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sábado, 26 de janeiro de 2013

Assentados e apoiadores retornam ao Assentamento Milton Santos e seguem em luta

Assentados e apoiadores retornam ao Assentamento Milton Santos e seguem em luta

                Os últimos 11 dias foram de intensas lutas para os assentados e apoiadores do Assentamento Milton Santos, localizado em Americana-SP e Cosmópolis-SP. Nesse período ocupamos o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Instituto Lula em São Paulo. Nosso objetivo sempre foi o de conquistar a única medida que impede o despejo das 68 famílias e garante a destinação definitiva das terras para a reforma agrária: a assinatura de um decreto de desapropriação por interesse social pela presidenta Dilma Rousseff.
Infelizmente, mesmo após reuniões com diretores do Instituto Lula, Paulo Okamotto e Luiz Dulci, e com o presidente nacional do INCRA, Carlos Guedes, o assentamento continua em perigo. O Decreto não foi assinado pela presidenta Dilma e não há nenhuma medida oficial que suspenda uma possível tragédia. Muitos foram os compromissos verbais de representantes do governo de que o despejo não ocorrerá. Porém, as famílias ainda correm o risco de perderem tudo o que têm a partir do dia 30 de janeiro, quando pode ser requisitada força policial para realização do despejo. Por isso, decidimos desocupar ontem o Instituto Lula e hoje, por volta das 18h, o INCRA para dar início a uma nova etapa da resistência. Seguiremos nossa jornada de lutas em nossa última trincheira, o assentamento Milton Santos. Com esta mesma preocupação, convidamos os companheiros que realizavam greve de fome em frente ao escritório da Presidência da República a suspenderem o seu protesto; eles seguirão conosco para o assentamento e ajudarão a preparar a nova resistência.
Sempre soubemos que esta luta seria dura e que não seria nada fácil obter uma resposta efetiva do governo. Contudo, acreditamos que não saímos derrotados. Com nossas últimas ações, publicizamos o caso do Assentamento Milton Santos, o que possibilitou que uma parcela maior da população tomasse conhecimento do drama em que vivemos.
Nossas atividades em São Paulo revelaram à sociedade que a medida de que precisamos para ter tranquilidade no Assentamento não se trata de uma questão técnica ou jurídica. Ao contrário, as audiências com as autoridades do Incra, bem como a nossa passagem pelo Instituto Lula, nos reforçaram a convicção de que a solução do problema depende de uma opção exclusivamente política a ser tomada pelo governo federal, a quem recairá toda responsabilidade caso uma nova tragédia aconteça.
E mais: as ocupações em São Paulo receberam inúmeras visitas e manifestações de apoio de movimentos sociais, sindicatos, coletivos, partidos, intelectuais e estudantes. Gostaríamos de agradecer o apoio de todos e esperamos que o vínculo que se construiu entre nós não seja quebrado e que um diálogo forte e sincero tenha se iniciado entre aqueles que estão verdadeiramente ao lado dos trabalhadores. Por isso, pedimos a todos os companheiros e companheiras que estiveram conosco nessa luta que nos acompanhem em nossos próximos passos.
                Seguimos mobilizados e dispostos a lutar até o fim.
                Milton Santos, Resistencia e Luta!               



Assentamento Milton Santos - SP

CHAMADO AOS GRUPOS E ARTISTAS COOPERADOS EM APOIO AO ASSENTAMENTO MILTON SANTOS
 
Neste momento o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) está ocupado por integrantes do Assentamento Milton Santos, do MST e simpatizantes em protesto à desocupação e expulsão iminente das 68 famílias que vivem no assentamento há 7 anos.
 
Como forma de apoio, a equipe de comunicação e cultura está recebendo propostas de programação cultural que possam enriquecer este período de debates e luta por reforma agrária. Os interessados em contribuir com a apresentação de espetáculos, intervenções artísticas ou oficinas podem enviar as propostas para os emails dan@riseup.net, danypontocom@gmail.com ou azevedofe@yahoo.com.br.
 
A sede do INCRA fica na rua Doutor Basílio Machado, 203, Santa Cecília, São Paulo.


Manifesto unificado de apoio à luta do Assentamento Milton Santos

As organizações, entidades e coletivos abaixo assinados reafirmam a sua solidariedade à luta das 68 famílias do assentamento Milton Santos.
Neste momento, o desafio das famílias do município de Americana reflete a luta do conjunto da classe trabalhadora, que tem sofrido com os sucessivos ataques e perdas de direitos conquistados.
O mesmo Estado que atende às revindicações da burguesia, desapropriando grandes áreas em favor de interesses privados, nega o direito à terra e moradia, não só boicotando a reforma agrária no país, como fazendo retroceder conquistas históricas. Este mesmo Estado engendra o genocídio nas periferias das grandes cidades, permitindo a ação impune de grupos de extermínio paramilitares.
A ofensiva ao Assentamento Milton Santos não ameaça apenas a vida das 68 famílias que correm o risco de perderem suas terras, casas, lavouras e anos de trabalho, ameaça também as conquistas e os direitos dos trabalhadores do campo e da cidade.
Na terça-feira, dia 15, foi entregue a notificação de despejo aos assentados, o que implicou um prazo de quinze dias para que se repita um massacre à exemplo do Pinheirinho, com consequências ainda piores, porque haverá resistência. E só há uma maneira de impedir esta tragédia: o Decreto de Desapropriação por Interesse Social do Sítio Boa Vista, que só depende da assinatura da Presidência da República.
Estamos alertas!
Dilma, assine já!
 
Apoiam esta luta:
Movimento Terra Livre
Sindicato dos Trabalhadores da USP
Rompendo Amarras
DCE Livre USP Alexandre Vannuchi Leme
Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal
Quilombo Raça e Classe
Fórum Popular da Saúde
Fábrica Ocupada Flaskô
Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL)
Coletivo Arma da Crítica
Núcleo Pastoral da Juventude
DCE da Unicamp
Rádio Livre Várzea
Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp
Movimento Mães de Maio
Coletivo Ecossocialista Libertário – ECOSSOL-PSOL
Cordão da Mentira
Favela do Moinho
Coletivo Comboio
Coletivo Zagaia
Cooperativa Paulista de Teatro
Kiwi Cia. de Teatro
Coletivo da Albertina
Espaço Cultural Mané Garrincha
Coletivo de Gênero Violeta Parra
PSOL – Juiz de Fora-MG
Grupo Quilombagem
Corrente Sindical Conspiração Socialista
 
Documento elaborado a partir da plenária com parceiros e aliados da luta do Assentamento Milton Santos, realizada no dia 16 de janeiro de 2013 no auditório da ocupação do Incra.
* Organizações, entidades e coletivos que estiveram presente e cujos nomes, por ventura, não constam desta lista, por favor, enviem confirmação para assentamentomiltonsantos@gmail.com


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Recomendação ao MinC sobre o Prêmio Culturas Populares


Recomendação ao MinC sobre o Prêmio Culturas Populares

 

Os mais de 6 mil membros da Rede das Culturas Populares e Tradicionais, ouvidos através de seus canais institucionais, insatisfeitos com os esclarecimentos prestados (ver  anexos) sobre a administração do Prêmio Culturas Populares, vêm à público recomendar à Ministra Marta Suplicy e à Secretaria de Cidadania e da Diversidade Cultura do Ministério da Cultura as seguintes medidas, que também serão entregues aos membros dos colegiados setoriais de Culturas Populares, Culturas dos Povos Indígenas, Culturas Afro-brasileiras, Circo, Patrimônio Imaterial e Artesanato para os devidos encaminhamentos através do Conselho Nacional de Política Cultural:

 

1. Que sejam apuradas e cobradas juridicamente as responsabilidades individuais, através de sindicância, sobre os erros administrativos cometidos ao longo do processo de vigência do edital Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Dona Izabel. Estes erros resultaram na convocação e posterior cancelamento do pagamento de 200 prêmios no valor de R$ 10.000,00 cada, a mestres(as) e comunidades de todo o Brasil. Os(as) mestres(as), que viram um dos poucos reconhecimentos públicos recebidos em vida tornar-se um enorme transtorno e uma enorme frustração, sem contar os problemas econômicos, políticos e sociais acarretados a lideranças exponenciais das nossas culturas populares e tradicionais, jamais terão a devida compensação por tão grande injustiça, embora mereçam todo o esforço que não tem sido feito por parte do MinC;

 

2. Que seja realizado um trabalho muito maior e mais estruturado de comunicação direta com esses 200 "beneficiários" em comparação com o que foi feito até o momento. Que esse esforço seja direcionado não só aos responsáveis pelas iniciativas, mas também às suas comunidades, uma vez que muitos mestres foram questionados sobre o desaparecimento dos recursos, enfrentando dificuldades de toda ordem do ponto de vista moral, que, muitas vezes, é o maior patrimônio que possuem. Não basta o envio de cartas escritas. Essa forma de comunicação, somadas à complexidade jurídica dos problemas descritos nelas, poderão, ao invés de esclarecer e confortar, enfurecer e afastar ainda mais esses agentes, a tão duras penas incluídos nos processos de fomento à cultura. Que sejam feitas comunicações orais, de preferência, pessoalmente, pelo pessoal da Secretaria ou das Representações Regionais, com a utilização de rádio e televisão, dentre outras formas acessadas por essas comunidades. As administrações de cultura estaduais e municipais onde residem os contemplados também devem ser acionadas e mobilizadas neste esforço;

 

3. Que os responsáveis pelas iniciativas premiadas sejam ressarcidos dos custos de envio de documentação pedida pelo MinC imediatamente e, mais importante, que seja elaborado um conjunto de outras ações compensatórias (oficinas, apresentações, etc.) para essas 200 iniciativas culturais, com recursos próprios do MinC, equivalentes aos recursos que seriam disponibilizados, corrigidos com juros, uma vez que já não existe mais a possibilidade jurídica de se pagar o prêmio. A solução tem que ser política, antes de tudo, e a solução jurídica ou técnico-administrativa, tem que vir à reboque desta outra, mais importante. As ações devem ser mais incisivas nos casos em que os(as) mestres(as) já tenham falecido;

 

4. Que os 200 contemplados em 2009 não tenham restritas as possibilidades de participação e contemplação na edição atual do Prêmio. Que essa possibilidade seja completamente desconectada do problema anterior e devidamente explicitada nas atividades de divulgação do edital 2012/2013. Acreditamos que o melhor teria sido resolver esse problema antes do lançamento deste novo certame, o que caracteriza mais uma barbeiragem política grosseira do MinC. Que estes 200 tenham prioridade no trabalho de qualificação para as inscrições do novo edital, recebendo tratamento especial. Que sejam divulgados os nomes e endereços dos responsáveis para que a Rede possa acionar seus membros mais próximos a fim de apoiá-los no trabalho dessa nova inscrição, se é que ainda terão algum interesse;

 

5. Que seja realizada uma avaliação profunda sobre os resultados do Prêmio enquanto política pública, a exemplo de outros estudos encomendados pelo MinC, com vistas à melhoria de sua aplicação nos próximos editais. Esse estudo deve incluir a construção de um plano de aumento exponencial dos recursos para estas comunidades através de ações de fomento diversas, uma vez que ela representa o maior contingente de produtores culturais existentes em nosso país, ao passo que recebe atenção inversamente proporcional do MinC;

 

6. Que seja revisto o processo de fusão da Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural com a Secretaria de Cidadania Cultural, processo esse que acarretou uma perda significativa de conteúdo das políticas públicas para as culturas populares e os povos e comunidades tradicionais. Essa fusão acarretou uma violenta perda de recursos humanos para outros órgãos do MinC, como Secretaria Executiva e Gabinete, além da Secretaria de Economia Criativa, como também de orçamento e, principalmente, desorientação conceitual e saída do tema da pauta de prioridades do MinC;

 

7. Caso não sejam tomadas medida claras no sentido do que foi proposto acima, as entidades que compõem a Rede estão dispostas a acionar o Ministério da Cultura na justiça a fim de obter uma resposta à altura da importância que esses contemplados tem para a cultura brasileira e mundial;

 

8. Que a Ministra Marta Suplicy atenda ao pedido de audiência encaminhado em 19 de setembro de 2012 e até hoje não respondido; e que a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural atente para a pauta de trabalho apresentada pela Rede em 2012, mas que não obtiveram, na nossa avaliação, a devida atenção deste órgão.

 

Certos de contar com vossa compreensão e sensibilidade para tão urgente questão, coloca-mo-nos à disposição, como sempre estivemos, para construir as alternativas a esse erro. Quem vos fala são parceiros e protagonistas políticos da transformação radical empreendida pelo governo Lula.

 

 

Anexo (para quem não conhece o histórico do problema, segue uma contextualização):

 

A necessidade desta manifestação surgiu com bastante força no âmbito dos Fóruns Nacionais Setoriais ocorridos entre 13 e 15 de dezembro de 2012, sobretudo na primeira reunião do Colegiado Setorial de Culturas Populares eleito, ocorrida no dia 14, e também, na reunião dos membros da Rede das Culturas Populares e Tradicionais, realizada no dia 15. Nestas duas ocasiões, contamos com a presença de representações governamentais, que prestaram esclarecimentos considerados por todos como insuficientes, sobretudo quanto aos problemas pendentes do Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Dona Izabel.

Os editais de fomento às expressões culturais populares e tradicionais foram demandados pelos participantes do I Seminário Nacional de Políticas Públicas para as Culturas Populares, realizado em 2005, em Brasília, mas também, posteriormente, em outras ocasiões (I Conferência Nacional de Cultura, Teias, seminários e grupos de trabalho diversos), ressaltando as dificuldades enormes enfrentadas pelos segmentos populares e tradicionais em relação ao acesso aos recursos públicos pelas vias consolidadas à época (Convênios e Lei Rouanet, dentre outras);

O MinC, através de suas Secretarias e instituições vinculadas, iniciou uma série de experiências no sentido de desenvolver formas inovadoras de acesso aos recursos públicos existentes para o fomento das culturas populares e tradicionais (Prêmio Culturas Indígenas, Pontos de Cultura, Ação Griô, Capoeira Viva, etc.);

O formato de premiação se mostrou o mais adequado ao nível de organização dos artistas tradicionais, comunidades e grupos populares até o momento e foi amplamente utilizado, a ponto de assistirmos, já, a um questionamento crescente quanto aos limites dessas soluções, que se mostraram paliativas e desprovidas de orçamentos suficientes para dar conta da grande demanda reprimida, apesar do papel fundamental que exerceram no reconhecimento das expressões culturais populares e tradicionais. Ou seja, além do Cultura Viva, outras ações precisam urgentemente de um redesenho, que não foram encaminhadas na retrógrada gestão Ana de Hollanda, muito em função da desorganização dos setores afetados e do pequeno poder de pressão que têm acumulado;

O Prêmio Culturas Populares foi precedido, em 2005, por um edital de conveniamento. Depois, foram lançadas três edições em 2006, 2007 e 2009. Ao todo, foram destinados R$ 6,9 milhões para 695 iniciativas diferentes de todo o país. Ou seja, em média, foram investidos R$ 862,5 mil por ano nessa ação, sendo R$ 9.928,05 em média para cada iniciativa premiada, que ainda sofreram descontos de impostos no ato do pagamento. Quase nada, não é mesmo? Se somarmos os R$ 5 milhões dessa nova edição, teremos uma pequena melhora, aumentando a média anual de investimento para R$ 1.322.222,22, embora isso possa se diluir ainda mais se em 2014, 2015 e 2016 não forem lançadas novos editais;

Na última edição, em 2009, devido aos aperfeiçoamentos implementados pela lamentavelmente extinta Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural (SID) e pela maior mobilização social em torno do edital, chegou-se a quase 3 mil inscrições, quando se dispunha de apenas 196 prêmios para serem concedidos. Nesse sentido, a comissão de seleção recomendou ao MinC que, na oportunidade de haver disponibilidade de novos recursos, deveriam ser convocados as muitas ótimas iniciativas que ficaram na ordem de classificação. Assim foi feito em 2010, com o anúncio e convocação de mais 200 iniciativas, por ordem de classificação, publicadas em diário oficial e convidadas para apresentação de documentos, uma vez que foram disponibilizados mais R$ 2 milhões para o orçamento da SID, como antecipação dos recursos do Procultura;

No entanto, esta convocação foi feita à revelia das recomendações do departamento jurídico do MinC, que observou no edital o esgotamento do prazo de validade do mesmo (até junho de 2010) e a impossibilidade de suplementação orçamentária. Logo depois, em finais de 2010, a expectativa de recursos adicionais da ordem de R$ 2 milhões não se confirmou, assim como muitos outros anúncios do final da gestão Juca Ferreira, que impactaram também a Funarte, a SCC e outros órgãos que lançaram editais. Estes só começaram a ser pagos na gestão seguinte, com grande prejuízo para a continuidade das políticas públicas de cultura como bem sabemos;

Eleita a presidenta Dilma e nomeada a ministra Ana de Hollanda, a questão ficou pendente até a reorganização da nova Secretaria de Cidadania e da Diversidade Cultural. Esta, através da sua Coordenação Geral de Culturas Populares e Tradicionais, organizou um serviço de informações para atender às dúvidas e reclamações dos contemplados. Concomitantemente, conseguiu uma brecha jurídica, que já tinha sido experimentada na 3ª edição do Prêmio Culturas Indígenas, e também, captou recursos junto à estatal Furnas para o pagamento dos prêmios. Foram remetidas aos 200 convocados cartas de esclarecimento da situação e um pedido de prazo para a solução técnica do problema;

Logo depois, no entanto, com a troca de comando da pasta, a solução encontrada via Furnas foi descartada, sem, até o momento, a prestação dos devidos esclarecimentos sobre o porquê disso. Muitos mestres e comunidades encontram-se desinformados sobre se irão ou não receber, quando sabemos que há uma decisão do MinC de não mais pagar os 200 prêmio extras. Problema maior é que, simultaneamente, foi lançado o novo edital, que começa a receber inscrições nesse dia 5 de janeiro de 2013. Esses fatos têm provocado insegurança e descrédito, por parte do segmento, quanto à participação neste novo edital e quanto à resolução do problema do edital 2009.

Outras ações que afetam o mesmo público-alvo, como a salvaguarda do Patrimônio Imaterial e a Ação Griô, dentre outros, também passam por problemas seríssimos de descontinuidade ou de falta de recursos.

Nesse sentido, os representantes do Colegiado Setorial de Culturas Populares do Conselho Nacional de Política Cultural, ouvindo as redes existentes e outros diversos atores importantes para a questão,

Sabendo que o maior patrimônio acumulado pelo MinC junto ao segmento foi o reconhecimento de sua importância para o conjunto da cultura brasileira, transformando-se num patrimônio político que está se esvaindo rapidamente com poucas possibilidades de recuperação,

Sabendo que a contemplação em editais públicos são mera expectativa de direito, e não direito consolidados, mas que, neste caso específico, por características culturais baseadas na oralidade e em outros processos históricos, a expectativa não pode ser, de maneira nenhuma frustrada.



Texto sobre Vale Cultura - Presidente Prudente

Vale Cultura, cultura local e Presidente Prudente

O Ministério da Cultura efetivará o Vale Cultura por convênio do Governo Federal com empresas privadas através da renúncia fiscal de 30% do valor mensal estipulado. O empregador arcará com 50% e o trabalhador com 20%. Em contrapartida, as instituições terão abatimento de 1% do Imposto de Renda devido.

O Vale Cultura se destina a trabalhadores de até 5 salários mínimos e estima-se que em 2000 o total de trabalhadores prudentinos nessa faixa eram de 33.000 trabalhadores. Assim sendo, poder-se-ia  afirmar que há uma potencialidade de ingresso mensal através do Vale Cultura de R$1.650.000,00 por mês na economia municipal.

No entanto, somente as empresas de lucro declarado podem entrar no programa. As que tem imposto por lucro presumido não podem entrar no desconto de renúncia fiscal.

Em bases realistas, talvez haja uma adesão de empresas de Presidente Prudente no programa de no máximo 5000 trabalhadores, que corresponderia a um importante ingresso de R$250.000,00 mensais distribuídos para cinemas, casa de espetáculos, livrarias (livros, CDs e DVDs).

Haverá uma geração de empregos, mas do ponto de vista do capital, os empregadores se beneficiarão do efeitos que o acréscimo cultural traz, tais como: qualificação associada à criatividade, verbalização com amplitude, desenvolvimento da subjetividade, compreensão das demandas sutis de mercado e de necessidades, aumento da produtividade, redução de perdas e de acidentes coletivos e individuais e aumento da produção com qualidade. Todos eles sabem que não são só cursos técnicos, superiores e escolaridade média que são suficientes para resolver isso e que a ampliação do acervo cultural contribui com um trabalhador que dá lucro.

 

Na recente declaração da Ministra Marta Suplicy, o MinC não é censor dos trabalhadores e nada será feito para impedir que eles usem seus cartões para comprar revistas de quinta categoria e podemos extrapolar, para acesso a entretenimento cultural comercial.

E que se cause espanto a preocupação de que o Vale Cultura se transmute em Vale Pinga, ainda que uma parte acabe sendo subvertida, muitos estudantes e trabalhadores de baixa renda terão acesso a comprar bens culturais de qualidade. Mesmo que 90% dos trabalhadores utilizem seus Vales para entretenimentos comerciais, os 10% que restante que fizerem de outro modo já justifica este programa.

 

Deste modo, os principais beneficiados são os trabalhadores e empresas culturais que terão o direito adquirir a máquina de leitura dos cartões magnéticos do Vale Cultura. Sim, haverá licitação de empresas que irão administrar essas máquinas, mas o direito a elas se restringe a empresas.

Ficam de fora o poder municipal e estadual, entidades sem fins lucrativos e outros movimentos culturais locais que não terão direito de receber os créditos desses  trabalhadores, enquanto que a indústria cultural passa a ter um privilégio na captura de parte de recursos que são públicos.

 

Será que passistas de uma escola de samba não iriam preferir investir seus créditos nas suas escolas? Será que o trabalhador não pode ceder seus créditos para o Fundo Municipal de Política Cultural, pagando bilheteria de eventos culturais públicos? Será que o Vale Cultura não pode ser investido em movimentos culturais? Será que um trabalhador não pode pagar um curso de línguas?

 

Há dois desafios locais e nacionais, quais são a luta de trabalhadores e sindicatos para suas empresas aderirem ao Vale Cultura e que esse investimento possa irrigar outros setores não empresariais e de finalidade pública envolvidos e oferta de bens culturais.

 

Antonio Sobreira


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Movimento Cidadão em Defesa dos Direitos Humanos e das Políticas Sociais

MANIFESTO EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS E DAS POLÍTICAS SOCIAIS NO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
 
As últimas eleições municipais, especialmente na Grande Vitória, foram marcadas por resultados favoráveis a candidatos que apresentaram aos cidadãos discursos direcionados ao ensejo de "mudanças", resultando, hoje em um cenário político no Estado composto por novos atores e novas alianças.

Mediante as primeiras declarações públicas e decisões tomadas pelos novos gestores municipais, especialmente no que se refere às escolhas de suas equipes de governo, um grupo de cidadãos, profissionais, conselhos e entidades de classes profissionais, professores universitários, conselhos e entidades de defesa dos direitos humanos e estudantes de nível superior, todos diretamente envolvidos e interessados no desenvolvimento das políticas públicas no Estado do Espírito Santo, tais como Assistência Social, Saúde, Cidadania, Educação, Segurança Pública, Direitos Humanos, Cultura, entre outras, vem a público manifestar e afirmar seu descontentamento, repúdio e profunda preocupação com o que pode representar um lastimável RETROCESSO HISTÓRICO na afirmação e defesa dos direitos humanos fundamentais e na construção e implementação de políticas públicas sociais efetivamente voltadas para o melhor interesse da população, pautadas primordialmente em princípios éticos e democráticos.

Entendendo o fundamental papel histórico e social exercido pela população na produção de mudanças sociais, seja organizada coletivamente em instituições, entidades e movimentos, seja afirmando e exigindo cotidianamente seus direitos como cidadãos, exigimos que as administrações públicas municipais pautem a produção de suas políticas públicas pela participação democrática, por ações verdadeiramente inclusivas e pelo respeito aos Direitos Humanos e à garantia de dignidade para todas as pessoas.
Assim sendo:

·          Não somente esperamos, como exigimos que os processos de implementação e fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social e do Sistema Único de Saúde, políticas públicas reconhecidas e integradas nacionalmente, sejam garantidos e continuados, privilegiando os espaços de participação e controle democrático cidadãos;
·         Afirmamos a premente necessidade de que às políticas sociais, diretamente voltadas para a garantia de serviços fundamentais à população, tais como a Assistência Social, a Saúde, a Educação, entre outras, sejam garantidos recursos orçamentários suficientes, não somente para a manutenção dos serviços já existentes, como também para a ampliação de novas ofertas para a população;
·         Repudiamos o loteamento das secretarias municipais e seus respectivos cargos de gestão com pessoas sem qualquer histórico de compromisso e envolvimento efetivo com a construção das políticas sociais, bem como sem os devidos conhecimentos técnicos e profissionais que o exercício competente das pastas exigem;
·         Repudiamos também um processo demarcado e crescente de militarização e judicialização das políticas sociais, privilegiando uma visão unilateral e hegemônica das intervenções públicas, em especial no campo da Assistência Social, da Saúde, dos Direitos Humanos e da Segurança Pública, voltadas quase exclusivamente para as ações repressivas e criminalizantes;
·         Manifestamos nossa radical discordância da adoção irrestrita e exaltada de medidas que visam, em sua essência, culpabilizar e criminalizar uma parcela menos favorecida de nossa sociedade, qual seja, a população pobre, medidas estas de eficácia questionável técnica e eticamente, tais como a internação compulsória para usuários de substâncias psicoativas, desconsiderando o trabalho interdisciplinar e intersetorial, de caráter preventivo, voltados para a atenção e cuidados integrais aos sujeitos, que já vem sendo realizado pelos diversos serviços e ações nas políticas sociais municipais.

Por oportuno, afirmamos ainda a intenção deste coletivo de ampliar seus canais de debate com toda a sociedade, pautando além das questões acima citadas, outras igualmente importantes, ligadas diretamente à perspectiva da defesa intransigente dos direitos humanos e à afirmação de princípios éticos na construção das políticas públicas, não somente na Grande Vitória, como em todo o Estado do Espírito Santo, tais como: o inequívoco posicionamento contrário à redução da maioridade penal; o rompimento com as recorrentes práticas de violação de Direitos Humanos no Sistema Prisional; o fim do doloroso e vergonhoso extermínio da juventude negra; a eliminação de todo tipo de violência, especialmente aquelas cometidas contra mulheres, crianças e adolescentes e pessoas idosas; a garantia de mobilidade e acessibilidade; o acesso a informação; o direito de ação e expressão a todas as pessoas que convivem em nossas cidades, inclusive por meio do fortalecimento dos conselhos de controle social.

Acreditamos que com esse movimento, possamos abrir um canal de diálogo com os gestores das áreas supracitadas de forma transparente, pública e democrática.
 
MOVIMENTO CIDADÃO EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS E DAS POLÍTICAS SOCIAIS


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sobre o Vale-cultura

09 de janeiro de 2013

Vale-Cultura

Envie suas sugestões e dúvidas sobre o Vale-Cultura
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, abriu nesta quarta-feira (9), em entrevista à Rádio Band AM, a possibilidade de internautas enviarem opiniões, sugestões e dúvidas sobre o Vale-Cultura à comissão que vai regulamentar a política instituída por lei, no final do ano passado. 

Inicialmente o projeto foi estruturado de cima pra baixo e, agora, é que convocam os reais envolvidos. E vão afirmar que foi construído de forma democrática. 

Espaço aberto nos comentários desta matéria e nas redes sociais. Todas as postagens serão objeto de estudo da comissão formada pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (SEFIC/MinC) e Secretaria de Políticas Culturais (SPC/MinC), pela Consultoria Jurídica (Conjur/MinC) e Secretaria Executiva (SE/MinC). O grupo tem até o dia 26 de fevereiro para regulamentar o Vale-Cultura.

O que é Vale-Cultura- Sancionado pela presidente Dilma Rousseff no dia 27 de dezembro, o Vale-Cultura é um benefício de R$ 50 mensais concedido aos trabalhadores que recebam até cinco salários mínimos por mês.
Com ele os trabalhadores poderão acessar serviços e produtos culturais nas áreas de Artes Visuais, Artes Cênicas, Audiovisual, Literatura, Humanidades e Informação, Música e Patrimônio Cultural.
A política deve beneficiar aproximadamente 17 milhões de trabalhadores e elevar o consumo cultural em até R$ 7,2 bilhões por ano.
Aqui já temos uma ideia do pensamento cultural: como algo que deve ser consumido e não fruido. Consumo, uso e descarto.

Como funciona - O Vale Cultura será disponibilizado, preferencialmente, por meio magnético. Não será permitida a troca do vale por dinheiro e aqueles trabalhadores que aderirem ao programa terão um desconto máximo de 10% do valor do vale sobre seus salários. Este percentual será diferenciado para aqueles que recebam mais do que cinco salários mínimos.
Entre os pontos que devem ser esclarecidos com a regulamentação está a definição concreta de serviços e produtos culturais que o trabalhador poderá consumir com o Vale-Cultura.
Meio magnético, logo se o trabalhador entender que o repentista/embolador da praça é merecedor do dinheiro não poderá utilizar... a não ser que ele deixe o cartão com os emboladores, que nada poderá fazer com o mesmo. Bem pensado! Assim, cultura e arte, na cabeça de nossos governantes só pode acontecer em ESTABELECIMENTOS e organizado juridicamente, ter a máquinha de cartões etc.

Todos ganham
Trabalhadores: acesso aos produtos e serviços culturais, formação pessoal e melhoria da qualidade de vida;
Não se trata de subestimar o trabalhador, mas da forma como está organizada será que ele não vai continuar sendo entupido das bobagens da indústria cultural, afinal ela está estruturada para ter sedes físicas, máquinas para cartões, espaço para publicidade etc. E as demais arte que se colocam fora dessa estrutura? É sempre bom perguntar.
  
Empregadores: incentivo fiscal para adesão ao sistema e satisfação e qualificação dos empregados;
A política de renúncia fiscal empreendida pelos governantes brasileiros é impressionante. A Lei Rouanet, dinheiro público para os departamentos de marketing das grandes empresas dizerem o que é cultura, já passa da cifra de 15 bilhões e as maiores "patrocinadoras" são empresas estatais, logo, o dinheiro é público duas vezes.
Banco quebra: procura o Estado; empresa vai falir, o Estado socorre; Usineiro com problemas na produção do alcool, lá vai o Estado... Dinheiro para saúde, educação, cultura... não tem. Só tem dinheiro para o grande capital. E por aí ainda tem gente que acredita que temos um governo de esquerda!!! apesar de trágico, não deixa de ser cômico.

Mercado: injeção de R$ 7,2 bilhões/ano na cadeia produtiva da Cultura;
O mercado nunca perde no sistema capitalista. Ou alguém já ouviu dizer que o mercado quebrou? Quando uma instituição "quebra" quem se ferra são sempre quem investiu, quem tem ações, quem tinha conta lá; quando uma empresa vai a falência, quem se ferra são seus empregados. Nunca ouviu dizer que um banqueiro quebrou e foi morar em uma favela!
Aliás, a coisa está tão boa para o mercado cultural (logo, cultura como mercadoria e não como desenvolvimento humano), que foi criado até uma Secretaria de Economia Criativa. É, o grande boom no momento é vender saber, ideias... conhecimento não é mais direito da humanidade é mercadoria. Tem dinheiro, você leva. Se não tem... ah! coitado! Ah, não sabia, no momento cultura e mercado, tudo a ver!
 
Artistas: escoamento da produção cultural e ampliação da demanda;
Quais artistas que irão ganhar? Aqueles que produzem mais-valia para as grande empresas de entretenimento? Ah! Esses artistas! Mas e a possibilidade de expressão que é inerente ao ser humano, a ideia de que todos podem ser artistas, isso não vale? Ah!, eles não veem sua arte como negócio. Logo, estão fora!
 
Ministério da Cultura: avanço na política de democratização do acesso aos bens e serviços culturais.
Minc dá uma forcinha aí para a indústria cultural que está tão mal das pernas. Aliás, uma produção como o cinema, que de fato se organiza como indústria, é dominada por uma rede de televisão (plim! plim!), que acabou com o cinema dito mais artesanal. A democratização é fazer que a produção dessa meia dúzia de pessoas chegue ainda a mais brasileiros, para ferrar ainda mais com suas mentes, gostos... Ah! achava que isso se chamava demonização e não democratização.

(Texto: Ascom/ MinC)
(Foto: Mário Agra)
(Inserção: texto em vermelho)


domingo, 6 de janeiro de 2013

Decreto pode influenciar nas apresentações públicas no Parque Farroupilha em Porto Alegre/RS

Como será que os Decreto abaixo influenciará nas apresentações de teatro de rua de Porto Alegre? Fica a questão.
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Prefeitura Municipal de Porto Alegre
DECRETO Nº 18.103, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2012.
Declara Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental a ser preservado, o Parque da Redenção, bem como seus mobiliários urbanos, restringe seu uso e veda qualquer alteração em suas paisagens urbanas.


    O PREFEITO MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE, no uso de suas atribuições legais,
 
    Considerando a necessidade de proteção cultural e ambiental do Parque Farroupilha (Redenção) e de seus mobiliários urbanos, no Município de Porto Alegre;
 
    considerando o previsto no artigo 94, inciso XII, combinado com os artigos 128 e 196, todos da Lei Orgânica do Município, que outorgam competência para fins de acautelar e preservar o Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Município;
 
    considerando a urgência no processo de acautelamento e preservação do referido patrimônio e de seu mobiliário urbano;
 
    considerando a necessidade de regulação do uso dos seus espaços e do seus mobiliários urbanos, não permitindo alterações significativas que conflitem ou prejudiquem o novo cenário consolidado atualmente; e
 
    considerando que todas as ações administrativas dos diferentes órgãos da Prefeitura Municipal de Porto Alegre devem ter coesão estratégica, otimizando e racionalizando o aproveitamento dos recursos públicos existentes,
 
D E C R E T A:
 
    Art. 1º Fica declarado Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental a ser preservado o Parque Farroupilha (Redenção), no Município de Porto Alegre.
 
    Art. 2º Ficam determinadas totais restrições, ao uso dos espaços, equipamentos e mobiliários urbanos, bem como a instalação de barracas e de equipamentos de som, no entorno do Monumento do Expedicionário e do Espelho D’água, localizado no Parque Farroupilha (Redenção).
 
    Parágrafo único. Em casos excepcionais, com a avaliação técnica da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), a qual não terá efeito vinculante, o Gabinete do Prefeito (GP) poderá conceder autorização ou permissão para as práticas de atividades previstas no “caput” deste artigo.
 
    Art. 3º Afora as restrições no entorno do Monumento do Expedicionário e do Espelho D’agua, aludidas no art. 2º deste Decreto, fica a Smam autorizada a tomar todas as medidas para a conservação do restante do Parque Farroupilha (Redenção).
 
    Art. 4º Toda e qualquer autorização ou permissão concedida anteriormente a este Decreto, por qualquer órgão da Administração Pública, para o uso dos espaços, equipamentos e mobiliários urbanos que integram o entorno do Monumento do Expedicionário e do Espelho D’água, localizado no Parque Farroupilha (Redenção), será automaticamente revogada com a publicação deste.
 
    Art. 5º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
 
    PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE, 10 de dezembro de 2012.
 
    José Fortunati,
    Prefeito.
Registre-se e publique-se.
 
Urbano Schmitt,
Secretário Municipal de Gestão e Acompanhamento Estratégico.