo Teatro Capixaba/Vitória/ES) Willian Santana - PE Wladimir Spernega – Presidente UBCI Xisto Siman – MG (total = 251)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A culpa é do vento sul

Por Jussara Trindade - doutoranda UNIRIO

O primeiro espetáculo que assisti, durante o 16º Floripa Teatro, foi Boleba: vai pra rua, menino! do grupo carioca Te Conto Umas. No dia anterior, o céu era “de brigadeiro”: nenhuma nuvem no horizonte. Lembro de ter perguntado a um dos motoristas da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes – entidade promotora do evento - se algum dos espetáculos seria apresentado na rua, pois a programação oficial mostrava apenas espaços fechados e lonas montadas em diversos pontos da cidade. Atencioso, o funcionário disse ser muito arriscado organizar um evento “a céu aberto” nessa época do ano, pois se chegasse um vento sul, “não havia cenário que ficasse em pé”, explicou. Mas, como nesse momento o céu estava perfeitamente limpo e sem o menor indício de chuva, aquela parecia ser uma medida preventiva bastante exagerada.

Ironicamente, durante a madrugada o tempo começou a mudar, com a chegada repentina de um vento frio que trouxe nuvens cinzentas, anunciando chuva na cidade. Foi uma daquelas segundas-feiras que a gente deseja ficar em casa, lendo ou vendo televisão... mas a Lona do Campeche (onde seria realizado o espetáculo e uma oficina) não era tão longe do hotel onde estávamos todos hospedados, e eu contava com a especialíssima carona da companheira Ana Rosa Tezza, que viajara de carro desde Curitiba e estava, agora, cumprindo também a sua missão pelo Núcleo de Pesquisadores de Teatro de Rua. Durante a apresentação de Boleba..., por volta das 15h, o clima foi-se alterando drasticamente; o vento fazia as lonas laterais baterem continuamente e a chuva, que iniciara fina, agora engrossava cada vez mais. Ao final do espetáculo, os atores demonstraram suas dúvidas quanto ao comparecimento dos quatorze inscritos em sua oficina, denominada “O encontro da narrativa com a música”. Felizmente, a oficina foi realizada com sucesso, apesar do mau tempo e do frio crescente. Soube, então, que era esse o tal “vento sul”! No final, quando o público da segunda apresentação do dia (às 20h) já começava a adentrar a Lona do Campeche, percebi que toda a área em frente ao espaço cênico estava alagada, obrigando os técnicos de apoio a trocarem as cadeiras de lugar. Nesse momento, pareceu-me que aquela medida protetora não era tão exagerada quanto me parecera no início...

No dia seguinte, fui ao centro da cidade onde seria apresentada A farsa do bom enganador, pelo grupo paulista Buraco D’Oráculo. A lona, montada no Largo da Alfândega, contava com uma infra-estrutura muito maior que a do Campeche. Aí percebi, com mais clareza, que o excesso de zelo realmente pode descaracterizar um espetáculo de rua; o que se via ali não era apenas um abrigo sobre as cabeças dos atores e do público, mas a necessidade de todo um aparato de “segurança” (para proteger os equipamentos de iluminação, refletores, caixas de som etc que poderiam sofrer sérios danos com a chuva) e “conforto” (havia um camarim para os atores) que me pareceu realmente estranho, tanto ao contexto do teatro de rua, quanto às propostas éticas e estéticas daquele coletivo teatral que, tenho certeza, não se ajustam a tais exigências e que são, contudo, frequentes num teatro de tipo mais convencional. A platéia, organizada frontal e lateralmente, impunha limites retilíneos para a roda que o Buraco criara originalmente para o seu espetáculo, além de estabelecer uma distância indesejável entre atores e público. Enfim, aquilo que poderia ser apenas uma opção, em função da necessidade momentânea de abrigo em caso de mau tempo, transformou-se numa camisa-de-força ideológica que poderia até imobilizar o espetáculo, por subtrair dele justamente o seu elemento mais essencial e imprevisível – a rua! Felizmente, a competência e generosidade dos atores compensaram esses equívocos.

Depois dessa experiência, tenho a certeza de que ainda temos muito a elucidar sobre a nossa arte: esclarecer diferenças, superar distorções, explicar especificidades; um trabalho que vai além dos desafios da arte propriamente dita e alcança uma função, digamos, des-educativa. Quem, além dos próprios rueiros, poderá ensinar à nossa sociedade, preventiva e organizacional, que é justamente no risco, no imprevisto e na imperfeição, que reside o maior mistério? Sábios eram os arquitetos japoneses da Antiguidade que, diante da possibilidade constante de terremotos, aprenderam a construir suas casas com bambu, papel de seda e de arroz. Então, que venha o vento sul e leve os cenários embora; a rua permanecerá no lugar, e é isso o que mais importa no teatro de rua!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Considerações sobre a criação para teatro e rua


Na rua, quando fazemos teatro, nós somos a paisagem. Somos a intervenção efêmera na paisagem que, enquanto ocorre, se torna parte desta, provocando paradas, deslocamentos e desvios, daqueles que passam por onde nos colocamos com nosso teatro. Há os que passam reto como talvez passem há anos sem notar o caminho que percorrem ou o que por ventura se interponha nele. Mas aí se tem jeito não foi o nosso.

Ao menos duas coisas me parecem fundamentais para o teatro que fazemos: a primeira delas diz respeito, a meu ver, especificamente ao teatro de rua. Trata-se do posicionamento estratégico do espetáculo de rua em relação ao espaço de forma a valorizar e destacar o mesmo e integrá-lo como parte do significado da obra; a cidade como cenário, diferente da cidade como palco. Esta logística se repete a cada espaço onde o trabalho acontece. O teatro de rua carrega um elemento de permanência e mudança a cada novo local de apresentação. É como um objeto cuja matéria se desintegrasse ao término de cada apresentação e se reintegrasse novamente num outro espaço, ligeiramente modificada pelo tempo que passou entre um momento e outro e pelo novo espaço, cujos elementos o trabalho incorpora. E entre uma manifestação e outra deste teatro, permanece a aura do que ele foi e a que poderá ser num momento seguinte.

Diferentemente de um quadro que uma vez pintado pode atravessar séculos de museu em museu ou de mão em mão, o espetáculo de teatro se esvai ao final de cada apresentação, podendo se reconstituir, guardadas as devidas proporções, quando novamente encenado pelos mesmos atores que detém o poder de conhecê-lo, portanto o refazem a cada nova apresentação. O segundo item fundamental diz respeito exatamente ao ator, esta figura forte e frágil ao mesmo tempo, que raro prescinde da figura do diretor para confortá-lo ao dar vida a seu trabalho. Penso ser o ator um ser resiliente em seu processo de criação pois é impactado pela personalidade e vida das personagens as quais interpreta; o ator toma distancia de si e ao mesmo tempo que se empresta e se mistura a estas personagens durante o processo de criação e a cada nova representação do espetáculo para ao final de cada jornada tornar a si íntegro e ao mesmo tempo modificado e não raro fortalecido por este processo. Ele aprende não só com as personagens as quais interpreta, mas aprende consigo e aprende de si, das suas emoções a cada micro partícula de seu ser, trazidas a luz. Ao mergulhar para dentro de si em busca da personagem o ator se encontra e estar diante de si e de suas emoções. É um processo dolorido em que a alma e a consciência de si expandem.

É parte do papel do diretor: amparar o ator neste processo de criação, estar atento a detalhes fundamentais como sua voz e a corporeidade em relação ao trabalho que o mesmo desenvolve. Neste sentido dirigir-se num espetáculo é um risco que poucos dão conta de forma satisfatória, mas é possível se pensarmos no fenômeno da resiliência. Domingos Oliveira disse em certa ocasião que consegue se imaginar fazendo o trabalho, contracenando com seus colegas e, portanto, age como se observasse a si mesmo e consegue se dirigir. É possível. Outros também o fizeram e fazem. Eu particularmente prefiro o diretor que, como um maestro, rege a orquestra onde atores tocam com seus corpos a partitura do espetáculo. Um maestro em quem se confie e se possa entregar num processo de criação teatral que por mais brando que seja pra um ator que está ciente de seu ofício é sempre dolorido, às vezes alegremente dolorido, mas dolorido ainda assim. Pois que são sempre preciosidades de sua alma e de outros, de quem o ator toma emprestado, identificando e juntando pequenos cacos, sutilezas a formar a alma das personagens. Visto assim, o diretor é o único desta relação diretor x ator que vê, (quando também não está como ator no processo), a obra acabada, o quadro pintado, se assim podemos dizer.

A responsabilidade do diretor é grande neste processo criativo, pois além da concepção do espetáculo que pode ser discutido com os atores e demais membros da equipe, mas, em última instância é dele, carrega a responsabilidade de estimular e amparar o ator em seu processo criativo. Na rua esta responsabilidade aumenta porque, ainda que para quem faça teatro nesses locais o sinta um pouco como a nossa casa, há sempre o imponderável a ser considerado dentro do trabalho e da segurança do todo e de todos.

Eu penso a rua não como palco, mas como paisagem. Estar na rua não é estar no palco, é estar na paisagem, é ser a paisagem, é se mimetizar a paisagem aos olhos dos que estão de fora da cena. A cidade nos acolhe para dentro de si enquanto compomos com ela o nosso teatro. Estamos na paisagem e a paisagem está em nós enquanto atuamos, somos parte do que se vê, somos a paisagem que vê.

  Por Noemia Scaravelli Como lá em Casa – MTR/SP Socióloga/ atriz e diretora teatral

domingo, 23 de agosto de 2009

Carta de Florianópolis

Os articuladores da REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA reunidos em Florianópolis, no dia 19 de agosto de 2009, dentro da programação do Floripa Teatro – Festival Isnard de Azevedo, no evento intitulado “II Encontro de Teatro de Rua da Região Sul, com a presença de 25 articuladores dos Estados de SP, RJ, SC, PR e RS, manifestam-se contra a Portaria da atual gestão da Prefeitura da cidade de Florianópolis que proíbe a atividade de artistas-trabalhadores no espaço público aberto da referida cidade. A Portaria é arbitrária e fere a Constituinte Brasileira – dos Direitos e Garantias Fundamentais Capítulo I dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos no Paragrafo IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

A Rede Brasileira acredita na livre atividade dos artistas-trabalhadores nos espaços públicos e essa Portaria mostra-se como um perigoso retrocesso no atual quadro democrático que o Brasil já atingiu.

A Rede Brasileira de Teatro de Rua criada em março de 2007, em Salvador/BA, é organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo e está presente em vinte e um Estados, que desde já tomam conhecimento deste fato e assinam abaixo juntamente com outras instituições representativas de Circo e de Teatro espalhadas por todo território nacional.

Rede Brasileira de Teatro de Rua Rede Estadual de Teatro de Rua – RJ
ABRACIRCO - CAMILO TORRES - VICE-PRESIDENTE.
Academia Mineira de Ilusionismo- AMI - Mágico YAGO
Cooperativa Paulista de Circo – Diretoria
Cooperativa de Circenses da Bahia
UBCI - UNIÃO BRASILEIRA DE CIRCOS ITINERANTES - Wladimir Spernega – Presidente
Federação de Teatro do Acre - FETAC
Grupo Off-Sina - RJ
Buraco D’Oráculo - SP
Brava Companhia - SP
Circo Navegador - SP
Grupo Teatral Manjericão - RS
Rosa dos Ventos - SP
Arte da Comédia - PR
Grupo Stravaganza - RS
Cia de Capadócia - SP
Sua Majestade o Circo – Alagoas
Robson Mol - AL
Grupo Raízes do Porto Porto Velho/RO
Suely Rodrigues - RO
Circo Teatro Girassol -POA/RS
Dilmar Messias - RS
Circo Mínimo –SP
CEFAC – Centro de formação Profissional em Artes Circenses Rodrigo Matheus - SP
Galpão do Circo (Escola de Circo de São Paulo - SP)
Alex Marinho - SP
Cia Anjos Voadores
Willams Aris
 Seres de Luz Teatro –SP
Liliana Marcela Curcio e Cristino Abel Saavedra - SP
Troup Trama Circus - MG
Edson de Mello (Dimello)
TRUPE ARLEQUIN DE CIRCO TEATRO - PB
Trupe Estação do Circo (São Carlos - SP).
Ricardo Fruque - SP
Trupeniquim - Cia de Circo
Richard Riguetti - RJ
Lilian Moraes -RJ
Luiz Carlos Buruca - RJ
Crescer e Viver - RJ
Junior Perim- RJ
Ermínia Silva - SP
Mari Morango
Circo Dux -RJ
Fabricio Dorneles -RJ
Lucas Moreira - RJ
Cia Entropia de Patifaria - MG
Cícero Silva - MG
Núcleo Boa Praça - RJ
Companhia 2 Banquinhos - RJ
André Garcia Alvez - RJ
André Luis Soares - RJ
Leo Carnevale - RJ
Luanda Morena -RJ
Vinicius Longo - RJ
Xisto Siman - MG
João Pinheiro - MG
Paulo Santana - MG
Leonardo Silva - Produtor Cultural
Gyselle Andrade Freitas
Grupo LaMínima de Circo e Teatro de SP
Domingos Montagner SP
Fernando Sampaio - SP
Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo, de São Paulo
Marcos Pavanelli - SP
Simone Pavanelli – SP
Barracão Teatro - Campinas
Tiche Vianna -SP
Esio Magalhães -SP
Grupo de Teatro/Circo DE PERNAS PRO AR – Canoas-RS
Raquel Durigon
Luciano Wieser
Duico Vasconcelos
Trupe Estação do Circo (São Carlos - SP)
Ricardo Fruque -SP
Majestade o Circo/Alagoas
Circo Trapézio da Família Cericola – RJ
Tuca Cericola - RJ
Verônica Tamaoki -SP
Grupo Timbre de Galo de Passo Fundo, RS
Guto Pasini - RS
Iracema Pires -RS
GRUPO DE TEATRO RERIGTIBA, de ANCHIETA – ES
Telma Amaral - ES
Grupo Arteatro – Paraty / Mangaratiba
Ailton Amaral - RJ
Companhia Circo Teatro Capixaba – ES
Willian Rodrigues -ES
Ananda Rasuck - ES
Samuel Rasuck - ES
Naiala Rasuck - ES
Diego Elias
Baffi Duico Vasconcelos
Elsa Wolf
Ermínia Silva SP
Netty Palácios
Teatro de Cordel - RJ
Edmilson Santini - RJ
Grupo do Balaio - Circo Intervenção Circo do Balaio
Movimento Livre Leste - união de 11 grupos de circo, teatro, dança, música, performance e outras artes
Leandro Hoehne - artista
Grupo Teatro Caretas – CE
Vanéssia Gomes – CE
NACE - Núcleo transdiscilinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares - Maceió – Alagoas
Nara Salles – AL
Grupo Z de Teatro – ES
Fernando Marques – ES
Jussara Trindade, do Núcleo de Pesquisadores de Teatro de Rua – RJ
Teatro Terceira Margem - BH/MG
Cristiano Pena – MG
A Cia Elenco de Ouro ( Curitiba/PR)
Cleber Braga – PR
Elsa Wolf ERRO Grupo – SC
Pedro Bennaton - SC Oigalê – RS
Gian Carlos Magno – RS
Cia de Teatro Nu Escuro - Goiânia/GO
Hélio Froes – GO
Diego Elias Baffi
Cia. Crônica de Teatro - Contagem/MG
Jesse Duarte – MG
Trupe Olho da Rua – SP
Caio Martinez – SP
Circo e Teatro de Rua Os Mamatchas, de Presidente Prudente-SP
Trupe Artimanha - SP
Grupo Teatral de 4 no Ato - RJ
Gilvan Balbino - RJ
Pâmela Vicenta – RJ
Cia Mimicalado – Campos do Jordão
Beatriz e Leandro Calado – Campos do Jordão
Raquel Franco - MCTR-MA
Tapete Criações Cênicas – MA
Michelle Cabral - Cia. Chegança - São Luís/MA
Cia dos Inventivos de São Paulo
Flávio Rodrigues – SP
Lis Nobre – Grécia
Rogerio Sette Camara
Spasso Escola Popular de Circo - BH- MG
Silvana Abreu- atriz, diretora e produtora teatral - São Paulo/SP
IntrépidaTrupe - RJ
Vanda Jacques – RJ
Grupo Sítio do Jeca – SP
Reinaldo Facchini – SP
Grupo Cutucurim - Angra dos Reis - RJ
João Novaes – RJ
Alaor de Carvalho
Teatro Itinerante – RJ
Encanta Conto Contadores de Histórias
Dalisa Campos
Cia Anjos Voadores
Cia. d'os Melodramáticos – RJ
Vanessa Galvao – RJ
Licko Turle – RJ
Michelle França
Horácio Storani
Cia Circular – RJ
Erika e Dodô – RJ
Teatro de Roda - RJ
Mariozinho Telles – RJ
Grupo Teatro Kabana de Sabará – MG
Mauro Xavier – MG
Thiago Salles – Campinas – SP
Circo Teatro Girassol - POA/RS
Dilmar Messias – RS
Teatro de Anônimo – RJ
João Carlos Artigos – RJ
Como Lá em Casa
MTR/SP
FRANCISCO GASPAR – SP
Cia Teatro Porão - RJ
Andréa Cevidanes – RJ
Coletivo Nopok do Rio de Janeiro
CENTRO SÓCIO-CULTURAL DE PROMOÇÃO À CIDADANIA - CARCARÁ (Pernambuco)
Willian Santana - PE

domingo, 16 de agosto de 2009

O teatro de rua em São Paulo e sua organização política


Por Adailtom Alves Teixeira[1]

Este artigo tem por objetivo abordar a organização política dos fazedores de teatro de rua em São Paulo e da relação dos mesmos com outros movimentos espalhados pelo Brasil.
A década de 90 do século passado foi um momento importante para a afirmação do trabalho em grupo, sendo também um momento de muitas experimentações técnicas e estéticas. Nesse período diversos grupos romperam com a cena à italiana ganhando espaços alternativos, muitos ganharam o espaço aberto e fizeram da rua o seu espaço cênico. Rua aqui tem um sentido amplo: são espaços abertos como ruas, parques, praças, entre outros.

Se o trabalho em grupo afirmou-se como uma oposição ao mercado, o teatro de rua é a face mais crítica dessa oposição, pois ao colocar-se no espaço aberto, numa relação direta com espectador, rompe com o sistema hegemônico vigente. Este rompimento dar-se pela não cobrança de ingressos e pela re-significação do espaço ocupado, tornando-o um local de fruição. A rua deixa de ser um escoadouro de mercadorias e um local de passagem para ser um ambiente de trocas simbólicas entre os homens.

Pelas agruras e pelos problemas enfrentados por aqueles que fazem arte no Brasil, o país torna-se um solo fértil para a organização política, já que a ausência do Estado marginaliza estes trabalhadores, exigindo dos mesmos uma tomada de consciência para que, juntos, possam fazer frente ao descaso. Assim, em São Paulo, ao mesmo tempo em que os grupos de teatro de rua buscavam afirmar-se através de seus trabalhos, houve a necessidade dos mesmos organizarem-se politicamente em um coletivo maior.

Muitos dos jovens grupos de teatro de rua atuavam e atuam ainda hoje na periferia, fazendo com que, naquele momento, fossem desconhecidos fora de sua região de atuação, isso fez com que fossem rejeitados pelo poder público, afinal “não havia teatro de rua em São Paulo.”[2] Desmerecidos por seus trabalhos, os grupos se uniram buscando o mútuo fortalecimento. Primeiro criaram a Ação Cultural Se Essa Rua Fosse Minha, união de sete grupos: Abacirco, Bonecos Urbanos, Buraco d`Oráculo, Circo Navegador, Farândola Troupe, Monocirco e Pavanelli. Cada grupo se propunha a ocupar um bairro da cidade e desenvolver seus projetos, para futuramente estabelecer um circuito de teatro de rua pela mesma. Na prática, era o que alguns já vinham fazendo, mas agora objetivavam dar visibilidade as suas ações. A Ação começou em 2002 e naquele mesmo ano agonizou, mesmo assim tiveram conquistas: mostraram ao poder público que havia uma nova geração de teatro de rua na cidade que merecia ser ouvida.

Todas as ações desses grupos eram amplamente divulgadas pela mídia. A estratégia de levar o debate para a esfera pública cumpria um duplo papel: divulgava seus trabalhos e escreviam um novo capitulo na história do teatro paulistano. Os sete grupos, através de seus trabalhos e da mídia, chamavam a atenção do poder público para a necessidade das políticas públicas de cultura que contemplassem esse seguimento, ao mesmo tempo em que lançavam um novo olhar sobre o espaço público aberto, mostrando que é possível pensá-lo como local de convívio, lazer e fruição do teatro.
No ano seguinte, 2003, um seminário sobre teatro de rua no Barracão Cultural Pavanelli, com a presença de doze grupos, impulsionou a criação do Movimento de Teatro de Rua de São Paulo (MTR/SP). No seminário surgiu a idéia da realização da Overdose de Teatro de Rua, uma grande mostra teatral em tom de manifestação política. Até 2008 já foram realizadas cinco Overdoses. Se no I Seminário de Teatro de Rua eram doze grupos, a I Overdose conseguiu reunir quinze grupos. Era nítida a vontade de troca e a necessidade de estarem juntos. Os artistas passaram a reunir-se continuamente e travaram contatos com outros movimentos mais antigos como o de Pernambuco (MTP-PE), da Bahia (MTR/BA) e o Escambo Livre, presente no Ceará e Rio Grande do Norte. Essa troca influenciou o surgimento da Rede de Teatro de Rua do Rio de Janeiro e do Movimento de Teatro de Rua de Minas Gerais.

Em 2008 foi dado o pontapé inicial para uma organização nacional, a Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR). Os encontros realizados em Salvador, Recife e São Paulo, fez com que surgissem novos movimentos estaduais no Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Maranhão, além da retomada do movimento no Rio Grande do Sul e a discussão da criação de uma Rede Amazônica de Teatro de Rua. Os artistas da RBTR já realizaram cinco encontros nacionais, sendo que o quarto ocorreu em São Paulo e contou com a presença de quase cem artistas, vindos de dezenove estados. O quinto encontro ocorreu nos dias 20 e 21 de abril de 2009 em Arcozelo, Rio de Janeiro e está programado um sexto encontro em outubro desse ano na capital do Acre, Rio Branco.

A RBTR organiza-se de forma horizontal, não há hierarquia, todos os participantes são articuladores e tem como objetivo pensar o nacional e agir no local, daí a importância dos movimentos estaduais, bem como de cada participante. A Rede, através de seus articuladores, está presente em vinte e um estados, discutem permanentemente de forma virtual e reúnem-se presencialmente duas vezes por ano. São nos encontros presenciais que as principais decisões são tomadas e os documentos são escritos.

Mas, por que uma organização de teatro de rua? Afinal, tudo não é teatro? Muitas poderiam ser as respostas, o fato é que a prática tem demonstrado o caráter marginal do teatro de rua, revelando um pensamento e uma forma de produção diferenciada dos espaços fechados, ainda que todos padeçam da ausência de políticas públicas de cultura. E foi justamente a relação diferenciada de produção e o não reconhecimento, inclusive entre seus “pares”, além da negligência do poder público, que levou seus fazedores a se unirem politicamente, tendo como objetivo discutir as especificidades já apontadas e a cobrar do poder público o dever que lhe cabe: fomentar a arte e a cultura. É importante ressaltar que a luta pela diferença, foi e é, na verdade, uma luta por direitos, para igualar-se nas conquistas, para que o teatro de rua seja visto como as demais artes. Os fazedores não querem privilégios, querem igualdade de tratamento, principalmente por parte do Estado. O alerta é importante porque sabemos que
“no campo da direita, a diferença sempre emerge como afirmação do privilégio e portanto como defesa da desigualdade. No campo da esquerda, no campo da cidadania, a diferença emerge enquanto reivindicação precisamente na medida em que ela determina desigualdade. A afirmação da diferença está sempre ligada à reivindicação de que ela possa simplesmente existir como tal, o direito de que ela possa ser vivida sem que isso signifique, sem que tenha como conseqüência, o tratamento desigual, a discriminação. Não fora a desigualdade construída enquanto discriminação à diferença, ela não existiria como reivindicação de direito. Concebido nessa perspectiva, me parece que o direito à diferença, especifica, aprofunda e amplia o direito à igualdade” (DAGNINO, 1994, p. 114).

Foi pela busca da igualdade e de direitos que os fazedores de teatro de rua se uniram e tem se unido pelo Brasil, com o objetivo maior de construir políticas públicas de cultura com investimentos direto do Estado, para que, assim, esta arte chegue a todos os cidadãos de forma indistinta. Cabe ao Estado cumprir o seu papel, já que o teatro de rua não se enquadra – e nem quer – nos mecanismos mercadológicos, pelo contrário, é uma arte que se contrapõe a hegemonia, enquanto organiza o espaço cênico, desorganiza o espaço da rua que, de escoadouro de mercadorias e local de passagem, transforma-se em local de fruição, ao mesmo tempo em que a vida acontece. Assim, é uma arte que organiza enquanto desorganiza.

Bibliografia citada
DAGNINO, Evelina. “Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania.” In: ______. (Org.) Os anos 90: política e sociedade no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1994.

Notas
[1] Historiador, ator, diretor teatral e um dos fundadores do Movimento de Teatro de Rua de São Paulo.
[2] Esta foi mais ou menos o sentido da fala de Celso Frateschi, então diretor do Departamento de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura, aos fazedores de teatro de rua em reunião na Cooperativa Paulista de Teatro em 2001.

Este texto é parte de um artigo publicado originalmente na Revista Camarim nº 43, 1º semestre de 2009, p.50-53. Foi revisto para esta publicação em 16/08/09.