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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Carta da Manifestação de 23 de agosto de 2010 - MG

Pela ocupação artística das praças do Brasil

Desde os tempos dos Gregos, o teatro prima por um contato mais direto e necessário com a platéia. Para isto sempre esteve, nos mais de 2.500 anos da história do teatro ocidental, presente nas ruas e espaços abertos da Polis. Nos dias de hoje no Brasil, há um número inestimável de grupos que se voltam para o espetáculo a céu aberto, cercado por um público movediço e transeunte, ávido por arte, que forma rodas propícias a nossa prática teatral.

O Brasil possui uma diversidade gigantesca de estilos, costumes, tradições, conhecimentos e saberes. Portanto, estes são os elementos constitutivos na nossa Nação. Nem sempre, no entanto, encontramos o respeito às tradições, aos costumes, as culturas, como podemos observar no comprimento do nosso oficio do Teatro de Rua. Temos a nosso favor uma notável capacidade de acolhimento e transformação enriquecedora daquilo que nós e inicialmente alheio. Entretanto, os desequilíbrios entre regiões e as desigualdades sócias – realimentadas por discriminações étnicas, raciais e de gênero – também fazem parte da história do País. 

Hoje um grande desagrado que enfrentamos é a privação do nosso direito à livre expressão artística nas praças. Sabemos que este é um direito garantido na Constituição Brasileira. No Artigo 5º "é livre a expressão da atividade intelectual, artística cientifica e de comunicação, independente de censura ou licença." Mas, no nosso dia-a-dia, decretos e normas taxam o teatro de rua, o artista de rua, na mesma lógica de um grande evento. Vivemos num país livre e democrático e não há melhor lugar do que estar nas praças, ruas e parques para exercitar a democracia da arte do teatro, para trocar afetos e sentidos e para compartilhar a beleza da nossa diversidade cultural.

O Chapéu e a arte de rua

O teatro e os artistas que fazem arte de rua têm seu reconhecimento em projetos governamentais, empresas que investem em cultura. Com esse reconhecimento é comum que o teatro de rua seja recebido por instituições que antes davam mais atenção ao teatro de palco.

O teatro de rua, entretanto, tem uma importante tradição com seu público que é o "passar o chapéu" ao final da apresentação. Esta prática tradicional, cuja documentação histórica remonta ao período medieval, tem sido proibida, coibida ou evitada em alguns desses novos locais de apresentação.
O artista de rua não depende apenas dos projetos e das instituições que os contratam, mas sim da população que é o berço e companheiro de seu trabalho. Nesse sentido, ser coibida a passagem do chapéu tem uma função negativa para a educação do público no que concerne à valorizar a arte apresentada na rua.

Não é apenas uma questão de manter uma tradição por seu charme medieval, mas sim de garantir a auto sustentação da arte e manter uma relação com o público que é fundamental para o reconhecimento desses artistas de rua.

Esse ato tem caráter de defesa de um posicionamento segundo o qual a arte de rua deve viver da rua. Tomada essa posição, significa dizer que esse movimento não pretende migrar para as salas e ambientes tradicionais para as artes cênicas, mas sim, manter seus pilares em sua origem que é chegar sempre em locais que a arte dificilmente consegue chegar.

Esta carta tem o objetivo de orientar artistas e interessados em compreender que "passar o chapéu" é um ato de preservação do teatro e da arte de rua que tem como prioridade as trocas de experiência nos espaços públicos por princípios estéticos, de conteúdo artístico, político e baseados nos direitos humanos universais sobre o acesso aos bens culturais.

Diante do exposto, solicitamos o reconhecimento da legitimidade, do princípio ético, constitucional e pedagógico de realizar apresentações artísticas nos espaços públicos abertos, bem como o ato passar o chapéu ou outro procedimento que peça de forma espontânea que as pessoas contribuam com a arte de rua, independente da política e de normas institucionais que restrinjam essa prática inerente ao artista de rua.


Rede Brasileira de Teatro de Rua
Coletivo de Palhaços e Rede BH/MG de Teatro de Rua
23 de agosto de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Relato Teatro de Caretas - CE


Bem, o Caretas ficou na estrada de janeiro à junho de 2010. Fizemos 4 viagens imensas pelo Nordeste. Tudo feito dentro de um van. 13 pessoas indo e voltando. Nossa primeira viagem aconteceu em março, aqui para nós no feriado de São José, assim fomos para um assentamento rural chamado IPUEIRA DA VACA, 450km de Fortaleza, la encontramos mestres e brincantes do reisado de caretas, ou reisado de couro, como chamam em alguns lugares. Estávamos procurando ter contato e fazer uma brincadeira com eles. Fizemos entrevistas, máscaras, dançamos e fizemos teatro com eles. Tenho certeza que muitos da rua adoraria ver um reisado de caretas. Como diz nosso orientador de pesquisa (Oswald Barroso) é o principio da arte cênica. Nossa estrutura dramática está inspirada neles.

Depois na Semana Santa fomos para uma cidade há 900km de Fortaleza, JARDIM, lá na semana santa toda a cidade fica mascarada, é isso mesmo, com dizemos aqui no grupo, ficam ENCARETADAS. É alucinante, pessoas comuns colocam máscaras e penduram badalos no corpo  e ai caminham pela cidade. E isso mesmo: caminham. Parecem serem mágicos é muito interessante. Houve ainda o enforcamento do Judas, vimos o que eles chamam de sítio do Judas, um local onde eles passam os dias até chegar o domingo de Páscoa. No ultimo dia  há o enforcamento do Jucas (dentro do boneco eles colocam uma grana e vai uma multidão lutar para pegar). Bakhtin deve ter visto algo parecido. Rsrsr

Já em junho fizemos uma viagem incrível. Saímos de Fortaleza para o Natal, no Rio Grande do Norte, fizemos espetáculo, vimos o Alegria Alegria, vimos o Artes e Traquinagens, conversamos, conversamos, conversamos, foi muitooooooo bom. De lá, fomos para a cidade de Condado, em Pernambuco ( lembrem-se ainda dentro da van) chegamos ao anoitecer. E dai por diante não somos mais os mesmos. O Cavalo Marinho é impressionante. Conhecemos a música, os entremeios, dançamos  e fizemos mais máscaras. A brincadeira do Cavalo Marinho começou as 9 da noite e terminou as 6 da manhã. Sem um intervalo sequer. Uma apresentação de corpos e performances cênicas impressionantes.
 
No final do mês de junho fizemos nossa última viagem de pesquisa para este trabalho que estamos montando,  passamos uma semana, na baixada Maranhense. Fomos ver e sentir os CAZUMBAS do Maranhão, nosso mestre de cerimônias foi o Mestre Abel Teixeira, um senhor de uns 80 anos, artesão e cazumba, reconhecido nos quatro cantos do mundo. Vimos o Boi do Apolonio Melonio, participamos do que eles chamam de guarnicê (um ritual que acontece antes das apresentações). Fomos em uma comunidade (há 300 km de São Luis)  e lá reconheci o que é fazer algo na rua, onde não se identificar o que é brincante e quem é platéia. Augusto Boal certamente viu algo assim. Nada de expectadores e sim todos juntos brincam e conduzem a história.

Estou escrevendo mais detalhadamente todas as viagens, e nosso estudo sobre as máscaras presentes nestas manifestações tradicionais que visitamos, o intuito é aprofundar um estudo sobre a performance do ator de rua. Muita coisa pra ver e pra estudar.

Em nosso blog
www.teatrodecaretas.blogspot.comtem mais coisas.


muitos abraços

Vanéssia Gomes
Grupo Teatro de Caretas
 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Relato Palhaços Trovadores 2 - PA

Ó NÓS AQUI Outra Vez



Um Caminho de Águas . UMa Ilha Chamada Cumbu . Um Encontro de risos .

FOI ASSIM Nossa Segunda Apresentação do projeto " Ilha de Riso ".

Desta Vez , Nossa jornada começou Por UMA estrada de asfalto e Mudou parágrafo UMA Rio . Barrento , cercado de Árvores , Canoas e Pássaros brancos (como garças, companheiras dos Barqueiros de Viagem ).

Na Chegada , uma jibóia de Hospitalidade Quem vive Junto a Natureza. Calmaria e sorrisos sem Rosto de Seu Ailton, dono do Lugar : bar "Sabor da Ilha ".

COMECA entao Mais ritual de serviços palhaço : figurino , maquiagem e. ........ O Nariz .

No Ar , eh bom cheirinho de café Feito Hora na.

Como Animadas chegam Crianças , de Sorriso e Banho Tomado Rosto não.

COMECA O ESPETÁCULO . Mais uma Vez, experimentei muitas Sensações : Emoção , alegria , surpresas . De novo Troca boa UMA. Olhares de , Novidades e risos . Um Lugar de muitos filhos : vento , Pássaros, gente Passando de canoa, Olhando o ESPETÁCULO de Longe e de Alguma forma reagindo uma sorrisos COM ISSO , OU Espanto comeu dançando Nossas Músicas , Como hum Rapaz Que Parou Canoa SUA Frente AO Lugar da Apresentação UM POUCO parágrafo tão Dançar .

Durante uma Apresentação Chega UM Visitantes barco . Outra boa Surpresa parágrafo OS Ambos Lados . Acabaram nsa Assistindo . Novas risadas , Outros Olhares .

Ao final Aquela festa . abraços carinhosos Fotos de Crianças com ... Desmontar . Mas pingos ... Vamos saber acharam o que? O Registro.

Pedimos parágrafo ALGUMAS PESSOAS ( Adultos e Crianças ) Que falassem de Impressões SUAS .

Gravandoooooo .

Como falaram Crianças. Seu Falou Ailton . O Iuri eA also Bruna (o Que não chegaram Meio, rsrrsrsr ). Alguns Atores , afinal , Sentindo estao ali .

E registradores bom semper , POIs Passa Tempo e DEPOIS FICAM o modo Frestas fazer Passou que.

Como gostaram Crianças. Disseram Que Nunca teatro tinham assistido . Nunca tinham OUTRAS palhaço hum Visto. ! "overdose" FOi UMA, rsrsrsrsrsrrs . Risos , Palhaços e Teatro (14 éeeeeeegua ).

FIM Em voltamos pra casa com o Coração feliz e acalentado . Mais Um Dia de Lazer - Trabalho . Mais dia hum de Troca e Encontro. novo Na estrada de Águas e Pedras.

Mais Ate ..................



Alessandra Nogueira - Palhaça Neguinha

Relato Palhaços Tovadores - PA

E Lá Vamos NÓS Outra Vez



E Lá Vamos NÓS Outra Vez . E Minha gente , começamos outra caravana . Agora é " Ilhas de Riso ".

Vem de novo Aquela sensação serviços desen Que ancestral de Viajante, arte de trupe mambembe Como NOSSOS Antigos Amigos de Rua , de. Atores Por Que caminhavam de Todos os Cantos Levando arte , alegria e boas Energias parágrafo aqueles Que se deixavam Pelos Braços fisgar fazer teatro .

Ser palhaço , entao , e Levar Dobro in Tudo. Será? Ou Pensamento e metido de palhaço ? Rsrsrsrsrsrsrs .

Mas Voltando à caravana ...

Primeira ilha : Outeiro

Arrumar como Coisas, Pegar o Ônibus , estrada Seguir ... gargalhadas , Mais gargalhadas e comidinhas . Passamos Pela ponte . ESTAMOS Chegando .

Na Chegada OS Olhares curiosos , dos Dois Lados . Olhar o Lugar , como PESSOAS ... Comecar

Nosso grito : Palhaços Trovadores , oi , oi, oiiiiiiiiiiiiiii . Bater como Mãos meeeeeeeerda desejando .

Emoção Que Levar gargalhadas Poder, arte e Brilho nsa Olhos Às Crianças , Mães , Avós , Vizinhos, comadres ... GENTE .

lindo . Como Lágrimas me vieram EAo Olhos JÁ não finalzinho do ESPETÁCULO . Quem SABE SE AQUELAS PESSOAS JÁ teatro Visto haviam ? E sera Vão vendo Continuar ? Nenhum final ISSO nao e o Mais Importante . Causa Emoção Pensar Nisso , Mas Não É o Mais Importante . O Que não vale FIM , E o Instante in Tudo Acontece que. Uma suspensão do tempo, NEM UM de Nós Onde não estabele Comum. È Coisa outra . CADA UM SABE O Que representantes ESSE Instante . ESSE suspiro .

Como Diz uma música final: ... " Vida de artista ASSIM E ... " E MESMO é.

Vamos entao Lá com Emoção Mais, poesia e riso .



Alessandra Nogueira - Palhaça Neguinha

sábado, 2 de outubro de 2010

Relato 2 do Oigalê - RS

Buenas Pessoal , DEPOIS de muitos dias; muitas léguas atras, volto um relatar uma Nossa Andança Pelo pampa Fronteiriço .



Passamos Dois Dias in Itacurubí e nsa deslocamos parágrafo Garruchos , Fronteira com a Argentina (não also Outro Lado se Chama Garruchos ). Cidade Pequena, com 3500 Habitantes e Que TEM UMA Relação com o Rio Uruguai e com um forte Muito Argentina. Nenhum dia Primeiro , conversa daqui , conversa dali e Fomos entrevistando o Povo. N Segundo dia , 06 de agosto, Fomos Visitar o Outro Lado (Argentina) de chalana ( barco Pequeno ). A expectativa era de realizarmos compras e conhecermos o Outro Lado da Fronteira Nessa Altura do Estado , MAS FOI Difícil Tanto um. Muita Pobreza e praticamente Dois OU Abertos Três bolichos , das 16h30 DEPOIS , PORQUE das 12h Às 16h30 os " correntinos "( da Região de Corrientes) tiram uma sesta ( Acho Que Que escreve ASSIM ). Descansam . Dormem .



«Além Disso , não há deslocamento da chalana de A Outra Margem UMA , vai Remando , Vez eles agem da chalaneiro , oficial de Garruchos COMUNIDADE Alguém Que rema n. Pagar nao uma "passagem ". E a forma cruzarem DELES um Fronteira e nao com Gastar o deslocamento . Tem de remar Bastante , POIs Vão 6 PESSOAS Mais o remador Cruzando o Rio Uruguai , Que NÓS pra cá , nao e nd Pequeno Height Muita correnteza e temperatura . Nesse dia , FOI UMA Figura Esquisita Remando , rebelde Meio, garoto de 20 Anos . Simplesmente grudou nd gente Durante TODO o tempo. Queria Nao serviços filmado NEM NADA Por fotografado . Nenhum elemento Início parecia engraçado cara hum , MAS COM Fomos ficando UMA Impressão estranha . Ficamos Mais Unidos nd Visita Disso FUNÇÃO also in . N Fim do Passeio , nsa separamos nd Dessa chalana e Figura conversamos OUTRAS PESSOAS COM. Descobrimos Que uma Figura malandro era hum , Ladrão e comeu Por estupro JÁ tinha Sido Preso . Ate entao O Nosso clima era de alegria assim, O Mundo E Tudo e lindo e belo . Sido tinhamos super in Bem recebidos Itacurubí, com Aquela Relação de Afeto Típica generosidade e do interior. parenteses uma Parte, tras chegamos in Itacurubí uma dona Teresinha , dona da pousada , estava UMAs Fazendo rosquinhas fritas par o café da Tarde. Bem quentinhas , com Açúcar e Canela . ESSE tinha Sido o Início de Nossa e Estada do Espírito de Itacurubí .



Engraçado essas Energias pesadas , POIs se instalou uma "paranóia delirante "nãos empreendedorismo . Estávamos in hum fantasma Meio hotel. Os donos tiveram de e Sair com nsa deixaram UMA senhora Que mal conseguia Administrar uma casa Dela , o hotel imaginação . Nao tinha café, Cozinha NEM operando . Negociamos o café e como refeições lancheria UMA eles. FOi A Melhor Coisa Que Aconteceu um par Tia Dega , alem de PDIs tomarem café , almoçarem e jantarem Dias SEIS PESSOAS Durante alguns não Dela bar, começou uma Cidade frequentar o bar FUNÇÃO in dos " artistas " . Muito chique ! tomamos café campeiro ( café, leite , pão , mel de queijo , e mortadela ). Negociamos com um Dega Tia Mais ovos mexidos Frutas e ALGUMAS . Como tinhamos o local de Apoio hum de Frutas com Camarim e passávamos Frutas como par o café do mês seguinte dia. Valor R $ 5,00 .



Almoco - Prato Feito . , feijão , batata e carne de panela , tomate e Alface . R $ 5,00 , A Noite Mais xis OU Menos de R $ 8,00 , cerveja Polar R $ 3,50 . Almoco do dia dos pais dourado UM FOI NA BRASA de 4 quilos . UMA DELÍCIA . ESSE custou R $ 10,00 Por Pessoa , MAS dos pais era dia.



Bom , Historia da moral , não há dia de Nossa saida (segunda dia 09 de agosto ), café, tomamos e vimos o Schimitão , pescador e Marido da Tia Dega, Sair de Carro parágrafo Buscar carne e Bebidas , POI tinha Acabado Tudo sem barra . Muito bom ! E a Prova concreta da Economia da Cultura . De Como O Teatro lev como PESSOAS uma Sairem de casa . Um comerem .



Buenas Pessoal , JÁ ESSE RELATO estabele Grande Demais ... Importante Falar Que tivemos de 500 a 600 Novamente PESSOAS . Começamos com UMAs 300 e acabamos com 600 PESSOAS . Escolas De Que vieram à COMUNIDADE Própria . Todos super arrumados MEC. Primeira Vez Que tinha Peça de teatro de rua ali . FOi mágico . Dia lindo e nao Muito Frio.



Em breve Mais mando . ESTAMOS Amanhã Saindo de São Borja. Amanhã vamos a Itaqui. Tem o Lançamento da Chama Crioula . Bem Algo de suma importância pra Região , Mas ISSO JÁ UMA História e outra .



e hasta mañana .

Giancalo - Oigalê

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tá Na Rua em Ribeirão Preto na Mostra de Teatro de Rua do SESC SP

 

Car@s amig@s ,

Segue o que rola por aqui na mostra SESC-SP de Teatro de Rua.

DIA 16 - "Tertúlia, Engasga o Gato e Fora do Sério" foram os grupos de Ribeirão Preto que, juntos com a Brava Companhia de São Paulo e estudantes de teatro da Faculdade Barão do Amazonas, nos aguardavam no auditório do SESC local. Chegamos lá às 14h55min, vindos de Taubaté, de onde saímos às 07h22min. No trajeto, ficamos engarrafados na Rodovia Presidente Dutra, tendo à esquerda à fábrica de aviões e à direita à indústria química de São José dos Campos. Levamos 50 minutos até entrar na Rodovia Dom Pedro, sentido Campinas. Seguimos nela por uma hora. Quebramos à direita, para o oeste paulista. As placas iam se modificando aos nossos olhos, trocando as letras, os números. Entramos na Anhagüera, sentido Uberaba. Uberaba a 230km, a 210km, a 180km. Pensei é quase Minas...  Diferente das placas convidativas,  Limeira, Sertãozinho, Piracicaba, Pirassununga... a paisagem insistia em se manter monotonamente a mesma: mar verde de cana, terra vermelha, laranjais, eucalipto, caminhão, calor, mar verde de cana, terra vermelha, laranjais, eucalipto, caminhão, mar verde de cana... Amir Haddad estava sentado na poltrona ao lado fazendo palavras cruzadas e fez o seguinte comentário para mim: "Licko, eu faço isto porque me ajuda a pensar o mundo, as coisas, o teatro. Antes, eu fazia com caneta azul, agora, faço com lápis! Quando fazia com a caneta, se errasse, já era! Não tinha a chance de corrigir, de aprender, de voltar atrás. Estava setenciado! Com o lápis, não! Se errar, eu apago, recupero, tenho esperança de acertar!" Recolocou os óculos para perto sobre o nariz e continuou a sua tarefa. A placa mandou a gente virar à direita e entrar no Ribeirão Preto. Chegamos lá, no SESC, às 14h55min, vindos de Taubaté, de onde saímos às 07h22min, dizia eu. Encontramos logo com a Míriam, do Fora do Sério que, em 1992, ajudou a organizar o primeiro encontro do Movimento Brasileiro de Teatro de Grupo.

O papo rolou solto com as colocações do Amir sobre 'arte pública' versus 'arte privada'. A Míriam queria saber notícias das proibições e perseguições que a atual administração carioca vinha imputando sobre o teatro de rua na cidade maravilhosa. Amir, imediatamente, ampliou: "Em todo o Brasil! Estão privatizando os espaços públicos em todo o Brasil! Tem lugar que cobram 9 mil, outros alugam por metro quadrado! As praças, no Rio, foram todas cercadas! Tem grades! É o capital, a ordem, o controle... Eu não quero liberdade consentida! Eu não quero liberdade condicional!". Depois ele passou a bola para mim. Falei da Rede Brasileira de Teatro de Rua, da ABRACE, do curso que o Alexandre Mate conquistou na UNESP, da disciplina na UDESC, do Narciso na UFU e do Carreira na UDESC, dos editais. Lancei o livro Teatro de Rua no Brasil – A primeira década do Terceiro Milênio. Afinal fui convidado pela Mostra SESC-SP de Teatro de Rua para isto. Dali fui para a praça Carlos Gomes, bonita, tem o chopp do Pingüim, bom, gelado. O pessoal da Usina do Trabalho do Ator, de Porto Alegre, RS, apresentou lá A Mulher que Comeu o Mundo. Assisti junto com o pessoal da Brava. Era um grupo desconhecido para nós, vimos pela primeira vez. Fizemos nossos comentários, rápidos, entrecortados por olhares e expressões...

DIA 17 – Sexta-feira, demos uma oficina O Ator no Espaço Aberto. Apareceu um monte de gente de teatro da cidade. Cheio, mesmo! Todos se divertiram e disseram que era completamente diferente do que sabiam. Unânimes, disseram que esperavam alguma orientação, ordem, técnica... e veio a liberdade! Conversamos muito, depois corri para a Castro Alves outra vez. O Imbuaça já estava pronto para começar o seu espetáculo "O Mundo Tá Virado, Tá No Vai e Não Vai. Uma banda Pendurada. A outra, em Breve Cai". O Imbuaça tem 33 anos de trabalho ininterrupto. Deu tempo de conversar com o Lindolfo, com a Isabel, a Rita e o Iradilson entre uma maquiagem e outra. O Imbuaça tem gente nova à beça... está renovando... Rosi, Talita, Kessia, Carlos... mas, mantém a sua liguagem dramatúrgica na literatura de cordel, como forma de resistência e divulgação dos grandes mestres e autores do nordeste. Poético, irônico, humor, música cantada, música mecanizada, equilibrado. O povo gostou! Dali subi sete quadras e fui para a praça Sete de Setembro.

De longe, se um ônibus azul no meio da praça. Chegando mais perto reconheci o CIRCOLAR TEATRO das meninas, d'As Graças, de Sampa! Tudo pronto. Pipoqueiro, sorvete, estudante, calor, 29 graus às 21h. O circo teatro delas apresentou o melodrama Nas Rodas do Coração, uma homenagem emocionante a Adoniran Barbosa. Quando o espetáculo terminou eu aprendi mais sobre as músicas do sambista do Brás e da cultura paulista do que as minhas centenas de viagens à capital. Os homens e as mulheres de Adoniram desfilaram suas fraquezas, malandragens, gostos e a ingenuidade brejeira em gestos poéticos e leves na minha frente. No final cantamos juntos "cais, cais, cais, cais, cais, cais..." Jantei com o meu grupo e falamos sobre o espetáculo das moças. Todos disseram que haviam gostado. Também! Durmi.

SÁBADO – A praça Sete de Setembro tem uma feirinha de artesanato aos sábados. No centro um coreto grande e bonito com escadas, rampas de acesso e uma espécie de procênio Começou com o Marcos da Legião de Palhaços, SC, com o seu "Cirquinho de Pulgas", uma tradição secular que existe em todo o mundo, sendo ele um dos seus mantenedores no Brasil. A técnica mistura teatro e ilusionismo e encanta a todos, principalmente aos pequenos. Em seguida, entramos na praça com "A Alegria do Palhaço é Ver o Circo Pegar Fogo!", um mapa-roteiro para uma dramaturgia aberta, que mistura revista, rádio, TV em um programa. Os números musicais do grupo acertaram em cheio o coração da platéia: O Ébrio, Ivete Zagalo entre outros. O espetáculo é sempre interrompido pelo HORÁRIO ELEITORAL GRATUITO do Tá Na Rua que apresenta os seus 'candidatos': Darcy Ribeiro, Glauber Rocha, Chiquinha Gonzaga, Jango. Pensamentos e história das histórias do Brasil.

PS. Devo confessar que para despedir de Ribeirão, estamos saindo agora para o Pingüim, uma chopperia para turista. Depois, jantar na churrascaria Ribeirão porque dizem que a carne do agrobusiness é muito boa! Porra, ninguém é de ferro! Vou no bonde! Amanhã, sairemos às sete para São Carlos e apresentamos às 15h.

Abs,

Licko Turle

 

quinta-feira, 16 de setembro de 2010