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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Carta de João Pessoa - XI Encontro RBTR

CARTA DE JOÃO PESSOA

Vi uma grande máquina que passava por cima de tudo que existe na floresta. Os animais fugiam com o barulho dos motores; mulheres e crianças choravam; os homens entregavam suas vidas para defender suas famílias; mas a máquina passava por cima de tudo, arrancava as árvores pelas raízes. Depois que ela passou, só restou escuridão. Entender o que vi, não foi difícil. Estamos em um momento muito delicado em nossa história, onde os valores estão em ter, possuir e lucrar a qualquer custo. Estão atropelando a Constituição! Estão devorando a Amazônia em grandes fatias, nas quais os recursos naturais são o recheio, a cobertura deste bolo é o sangue, o sofrimento é a musica, e a vela é a floresta em chamas.

 

Juliano Espinhos, integrante do Grupo Experimental de Teatro de Rua e Floresta VIVARTE – Rio Branco/Acre.

 

A Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR), criada em março de 2007 em Salvador/BA, é um espaço físico e virtual de organização horizontal, sem hierarquia, democrático e inclusivo. Todos os grupos de teatro, trabalhadores da arte, pesquisadores e pensadores envolvidos com o fazer artístico de rua, pertencentes à RBTR, podem e devem ser seus articuladores para, assim, ampliar e capilarizar, cada vez mais, reflexões e pensamentos, com encontros, movimentos e ações em suas localidades.

O intercâmbio da RBTR ocorre de forma presencial e virtual; entretanto, toda e qualquer deliberação dar-se-á nos encontros presenciais. Os seus articuladores realizarão, ao menos, dois encontros anuais de forma rotativa, de modo a contemplar e valorizar as diversidades de todas as regiões do país. Articuladores e coletivos regionais de todos os Estados deverão organizar-se para garantir a sua participação nos encontros, e dar continuidade aos trabalhos iniciados nos Grupos de Trabalho (GTs), a saber: 1) Política e Ações estratégicas; 2) Pesquisa; 3) Colaboração artística; 4) Comunicação.

A Rede Brasileira de Teatro de Rua, reunida de 13 a 16 de setembro de 2012 no Galpão Usina de Artes, sede do Grupo de Teatro Quem Tem Boca é Pra Gritar, na cidade de João Pessoa/PB, em seu 11º Encontro reafirma sua missão de:

·         Lutar por um mundo socialmente justo e igualitário que respeite as diversidades;

·         Contribuir para o desenvolvimento das artes públicas de rua, possibilitando trocas de experiências artísticas e políticas entre os articuladores da Rede;

·         Lutar por políticas públicas para as artes públicas, com investimento direto do Estado por meio de fundos públicos de cultura, estabelecidos em leis e com dotação orçamentária própria, através de chamamentos públicos, prêmios e processos transparentes, com comissões eleitas pela sociedade civil, garantindo assim o direito à produção e ao acesso aos bens culturais para todos os brasileiros;

·         Lutar pelo livre uso e acesso aos espaços públicos abertos, garantindo a prática artística e respeitando as especificidades dos diversos segmentos das artes públicas, em acordo com o artigo 5° da Constituição Brasileira;

 

Os articuladores da RBTR, com o objetivo de construir políticas públicas culturais mais democráticas e inclusivas, defendem:

·         A criação de leis de fomento para o teatro de rua, que assegurem produção, circulação, formação, trabalho continuado, registro e memória, manutenção, pesquisa, intercâmbio, vivência, mostras e encontros de teatro, levando-se em consideração as especificidades de cada região (por exemplo: a questão do "custo amazônico" que, embora tenha sido votada como prioridade na II Conferência Nacional de Cultura, continua sendo ignorada);

·         O debate e a criação, junto ao poder público, de marcos legais para a plena utilização dos espaços públicos abertos (a exemplo da Lei do Artista de Rua, recentemente aprovada na cidade do Rio de Janeiro e do PL 1096/2011, que regulamenta as manifestações culturais de rua); bem como a extinção de todas e quaisquer repressões, cobranças de taxas e excessivas burocracias para as apresentações de trabalhadores da arte de rua;

·         A ocupação prédios passíveis de serem considerados de utilidade pública e que não cumprem sua função social, transformando-os em sedes de grupos que desenvolvam ações continuadas;

·         Que os editais federais sejam publicados no primeiro trimestre de cada ano, com maior aporte de verbas, e que estas sejam liberadas sem atrasos, respeitando-se os prazos estipulados pelo edital, bem como a divulgação de parecer técnico de todos os projetos avaliados pela comissão juntamente com a lista de contemplados e suplentes;

·         Que os editais sejam estruturados de acordo com as realidades de cada Estado, para os quais sejam criadas comissões igualmente regionalizadas, indicadas pela RBTR e pelos movimentos artísticos organizados de cada região, bem como a criação de mecanismos de acompanhamento e assessoramento aos trabalhadores da arte e aos grupos fazedores das artes públicas de rua;

·         A representatividade do teatro de rua nos colegiados setoriais e conselhos das instâncias municipais, estaduais e Federal;

·         A aprovação e regulamentação imediata da PEC 150/03 (atual PEC 147), que vincula para a cultura, o mínimo de 2% do orçamento da União, 1,5% do orçamento dos estados e Distrito Federal e 1% do orçamento dos municípios;

·         A criação de uma legislação de licitação e contratação específica para a cultura, uma vez que a lei 8.666/93 não contempla as singularidades da área cultural;

·         A extinção da Lei Rouanet e de quaisquer mecanismos de financiamentos que utilizem a renúncia fiscal, rejeitando portanto, a sua reforma - o PROCULTURA - por compreendermos que a utilização da verba pública deve ocorrer por meio do financiamento direto do Estado, através de programas em formas de prêmios elaborados pelos segmentos organizados da sociedade;

·         A inclusão, nas matrizes curriculares das instituições públicas de ensino de teatro a nível técnico e superior, de disciplinas voltadas especificamente para a cultura popular brasileira, o teatro de rua e o teatro da América Latina;

·         O financiamento de publicações e estudos específicos sobre o teatro de rua e a cultura popular como meio de registro, valorização e respeito às suas formas e saberes, e a sua ampla distribuição.

Frente a um processo histórico que prima pela higienização e pela criminalização dos movimentos sociais, a RBTR apoia e defende as lutas e conquistas do Fórum de Teatro da Cidade de João Pessoa - PB.

O Teatro de Rua é símbolo de resistência artística, agente cultural comunicador e gerador de sentido, propositor de novas razões no uso dos espaços públicos abertos. Assim, reafirmamos o dia 27 de março - Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo - como o dia de mobilização nacional de políticas públicas para as artes públicas, e conclamamos os trabalhadores das artes de rua e a população brasileira em geral a lutarem pelo direito à cultura e ao digno exercício de seu ofício.      

Foi deliberado pelo conjunto dos articuladores presentes que os encontros da RBTR, em 2013, serão sediados nas cidades de Brasília/DF (fevereiro) e Rio Branco/AC (agosto).

 

"A esperança é a última que morre e o ator é o penúltimo. Enquanto houver um ator, a esperança não morre." Amir Haddad

 

 

16 de setembro de 2012, João Pessoa, Paraíba.

 

REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA (RBTR)



MOÇÃO DE APOIO AO GRUPO DE TEATRO POPULAR FILHOS DA RUA DE SALVADOR – BAHIA

 

 

Os Articuladores e Articuladoras da Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR, reunidos no seu XI Encontro Nacional de Articuladores, no período de 13 a 16 de setembro de 2012, na cidade de João Pessoa, na Paraíba, vem por meio dessa moção expressar o apoio ao Grupo de Teatro Popular Filhos da Rua, de Salvador – Bahia, na luta pela garantia da permanência do grupo no espaço que ocupa no prédio do Palácio da Aclamação, no Passeio Público, na cidade de Salvador e solicita do Governo do Estado da Bahia, através da sua Secretaria de Cultura – SECULT, suas vinculadas e do Conselho Estadual de Cultura da Bahia – CEC/BA, o reconhecimento do Grupo de Teatro Popular Filhos da Rua e do seu Espaço Cultural Tupinambá, bem como o apoio institucional, técnico e financeiro para o desenvolvimento das ações, projetos e atividades do grupo.

 

João Pessoa, Paraíba, 16 de setembro de 2012.

REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA - RBTR

 

 

MOÇÃO DE APOIO AO GRUPO DOLORES BOCA ABERTA MECATRÔNICA DE ARTES DE SÃO PAULO – SÃO PAULO

 

 

Os Articuladores e Articuladoras da Rede Brasileira de Teatro de Rua – RBTR, reunidos no seu XI Encontro Nacional de Articuladores, no período de 13 a 16 de setembro de 2012, na cidade de João Pessoa, na Paraíba, vem por meio dessa moção expressar o apoio ao Grupo de Teatro Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes, de São Paulo-SP, pela sua ação e ocupação cultural na Praça Artur Alvim, bem como exigir do poder público, a permanência do monumento aos trabalhadores, criado ao longo de quinze dias naquele local.

 

João Pessoa, Paraíba, 16 de setembro de 2012.

REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA - RBTR




terça-feira, 18 de setembro de 2012

Carta de Juliano Espinhos compartilhada na roda XI Encontro da RBTR

 

Somos Articuladores de uma rede onde os peixes alimentam o imaginário e traz a reflexão e transforma o interior, tanto de nós quanto de quem vê.     Vou neste momento falar de uma cena, que durante uma rodada de Aywhaska me tomou e levou-me a - hoje com muito carinho mais uma imensa preocupação - lhes escrever.

Vi uma grande maquina que passava por cima de tudo que existe na floresta. Os animais fugiam com o barulho dos motores, mulheres e crianças choravam, os homens entregavam suas vidas para defender suas famílias, mais a maquina passava por cima de tudo, arrancava as arvores pela raízes. Depois que ela passou, só restou escuridão. Não se escutava nem um zogui- zogui  a gritar, nem formas nem cores não existia mais vida.

Depois deste trabalho (ritual) tentei entender o que vi  não foi difícil. Essa máquina é o sistema insustentável, herdado e conservado no formol, que defende interesses de uma minoria que, cegados pela ilusão de serem Deuses, passam por cima de tudo e todos. Estamos em um momento muito delicado em nossa História, onde os valores estão em ter, possuir, lucrar a qualquer custo está atropelando a Constituição, como foi em Belo Monte. Estamos caminhando cada vez mais em direção de um caminho de um governo totalitário, com interesses e ação inconsequentes; estão devorando a Amazônia em grandes fatias, onde os recursos naturais são o recheio e a cobertura deste bolo é o sangue, o sofrimento é a musica, a vela é a floresta em chamas.

Fiquei mais assustado quando recebi uma noticia de um amigo Huni  Kuin que eu estava aguardando chegar a Rio Branco, que ele não iria mais vir, pois precisava ir para a aldeia com urgência, pois sua aldeia foi atacada por outros índios Brabos (conhecidos também por isolados, pois resistem na floresta em outro sistema o de sua cultura), como este, ocorreu mais um conflito com este mesmo grupo mais em uma comunidade ribeirinha. Ainda não se sabe o número de mortos. Na escola estudamos sobre as correrias e extermínio dos povos indígenas e parece coisa distante. Este fato aconteceu ontem, estes isolados vieram fugidos, pois, devido a pressão da grande máquina, seu território está sendo destruído e as correrias os empurram do Pacífico, para as terras do Acre, forçando estes povos a entrarem em comunidades ribeirinhas e aldeias de outros povos na busca de ferramentas e alimentos, causando conflitos.

Outra informação que me deixou chocado foi o massacre de 80 (oitenta) Yanomames na Colômbia por garimpeiros, também na Amazônia. Como falei estamos em um momento muito delicado.  Alguns podem se perguntar, mais o que isto tem haver com um encontro de grupos de teatro de rua que tratam de políticas públicas para o teatro?

Somos Articuladores de uma rede onde os peixes alimentam o imaginário e traz a reflexão e transforma o interior, tanto de nós quanto de quem vê. Este também é o custo Amazônico: custa os sonhos, a Alegria, a diversidade, a vida, os direitos humanos... Que é atropelado pelo "progresso". Esta é a realidade de um grupo que carrega a rua e a floresta. Acredita nesta rede articulada com a construção  de ações  integradas com as realidades e os povos, a floresta e o mar, em busca da construção de um teatro transformador e que revoluciona de dentro pra fora. Pois com nosso fazer chegamos ao interior das pessoas e juntos formamos um coro que ecoa, com pensamento firme e braços fortes, com coragem e um imenso coração.

Juliano Espinhos - Grupo Vivarte teatro de rua e floresta comunitário, artístico cultural, político, social e ambiental. Rio Branco-Acre._._,_.___

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

TEATRO DE RUA DISCUTE O NOVO MINISTÉRIO DE MARTA SUPLICY EM JOÃO PESSOA-PB


TEATRO DE RUA DISCUTE O NOVO MINISTÉRIO DE MARTA SUPLICY


Atores, produtores, grupos e companhias de teatro de rua representantes de 21 estados do Brasil, estão reunidos, em João Pessoa, para discutirem as políticas públicas e as diretrizes culturais, que vêm sendo adotadas no Brasil nos âmbitos municipais, estaduais e federal nos últimos cinco anos; entre elas, a substituição dos ministros Gilberto Gil, Juca Ferreira, Ana de Hollanda e, agora, Marta Suplicy. Esta toma posse hoje, às 11 horas da manhã – mesmo horária da plenária de abertura do evento.

Eles são integrantes da RBTR - Rede Brasileira de Teatro de Rua – organização nacional, criada em 2007, em Salvador-BA, que tem como missão articular e orientar o movimento desta modalidade para intervir na política, educação e economia no Brasil e na América Latina.

Neste curto tempo de vida, a Rede, como é carinhosamente chamada, teve várias conquistas, tais como:

ü  edital Artes na Rua – FUNARTE;

ü obrigatoriedade na programação dos Festivais Internacionais de Teatro apoiados financeiramente, também pela FUNARTE, de espetáculos de teatro de rua;

ü  participação de seus representantes nas comissões de seleção de editais públicos;

ü  participação de seus representantes na CNPC do MinC;

ü  aumento do número de festivais de teatro de rua em todo o país;

ü  elaboração e aprovação de leis municipais e federais de proteção ao artista de rua;

ü  estímulo ao registro de processos coletivos e colaborativos;

ü  estimulo a crítica específica a partir de outros parâmetros conceituais;

ü  inserção de disciplinas de teatro de rua nos cursos de graduação em teatro;

ü  criação do GT Artes Cênicas na Rua na Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cências;

ü  publicação de livros e artigos sobre teatro de rua;

ü  realização do II Congresso Brasileiro de Teatro, em Osasco-SP, em parceria com a Cooperativa Paulista de Teatro

ü realização de 11 encontros nacionais presenciais: João Pessoa-PB, Santos-SP, Teresópolis-RJ, São Paulo-SP, Salvador-BA (2) Recife-PE, Campo Grande-MS, Rio Branco-AC, Aldeia de Arcozelo-RJ, Canoas-RS.

 

Após a avaliação da atual conjuntura política e cultural (no Brasil e no mundo) que determina as condições do artista-trabalhador e das mudanças que devem ocorrer com a gestão da nova ministra da cultura, Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores, a RBTR pretende escrever e divulgar à imprensa e ao público em geral, ao final do evento, uma carta com as principais propostas debatidas e decididas em consenso. A Carta de João Pessoa deve ser entregue em mãos à nova ministra em audiência solicitada por uma comissão nacional da RBTR composta por representantes das cinco regiões do páis.

O encerramento da reunião, no domingo, 16, terá uma palestra sobre ARTE PÚBLICA proferida pelo maior diretor de teatro do país, Amir Haddad, criador do grupo carioca Tá Na Rua. Este tema vem servindo de suporte teórico para o melhor entendimento  da função social e política do teatro de rua junto aos artistas, políticos e gestores culturais públicos e privados.

O XI Encontro Nacional da RBTR ocorre de 13 a 16 de setembro de 2012, na sede do grupo paraibano QUEM TEM BOCA É PRÁ GRITAR – 30 ANOS!

Endereço/SEDE

LADEIRA SÃO PEDRO GONÇALVES, Nº 69  (VIZINHO AO HOTEL GLOBO)

 

VARADOURO – Centro Histórico de João Pessoa

 

CONTATOS:

 

Humberto Lopes: (83) 88117272

Mirthia Guimarães: (83) 88278367

Ademilton Barros: (83) 88710847

Maycon Nascimento: (83) 87913816

Clara Julie: (83) 88979279

Roana: (83) 88038657

João Paulo: (83) 87347780

Cleiton Teixeira: (83) 88123702

Joelson Topete: (83) 86214220 

 


10 anos de FOMENTO

MOSTRA 10 ANOS DE FOMENTO

 

Dias 21, 22, 23 e 24 de novembro

 

O Teatro vai mudar a rotina cultural da cidade

 

 

 

Participação de grupos fomentados e não fomentados

 

Cooperados e não cooperados

 

Mais de 30 espaços distribuídos pela cidade

 

Espetáculos de sala, rua e espaços não convencionais

 

Apresentações de processo e experimentos

 

Compartilhamento de pesquisa

 

 

Participe 

 

Coloque seu trabalho artístico na programação!

 

OBS: Considerado o grande o interesse em participar da mostra apresentando espetáculos, os espaços oferecidos pelos coletivos têm se mostrado insuficientes para abrigar toda a programação. Por isso, reiteramos o pedido para que os grupos que quiserem e puderem disponibilizar os espaços para acolher as apresentações da mostra, também entrem em contato pelo e-mail abaixo.  

 

fomento@cooperativadeteatro.com.br

 

Toda a programação estará em aberto até o dia 24 de setembro.

 


Manifesto de Mossoró

Mossoró, 20 de julho de 2012

Queremos, oficialmente, decretar, a partir desta data, 20 de julho de 2012, "estado de calamidade pública da cultura mossoroense" e do "Estado do Rio Grande do Norte."
Gritamos para os mossoroenses, potiguares e para as demais tribos brasileiras, que a atual situação de nossa cultura é vexatória, humilhante, desprezível, cruel e discriminatória. Os  fazedores de cultura de Mossoró-RN estão sendo mal tratados pelos poderes públicos municipal e estadual.
O poder público de Mossoró vem tentando fazer a população mossoroense e até mesmo os próprios artistas acreditarem que vivemos numa cidade que respira arte, e que temos um movimento cultural apoiado pela Prefeitura. Nós estamos aqui para contestar, protestar e dizer que todo este alarde não passa de uma grande MENTIRA.
Mossoró hoje possui apenas uma política de eventos. Caracterizada pelos grandes espetáculos ao ar livre e pelo total desprezo aos que fazem espetáculos de teatro, de dança, de música, publicam livros, dançam quadrilhas juninas, os povos de terreiros, os capoeiristas, os das artes plásticas e visuais, que de forma independente realizam seus trabalhos dentro de seus grupos artísticos, e até mesmo os que trabalham individualmente. O acesso aos eventos como "Chuva de Bala no País de Mossoró" e "Auto da Liberdade" se dão apenas mediante a preferência e gosto pessoais dos que comandam politicamente a cidade.
Do poder público municipal, queremos re-clamar do Museu Lauro da Escóssia, que mesmo sendo o único da cidade, encontra-se fechado desde o ano 2000; da Biblioteca Pública Ney Pontes Duarte, com seu acervo atrasado e que por incrível que pareça ainda usa uma máquina de datilografia com teclas quebradas para registrar seus novos filiados; da coleção Mossoroense, que já ostentou o título de maior publicadora de livros do país, e que hoje sofre por falta de apoio; da situação das quadrilhas juninas, que foram praticamente exterminadas dos bairros da cidade, em função de um evento que atualmente conta apenas com as duas últimas remanescentes; da condição dos pequenos artesãos que precisam de espaço adequado para comercialização de seus produtos; da situação de coadjuvantes que se encontram os músicos da cidade, que assistem corais, bandas e profissionais de outras praças protagonizando os grandes eventos promovidos pelo poder público mossoroense, com pouquíssimo direito de participação; da espera das escolas de samba que são enganadas com um pretenso apoio para um carnaval que não existe, mas que a mídia patrocinada pelo poder faz acreditar que exista; do descaso com o patrimônio histórico de Mossoró, que está sendo destruído sem dó nem piedade, acabando com os últimos resquícios de nossa memória arquitetônica; do funcionamento da Escola de Artes, recém-criada, mas que já se caracteriza como espaço eleitoreiro, sem condições mínimas para a formação artística nas áreas que contempla; do acesso ao Teatro Dix-Huit Rosado, que apesar de manter uma programação regular de espetáculos, principalmente de fora, ainda não foi devidamente apropriado pelos artistas mossoroenses; das praças, das feiras e de outros logradouros públicos, que muitas vezes deixam de receber o trabalho dos artistas, devido à arrogância e total falta de sensibilidade e inteligência dos gestores, que enviam aos artistas seus seguranças inibidores de apresentações; do formato atual do Prêmio Fomento, que conta apenas com 160 mil reais divididos para todos os segmentos artísticos, e que só acontece de acordo com a vontade dos administradores.
Da Prefeitura Municipal de Mossoró, EXIGIMOS a ampliação e a valorização do Prêmio de Fomento à Cultura; editais para escolha dos diretores de teatro dos autos mossoroenses, que atualmente estão sendo escolhidos apenas pelo critério da amizade; exigimos ainda apoio para as manifestações artísticas realizadas nos bairros, como forma de descentralizar as ações da Prefeitura, que hoje se concentra apenas no chamado Corredor Cultural; exigimos a valorização dos grupos e artistas de Mossoró, e respeito aos nossos profissionais; exigimos que a Escola de Artes de Mossoró seja devidamente equipada com tablados para dança e sala para teatro e tratamento acústico para as salas de música.   

Em relação ao Governo do Estado que vem, a exemplo do nosso município, também, adotando uma política de grandes eventos, sem nenhuma preocupação com os grupos e artistas independentes, tendo praticamente todas as suas ações voltadas para o fortalecimento e criação de autos e reduzido os editais para montagem e circulação de espetáculos dos grupos.
Paralelo a isso, a Secretária Extraordinária de Cultura do Estado, Senhora Isaura Rosado, diz que está atendendo a um pedido da classe artística, mas o que lembramos são dos nossos inúmeros pedidos para pagamentos dos editais, nos quais dezenas de grupos artísticos foram contemplados, para montagem e circulação, no governo passado, mas que não receberam.
Do Poder Público Estadual, QUEREMOS o imediato pagamento dos prêmios "Lula Medeiros" de Teatro de Rua e "Chico Villa" de Circulação. Queremos a reforma do Teatro Lauro Monte Filho, que atualmente encontra-se fechado e interditado pelo Corpo de Bombeiros desde o ano de 2008, e desde então serve de chiqueiro para pombos e morcegos. Coberto pela poeira, vergonha e hipocrisia dos gestores. Queremos editais para montagem e circulação de espetáculos de teatro, de dança e de música; para a literatura de cordel, para a cantoria de viola, para a publicação de livros, para a programação das casas de cultura, estas sucatas abandonadas em diversas cidades do nosso RN; para a produção das artes visuais e do artesanato; para a produção de CDs, exposições fotográficas, e demais manifestações de nossa cultura, dos mais variados segmentos.
Exigimos a volta do Festival Agosto de Teatro, pensado e realizado pelos artistas deste Estado, mas afogado por mais um evento, imposto pela extraordinária Isaura Rosado, à revelia dos artistas do Estado e seu público.  
No plano nacional, também queremos pedir a ministra Anna de Holanda que retome o formato democrático e aberto, que tanto festejamos no Governo Lula da Silva. QUEREMOS a Funarte atuante e para todo o Brasil.
EXIGIMOS DE TODOS OS PODERES, A PARTIR DE AGORA:
TRANSPARÊNCIA, DEMOCRATIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO.  

Assim QUEREM E EXIGEM:

Arruaça de Teatro, Companhia Escarcéu de Teatro, Companhia Mythus, Companhia Xaréu de Teatro, Grupo de Teatro O Pessoal do Tarará, Grupo Focart, Coletivo Juízo Torrado Realiza Ações, Pau e Lata, Núcleo de Dança Nilson Torres, Grito dos Excluídos, Carlos José, Rogério Dias, Walter Silva.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

RBTR: mais um encontro?


"Em que o senhor está trabalhando?" perguntaram ao Senhor K. O senhor K. respondeu: "Eu tenho muito trabalho. Eu preparo meu próximo erro."
Histórias do Senhor Keuner. Bertolt Brecht

A Rede Brasileira de Teatro de Rua (RBTR), nascida em março de 2007 na cidade de Salvador-BA, retorna ao Nordeste para mais um encontro de seus articuladores que pode vir a ser histórico. Já se vão pouco mais de cinco anos de muita luta com muitos frutos, derrotas e vitórias. A RBTR, no âmbito teatral, continua a ser o único movimento organizado nacionalmente. Isso não é pouco, sobretudo se pensarmos nas dimensões continentais de nosso país e nos altos custos de deslocamento dos articuladores para participarem dos encontros, na maior parte, com recursos próprios.
Acredito demais na força política desse coletivo – muito embora, acho que ainda seja pouco utilizado em toda a sua potência. Se pensarmos nas diversas ações realizadas em todo o Brasil por grupos e movimentos que são ligados a RBTR, como mostras, congressos, encontros, entre outros, não é pouco o que se tem feito e essas ações dialogam diretamente com as classes subalternas, para utilizar uma expressão gramsciana. Ora, as ações são atos que apontam para uma potência extraordinária: a possibilidade de auxiliar na transformação de toda a sociedade; tarefa que não cabe a um movimento, mas a todos os interessados, sobretudo aqueles diretamente atingidos pelas mazelas sociais.
Desde Platão, em sua obra A República, aprendemos que nós, os artistas populares, não cabemos na sociedade, pois somos a peste, como afirma Amir Haddad. Assim, se o teatro, dito popular, jamais foi aceito pelos mandatários ou dito em outros termos, pela classe dominante – o que nos atinge diretamente –, está claro o nosso lado: os desterritorializados, os "sem história", os subalternos, os trabalhadores. Dessa forma, um encontro de um coletivo com essa potência deveria restringir a discussão apenas às políticas públicas (ainda que não seja pouca coisa)? Ou devemos também debater os rumos da sociedade brasileira? O nosso encontro é sempre político, não apenas porque vivemos em sociedade e estamos em relação, mas porque fazemos parte desse mundo e estamos inseridos em um sistema perverso que mesmo falido, pode levar o ser humano bancarrota.
Com o que trabalhamos? Com o simbólico. Portanto, com a possibilidade de crítica e de transformação do mundo. Somos, ou deveríamos sê-lo, a contra-hegemonia. Hegemonia é mais um termo gramsciano, utilizado para a discussão no campo da cultura; hoje a hegemonia está posta por uma minoria, a classe de privilegiados que domina, impondo sua liderança moral e intelectual. Os artistas de rua têm a possibilidade de ser contra-hegemônico (e muitos são), porque pode apresentar um projeto orgânico, a partir dos de baixo. Somos orgânicos, porque somos povo. A cultura é um campo de disputa, na qual se pode construir – como afirmou Eduardo Granja Coutinho em Comunicação e contra-hegemonia (2008: 9) – "[...] uma visão de mundo capaz de resistir e se contrapor às ideias dominantes". Essa resistência político-cultural é o que Gramsci chamou de contra-hegemonia.
A dialética nos ensina que as análises devem partir do todo para as partes e depois percorrer o caminho em ordem inversa. Logo, se quisermos ser contra-hegemônicos é preciso saber o que ocorre no mundo, isto é, como as "ditas grandes decisões políticas" chegam ao Brasil e como isso se reflete em cada canto do país. A partir disso é possível traçar ações em nossas localidades, ações do movimento como um todo e ações conjuntas com outros parceiros.
O capitalismo é voraz e se transforma rapidamente. Milton Santos, antes de falecer já havia cantado a bola sobre as grandes migrações sociais e sobre os fluxos técnico-informacionais, demonstrando a perversidade da globalização, mas também das possibilidades. As perversidades são mais obvias e já iremos discorrer sobre algumas. Quanto às possibilidades de mudança: as culturas estão cada vez mais misturadas o que leva a uma crise da hegemonia da racionalidade ocidental; novas tecnologias têm sido apropriadas por camadas subalternas, possibilitando certa revanche cultural. Esses são apenas dois aspectos das mudanças.
No campo das perversidades, apesar do neoliberalismo insistir, tem demonstrado a sua incapacidade de sustentação do capitalismo. No entanto, as classes dominantes, aliado aos governantes das nações ditas desenvolvidas e as em desenvolvimento, tem feito de tudo para sustentarem o insustentável. O ataque inicial foi sobre as garantias dos trabalhadores (e continua a ser, diga-se de passagem), bem como com a privatização e a transferência de responsabilidades do Estado para a iniciativa privada – daí a proliferação de organizações não-governamentais (ONGs, Oscips etc.); depois, veio a radicalização com a financeirização econômica, levando a sucessivas crises, até a crise estrutural que vem se arrastando desde 2008, levando a quebradeira de vários Estados Nacionais, como Grécia, Espanha, entre outros. Tudo isso vem sendo pago por quem sempre pagou a conta: os trabalhadores. O Estado brasileiro também vem seguindo a receita ditada pelo grande capital: está endividando a todos e desonerando as empresas, que vem recebendo cada vez mais diversas benesses por meio da isenção de impostos. Tudo em nome da competitividade da indústria brasileira. Além do endividamento (que uma hora será cobrado), os trabalhadores vêm sofrendo outros ataques, como, por exemplo, a desoneração das empresas deixará um vácuo de R$ 7 bilhões na Seguridade Social. O Fundo do Regime Geral da Previdência Social (que pode fazer uma distribuição de renda aos trabalhadores) sofreu com o ataque das renúncias fiscais entre 2005 e 2011 um rombo R$ 114,25 bilhões (Cf. Le Monde Diplomatique Brasil, n. 62, setembro de 2012).
Se o campo técnico-informacional pode representar avanços para todos, já que o conhecimento pode ser partilhado com maior rapidez e facilidade, as ferramentas e as pessoas interessadas nisso vem sendo perseguidas com leis reacionárias em países como os Estados Unidos da América, por exemplo. Por aqui, parece que continuamos seguindo a ótica do "se é bom para os EUA, é bom para o Brasil", pois projetos de leis vêm tramitando no Congresso Brasileiro para enquadrar a internet (Cf. Caros Amigos, n 184, julho de 2012). Afinal conhecimento no sistema capitalista é mercadoria. Quem quiser ter acesso que pague. E é por essa via que o capitalismo vem se reinventando, no campo do conhecimento, da cultura e das mazelas sociais.
O capitalismo está se reinventando no campo do conhecimento porque vivemos sob uma crise de superprodução e para vender um produto é preciso fazê-lo sempre, já os saberes, não. Uma ideia depois de criada, pode ser vendida indefinidamente. É nessa ótica que a economia criativa entra, sob o manto de que qualquer um pode ser um empreendedor e ganhar dinheiro com suas ideias. É essa a principal pauta do Ministério da Cultura, que já tem modelo na sociedade, como "movimentos que pensam dentro do eixo". No campo das mazelas e na transmissão de responsabilidades ou na dita filantropia capitalista, as somas "investidas" (melhor seria dizer ganhas) em grandes ONGs internacionais são astronômicas. Michael Edwards, diretor de governança da Fundação Ford, em artigo escrito na Revista Fórum de agosto de 2008, afirma que só nos EUA a soma para os próximos 40 anos giram em torno de US$ 55 trilhões. Tudo isso para atacar os sintomas e não as causas. Por fim, o dito acesso às universidades tem criado uma dívida para os estudantes, muita das vezes, impagáveis em muitos países (Cf. Le Monde supracitado).
Dessa forma, conhecimento, cultura e as mazelas sociais, geradas pelo próprio capitalismo, têm servido de fonte de lucro para os privilegiados de sempre. E, por outro lado, o suposto acesso a formação e às migalhas recebidas de instituições duvidosas, pacifica a todos, deixando a população incapaz de responder a altura, posto ser freada na sua fúria. A arte é uma forma de conhecimento e seus fazedores não podem se furtar a discutir todos esses problemas, que são de todos. Quem está preocupado com os "rumos" políticos precisa aprofundar a discussão sobre esses e tantos outros problemas que estão postos para aqueles que visam criar uma arte contra-hegemônica, uma arte que desvele o que parece natural. Para fazê-lo é preciso não temer a discussão e nem o erro.
"Uma andorinha só não faz verão, mas pode acordar o bando todo", disse o poeta Binho, por isso, é preciso disputar a subjetividade do nosso público, tão massacrado com a perversidade da indústria cultural. Nossa arte não pode repetir o que já está posto pelos veículos hegemônicos. Para isso é preciso destrinchar todos esses problemas. Já para potencializar essas ações, devemos escolher os parceiros, que no meu entender, são todos aqueles que lutam por um mundo mais justo. Por fim, é tarefa de um encontro como esse da RBTR, se não resolver, ao menos não fugir a esses desafios.

Adailtom Alves Teixeira







domingo, 2 de setembro de 2012

Dez grupos de teatro de bonecos em praça pública

SOBREVENTO LEVA DEZ GRUPOS DE TEATRO DE BONECOS A PRAÇA DA ZONA LESTE DE SÃO PAULO DE GRAÇA
 
Nove das melhores companhias de Teatro de Bonecos do Brasil e um convidado especial da República da Coréia se apresentam, de graça, no PARQUE RAUL SEIXAS (Rua Murmúrios da Tarde, 211, Itaquera), na Zona Leste de São Paulo. As apresentações acontecem todos os domingos, de 12 de agosto a 28 de outubro, às 15h, no Projeto A Praça dos Bonecos, organizado pelo Grupo Sobrevento. A Mostra se encerra com a apresentação da Cia. Art Stage SAN, o nome mais importante do Teatro de Animação contemporâneo da República da Coreia, no dia 28/10, às 19h. Em sua quinta edição, A Praça dos Bonecos busca difundir o Teatro de Animação, congregar os artistas da área e descentralizar a produção artística, levando espetáculos da melhor qualidade à periferia da cidade de São Paulo, com ótimas condições técnicas, que incluem um palco, cadeiras e bom equipamento. O Projeto, copatrocinado pela Korea Foundation, é realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural – 2011. A Petrobras é patrocinadora do GRUPO Sobrevento.
 
PROGRAMAÇÃO:
 
02/09 : 15h - Cia. Mevitevendo - O Diário Mal-Assombrado
 
09/09 : 15h - Valdeck de Garanhuns - Simão e o Boi Pintadinho
 
16/09 : 15h – Cia. Teatro por um Triz - Pinóquio Etc e Tal
 
23/09 : 15h - Pia Fraus - Filhotes da Amazônia
 
30/09 : 15h – Furunfunfum - O Macaco Simão, Outras Histórias e Outras Canções
 
07/10 : 15h - Cia. Ópera na Mala - Baú de Histórias
 
14/10 : 15h - Grupo Sobrevento - Bonecos Aqui!
 
21/10 : 15h - Teatro Ventoforte - Um Rio que vem de Longe
 
28/10 : 19h (Apresentação Especial) - Art Stage SAN (República da Coreia)
Dallae's Story
 
GRUPOS E ESPETÁCULOS
A Praça dos Bonecos reúne, este ano, doze dos espetáculos mais apresentados e elogiados pelo público e pela crítica especializada, de nada menos que nove das mais importantes e renomadas companhias de Teatro de Animação do país (Furunfunfum, Mevitevendo, Ópera na Mala, Teatro por um Triz, Valdeck de Garanhuns, Truks, Ventoforte e Pia Fraus, além do Sobrevento) e uma convidada estrangeira especial: a Art Stage SAN (República da Coreia). Conheça os espetáculos e companhias, um por um:
 
Cia. Truks
O Senhor dos Sonhos
O espetáculo conta a história de Lucas, um velho e bem sucedido escritor, que relembra os tempos de sua infância, como um menino criativo, engraçado, simpático e, principalmente, sonhador! Se não navegava pelos sete mares, certamente estava a pilotar alguma nave espacial em planetas longínquos. E, como sempre, atrasado para ir à escola ou esquecido de suas lições e obrigações. O "Senhor dos Sonhos", ao confrontar as mirabolantes aventuras de Lucas com a necessidade que o menino tem de "ajustar-se" às regras sociais, é um espetáculo que discute, mesclando momentos lúdicos e divertidos com outros de delicada e leve poesia, o conflito em que se vêem as crianças, ao terem que se equilibrar, como que sobre uma corda bamba, entre a fantasia e a realidade. O grupo recebeu os principais prêmios do teatro para crianças do país, combinando uma dramaturgia rica a uma estética refinada de manipulação de figuras e bonecos, encantando as crianças com histórias bonitas, instigantes e repletas de fantasia e poesia.
 
Cia. Mevitevendo
O Diário Mal-Assombrado
Numa noite de lua cheia, dois curiosos encontram uma mala... E dentro dela um diário. Mas este não é um diário qualquer: nele estão escritas memórias de assombrações. Ao lerem suas histórias, eles libertam a Mulher-Caveira, a Velha do Saco, o Homenzinho Terrível, a Grande Malvada e outros personagens de arrepiar! Entre sustos e risadas, esses estranhos visitantes mostrarão que podem não serem tão feios assim... Nem tão malvados. Fundada em 1998, a Cia. Mevitevendo, especializada em máscaras e bonecos, tem circulado por todo o país, do Acre ao Rio Grande do Sul, e também pela Europa.
 
Valdeck de Garanhuns
Simão e o Boi Pintadinho
O Coronel Vicente Pompeu vai realizar uma grande comemoração em sua propriedade para celebrar o noivado da filha Rosinha. Simão, seu ajudante, fica encarregado de organizar todos os preparativos. O Coronel diz a Simão que a festa tem que ser uma grande folia brasileira. O Gringo e o Político, que se dizem amigos do Coronel, querem, porém, modificar tudo, inserindo "coisas mais modernas" e, para garantir que tudo vá sair do jeito que querem, soltam a Cobra-Grande para devorar o Boi Pintadinho, a principal figura da brincadeira organizada por Simão. Valdeck de Garanhuns é um dos principais bonequeiros populares do Brasil e um destacado representante do Mamulengo, o Teatro de Bonecos tradicional de sua terra natal, Pernambuco.
 
Teatro por um Triz
Pinóquio Etc e Tal
A aventura do boneco de madeira que queria ser gente é contada, de forma original, nesta adaptação do Teatro por um Triz. O espetáculo acontece dentro do ambiente de uma marcenaria onde, após receberem uma encomenda inusitada, quatro marceneiros lembram de Pinóquio e, através de materiais existentes na marcenaria – pedaços de madeira e ferramentas – resolvem contar passagens do clássico de Carlo Collodi. Os serrotes viram o monstro marinho que engole Gepeto, o martelo vira personagem do teatro de Papa-Fogo, etc. A montagem de Pinóquio Etc e Tal conta com a presença de quatro atores que, além de narrar a história, assumem personagens e manipulam bonecos, mesclando técnicas tais como uma adaptação do Bunraku (centenário teatro de bonecos japonês), teatro de objetos e máscaras.
 
Pia Fraus
Filhotes da Amazônia
A ideia central do espetáculo é a relação dos pais com seus filhotes, tanto entre os animais como entre os seres humanos, mostrando a proximidade existente nas relações entre pais e filhos de qualquer espécie. Os quadros do espetáculo apresentam histórias que revelam diferentes facetas a partir dessa situação. Bonecos trabalhados a partir de elementos simples e naturais misturam-se a uma manipulação casual, amparada por dança e música, que dá o tom de brinquedo e festa do espetáculo. A Companhia PIA FRAUS – cujo nome vem do latim e significa "uma mentira contada com boas intenções" – busca integrar, em seu trabalho, diversas linguagens: Teatro de Bonecos, Dança, Circo, Teatro de Atores e infláveis gigantes. Nos seus mais de 25 anos de existência, participou de dezenas de festivais no Brasil e no exterior, recebendo diversos prêmios nacionais e internacionais.
 
Furunfunfum
O Macaco Simão, Outras Histórias e Outras Canções
O Macaco Simão é de um espetáculo dramático-musical dividido em duas partes. A primeira é uma apresentação de músicas infantis e histórias musicais. As músicas são apresentadas ao vivo, com o acompanhamento de flauta transversal, flauta doce, pandeiro e violão, com a participação da platéia. A segunda parte é uma adaptação para teatro de bonecos da história O Macaco e a Velha. Os bonecos são construídos combinando-se a técnica de luva e de vara. Na trilha sonora, são utilizadas músicas de João de Barro, o Braguinha, da versão do Teatro Disquinho. Em 1999, O Macaco Simão, Outras Histórias e Outras Canções foi escolhido pelo júri infantil como um dos três melhores espetáculos do Festival Internacional de Títeres de Tolosa (Espanha).
 
Cia. Ópera na Mala
Baú de Histórias
O espetáculo é uma coletânea de algumas histórias contadas no programa de TV Baú de Histórias, criado e interpretado por Sérgio Serrano e Cris Miguel, exibido nas TVs Cultura e Ratimbum, no Brasil. A peça conta a história de um Rei que quer ouvir histórias e oferece um prêmio para aquele que contar a história mais longa. O Contador de Histórias, a Princesa e o Lelo do Castelo, o Senhor Andino e o Professor Nicolau Nicolaievski, entre outros, apresentam suas histórias, trazendo aos espectadores um pouco da cultura de várias partes do mundo. Assim O Rei com orelhas de burro (conto tradicional do Brasil), Baba Yaga (da Rússia), O Tatu quer cantar (da Bolívia), A Gaita Milagrosa (de Portugal), A História mais longa do mundo (do Brasil), Pedro Malasartes, pintor de grande talento (também do Brasil), desfilam diante de sua majestade, o público. Utilizando bonecos de várias técnicas, teatro de sombras, e muita música executada com instrumentos típicos, a dupla de contadores reinventa clássicos e contos de tradição oral de forma dinâmica e bem humorada. A peça recebeu prêmio FEMSA 2008 de melhor trilha sonora.
 
Teatro Ventoforte
Um Rio que vem de Longe
Um pequeno barco ancorado, que nunca tinha navegado, apaixona-se por uma flor que a correnteza levava. Quando o barquinho consegue libertar-se, é levado pelas correntezas, como a flor, e quase naufraga no mar. É salvo por um marinheiro, que lhe ensina a usar a âncora e a saber parar em frente aos que ama. O espetáculo explora a linguagem, os rituais e o imaginário das festas populares a é apresentado desde 1963. O Teatro Ventoforte é considerado pela crítica um marco para o teatro para crianças no Brasil. Na sua trajetória, já apresentou trinta espetáculos, que somam mais de cinquenta dos prêmios de Teatro mais importantes do país.
 
GRUPO SOBREVENTO
O Grupo Sobrevento traz de volta à cidade três dos seus espetáculos mais bem sucedidos e premiados. Com diferentes tipos de bonecos e diferentes formas de animação de bonecos, o Grupo aproveita para testar as diferentes relações que cada espetáculo é capaz de estabelecer com o público nesta situação, pouco comum, de apresentação em um palco montado em praça pública.
 
Bonecos Aqui!
Através de pequenas cenas, o SOBREVENTO mostra como, ao longo de 25 anos de trabalho, vem buscando, no Teatro de Bonecos, apenas aquilo que é Teatro e, na longa tradição do Teatro de Bonecos, apenas aquilo que fala do hoje ao público de hoje. No espetáculo BONECOS AQUI!, o Grupo revela como o Teatro de Bonecos pode ser feito até mesmo sem bonecos, a partir de uma simples folha de jornal, e como pode transformar um exercício de manipulação em um espetáculo teatral. Traz à cena também o tipo de boneco mais conhecido do público brasileiro, o fantoche, representado na tradição nordestina do Mamulengo.
 
Mozart Moments
Bonecos e manipuladores contracenam para contar diferentes passagens da vida do compositor Mozart neste espetáculo destinado a crianças de todas as idades. Mozart Moments mistura humor e poesia, atores vestidos com roupas do século XVIII e pequenos bonecos que parecem, até mesmo, respirar. Tendo estreado no Rio de Janeiro, em 1991, dentro das comemorações dos 200 anos da morte do compositor austríaco, Mozart Moments tem construído, desde então, uma das carreiras mais longas e exitosas jamais mantidas por um espetáculo infantil brasileiro. Vencedor do Prêmio Coca-Cola de Teatro Infantil e do Prêmio Maria Mazzetti, participou de dezenas de festivais, encontros e eventos internacionais em quase cem cidades do Brasil, Chile, Colômbia, Argentina, Espanha, Angola e México e já ultrapassou as 700 apresentações.
 
O Anjo e a Princesa
O Anjo e a Princesa narra a primeira experiência de um anjo da guarda e trata de sua difícil relação com uma princesa, a quem lhe cabe proteger. Vaidosa, a princesa manda cortar todas as flores de um bosque de pessegueiros para decorar os salões de seu castelo para uma grande festa. Somente depois de um ano de tristeza e arrependimento, na primavera, voltam a nascer as flores. O anjo da guarda que ampara a princesa mostra-se, na peça, somente como um observador e deixa a cargo da própria vida, de seu curso natural, os milagres que deveria fazer. O Anjo e a Princesa recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de  
 
CONVIDADO ESPECIAL 
Art Stage SAN (República da Coreia)
Dallae´s Story
Companhia mais destacada no Teatro de Bonecos contemporâneo da Coreia, o Grupo Art Stage SAN recebeu, com este espetáculo, alguns dos maiores prêmios mundiais do Teatro de Animação. O Sobrevento esteve com ela na Dinamarca e na Estônia e há mais de um ano luta por trazer ao Brasil o seu espetáculo, pelo qual se encantou. A peça, sem palavras, mistura Teatro de Bonecos e Dança e conta a história de uma família durante a Guerra da Coreia, em 1950, sob o olhar de uma criança – Dallae. A peça, muito tocante e poética, não fala propriamente da Guerra, mas dos esforços de uma família para superar as dificuldades naquele tempo difícil e nos deixa compreender um pouco do que é a Coreia, em um lindo espetáculo feito de muita sensibilidade e delicadeza, por grandes artistas, que nos lembram da esperança e da capacidade de superação mesmo quando a violência e a brutalidade estão à porta. Tendo viajado por diferentes países da Europa e da Ásia, esta apresentação marca a estreia nas Américas desta prestigiada companhia coreana.
Direção artística: Park, Kei-Bai; Dramaturgia/Direção: Jo, Hyunsan; Produção: Oh, Joung Suk;
Música: Jung, Jae-Whan; Art Design: Ru, Jiyun; Iluminação: Jang, Eingseop; Coordenação Internacional: Kim, Yong Hee; Elenco: Jo, Hyunsan / Ru, Jiyun / Kim, Yanghee / Choi, Seok Won.
 
O que está por vir ainda este ano
Além da estréia e temporada de um espetáculo inédito, o SOBREVENTO ainda realiza, este ano, um Laboratório Internacional de Teatro para Bebês em São Paulo e a terceira edição da Semana Internacional de Teatro de Animação do Sobrevento. E ainda recebe o artista catalão Xavi Bobès, da Cia. Playground Visual, especializado em Teatro de Objetos, no mês de novembro, para um intercâmbio artístico.
 
A PRAÇA DOS BONECOS
Um espetáculo diferente a cada semana de 12 de agosto a 21 de outubro de 2011, às 15h
Encerramento - 28 de outubro de 2012, às 19h.
GRÁTIS
 
Parque Raul Seixas (Rua Murmúrios da Tarde, 211, Itaquera)
 São Paulo - SP
 
Informações: (11) 3399-3589
 
O SOBREVENTO, núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro, é patrocinado pela PETROBRAS
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