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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Trecho da palestra do Amir Haddad sobre arte pública

Trecho da palestra proferida por Amir Haddad, diretor do grupo carioca Tá Na Rua, no Seminário Nacional de Dramaturgia para o Teatro de Rua, promovido pelo Núcleo Pavanelli de Estudos de Teatro de Rua, em 18 de junho de 2011 no Instituto de Artes da UNESP, São Paulo, com transmissão pela internet. Trecho transcrito por Licko Turle.

"O Tá Na Rua, meu grupo, já tem 30 anos. É bastante tempo. O que eu aprendi neste tempo, é (sobre) o caráter público da nossa atividade. O que eu fui aprendendo cada vez mais, quanto mais eu me afastava da forma oficial de teatro que me era oferecida. Quanto mais eu buscava uma maneira minha, pessoal, de dar uma resposta a esta questão do teatro, mais eu ia percebendo o caráter público do que a gente faz.

Dentro de todo o movimento do Escambo que o Junior Santos faz. Nenhum (grupo) deles está pensando que vai fazer uma companhia para vender o seu produto num teatro e ganhar dinheiro. Em nenhum momento, nenhum destes meninos, que vem de todas as regiões do Rio Grande do Norte e do Ceará, do sertão, do litoral, dos quarenta e tantos grupos que participam do Escambo! Estão todos a fim de fazer teatro. Ninguém está falando, a eu vou fazer uma carreira de ator, ganhar dinheiro, virar profissional deste ofício.

(Teatro de rua) É um chamado verdadeiro que não é voltado para a profissão. Sempre me perguntam: 'você é profissional?' Dá vontade de dizer que 'eu sou profissional porque eu vivo disto' mas, eu não sou profissional na minha escolha. O teatro não é uma escolha profissional. Eu não escolhi ao teatro como carreira. Escolhi como forma de expressão. Não escolhi como maneira de ganhar dinheiro, qual é o melhor emprego, o que é que está dando mais. Não escolhi para ser artista de televisão. Não escolhi para vencer na vida. Quando eu escolhi o teatro, eu escolhi porque era a minha forma de expressão. Eu não estava pensando em ganhar dinheiro com aquilo. Depois você vai indo... 'ah, você agora é profissional vai ganhar dinheiro'. E aquilo vai ficando dentro de você. Mas, na verdade, o chamado não é nesta direção. O chamado é para uma atividade pública, para uma arte pública.

Lá no Escambo, as pessoas estão reunidas para fazer teatro, para servir às comunidades onde elas vivem. Para fazer teatro nas praças dos lugares onde elas vivem. Para sair daquela cidade e ir para outra cidade sem ganhar um tostão! E tem que cozinhar a própria comida. Estão fazendo isto por quê? Vão para as cidades, pegam as histórias.. Eu fui assistir a um espetáculo e um cara apareceu lá prá contar a história de um ladrão, que tinha roubado uma pessoa daquela cidade. A história era da cidade, o grupo era da cidade, falando para a cidade aquilo e em nenhum momento ele estava pensando em fazer uma carreira, em ir prá Globo. Ele estava fazendo teatro. Um chamado que ele não tem como evitar. O teatro é um chamado público, Não é um chamado para a profissão. Não é a mesma coisa você querer fazer teatro - que é uma arte pública - e querer fazer engenharia, medicina - que são carreiras que você pode fazer com procedimentos mais certos.

Isto é uma coisa que tem ocupado todas as minhas reflexões nestes últimos tempos da minha vida. Que o teatro... o que eu faço... é arte pública! Na verdade é uma arte, porque todas as artes são públicas. A possibilidade de se expressar livremente é inerente a qualquer ser humano, ao cidadão. E é uma necessidade do ser humano. E quando nós queremos trabalhar com as nossas forças mais criativas - porque faz parte da nossa natureza - nós estamos querendo oferecer alguma coisa a alguém. É um chamado muito grande para você trabalhar com estas forças. Não é um chamado qualquer de uma carreira profissional. Você tem isto. O artista tem necessidade de se expressar. O cidadão tem necessidade de se expressar. Ele (quando está) se expressando, ele não está ali para ganhar dinheiro, pode até eventualmente, ganhar dinheiro – às vezes precisa ganhar dinheiro. Mas a arte como produto, que você coloca ali na prateleira do supermercado e vende, isto é uma coisa muito recente. Antes, os artistas eram protegidos dos reis... eram protegidos dos papas... eram protegidos dos mecenas... para fazer as coisas que eles faziam... Eles faziam as coisas deles. Eles pintavam santos... a cara dos mecenas deles... faziam as coisas deles... mas ninguém botava a obra no mercado. Faziam as grandes igrejas, os templos, tudo para consumo público! Pintavam o teto das igrejas, pintavam estátuas... Os gregos faziam coisas maravilhosas. O Pathernon era um templo, não era um museu. As obras de arte que estavam lá, não tinham o nome de obra de arte! Era o ser humano mostrando que ele era capaz de produzir beleza... e organizando esta beleza no espaço, numa arquitetura para produzir o crescimento do cidadão que freqüentava aquilo ali. Não era para ser vendido! Nós não podemos vender aquilo que a gente tem de melhor, (é) para dar. Eu não posso esquartejar o meu afeto, para vender ele - de uma maneira ou de outra - para alguém que quiser comprar. O que é pior ainda. Para quem tiver dinheiro para comprar. Para você, eu não vendo, porque não paga. Para você, eu vendo porque você paga. Então, eu pego a minha alma, faço uma graça prá ele, porque ele, paga e esse, não. É a minha alma. É tudo de melhor que tem dentro de mim. É o melhor que todos os seres humanos tem dentro de si. Como é que eu posso pegar isto, que é a melhor qualidade humana, que é a criação e a fertilidade, e transformar isto num produto que eu ponho à venda? É possível! A sociedade burguesa faz isto. Nós vivemos neste mundo mercantilizado. Isto é vendido em todos os lugares. É tão forte que nós não temos nem mesmo um conceito de arte pública. Eu falo isto porque aqui é um encontro de teatro de rua, trabalhamos com esta doação.

Todos nós (artistas) quando saímos para os espaços abertos pensamos em oferecer o melhor de nós mesmos para a população, sem distinção de classe. A gente não separa o público que vem ver a gente na rua. Quem chegar para ver, vai ver e ser visto. Como é que eu sobrevivo desta atividade? Como é que eu posso viver a partir das artes públicas? Como é que vai um ator, um artista de teatro, vai exercer a sua generosidade e sobreviver num mundo como este? São questões que ficam na minha cabeça. Agora , quando eu estou livre nas ruas, eu dou o melhor de mim mesmo. E olha, quanto mais fudido, melhor eu estou para dar. Porque, às vezes, eu vou com equipamentos que eu tenho, com apoio e o espetáculo não é tão bom do que quando eu vou com a minha pobreza, com o mínimo que eu tenho. Aí, é só eu e a minha doação definitiva que está sendo feita ali. Então, eu acho que nós não temos desenvolvido, ainda, um conceito de Artes Públicas que consiga englobar todas as atividades de todos nós, que fazemos escambos no Brasil inteiro, que temos trocas de grupos no Brasil inteiro, que temos grupos se mexendo no Brasil inteiro... este movimento não tem nome, não tem definição. Não se enquadra na visão de arte que a burguesia mercantilista desenvolveu e absorveu. Não se enquadra no mercado. Não é para ser vendida da mesma maneira que é vendido os outros produtos culturais. Que nome nós vamos dar as artes públicas? E que políticas públicas a gente pode estabelecer no momento em que tudo é no sentido de afunilar na privatização? A gente está aqui no sentido da arte pública.

Tudo caminha para a privatização, tudo caminha para um certo tipo de controle. Tudo caminha para um certo tipo de apoio. Tudo caminha para um certo tipo de edital. As políticas públicas todas são feitas para as Artes Privadas. E nós não temos políticas públicas para as Artes Públicas! Nós não temos sequer um conceito de Arte Pública pensado ou desenvolvido.

Nossa atividade é de arte pública. Nós vamos para as praças, nós vamos para as ruas, nós oferecemos o nosso trabalho. Nós achamos que existe uma quantidade grande de doação que é possível ser feita em contato direto com a população. Nenhum grupo de teatro de rua tem esta idéia de se trancar e vender ingresso. A gente vai para a rua e muitas vezes acha que tem dinheiro, acha que quer, acha que merece - e merece! Mas não ter (dinheiro) não impede a gente de fazer, de ir para a rua e fazer. É um chamado muito grande... Tem a coisa, que é a idéia dominante no momento, mas tem o fluxo que foi falado aqui, que é o popular, que você não vê, que você se utiliza dele e não se dá conta. Que ele é eterno e em perpétuo movimento e traz a ancestralidade. Ao mesmo tempo, que o mundo na sua superfície, caminha para um fascismo violento, para uma segregação violenta, para uma privatização violenta, cada vez mais os mercados sendo restritos, os povos se defendendo, as etnias brigando... O monoteísmo é foda! Dá muita guerra o monoteísmo. Porque cada Deus é o melhor Deus e, aí, em nome dele se faz tudo! Quando o mundo caminha para uma segregação grande, para um saneamento violento, um fascismo que cresce dentro de cada uma das pessoas. Os governos falam 'não sou fascista', mas cada uma das pessoas, pelo medo, pela ameaça, pela falta de perspectivas... viram fascistas! Viram nazistas e querem eliminar o inimigo, eliminar a diferença. Só querem conviver com aquilo que é igual a eles mesmos. Então neste momento que o mundo vai mal, também tem um movimento novo, de coisas novas que vão acontecendo. E eu acho que o Movimento de Teatro de Rua, faz parte desta novidade. Da possibilidade de um aceno para um futuro diferente que este presente quer nos oferecer. Este presente nos propõe um futuro de cartas marcadas. Mas se nós estamos trabalhando na rua, certamente estamos sonhando um outro futuro. Um futuro onde esta possibilidade pública, generosa, realmente democrática, possa existir e onde a produção cultural - que é o melhor que o ser humano pode fazer - não seja transformado em um produto de mercado. Que eu não precise estraçalhar a minha alma para vender um pedaço dela aqui, outro ali. Eu acho que o teatro de rua tem esta característica pública e é um anúncio, de possibilidade de modificação no mundo. O fascismo vai avançar, o Sarcosi (Nicolai) vai avançar. O Obama (Barak) vai ser cada vez mais obrigado a fazer o que ele não quer fazer para ver se consegue se reeleger. Espanha, Portugal, Grécia, Irlanda sendo devoradas pelos banqueiros. É a pior coisa do mundo! Estes países à beira da falência porque não tem dinheiro para pagar os juros dos banqueiros. E todo mundo falando: 'Corta do povo!', 'Corta do salário do trabalhador!' 'Corta na vida das pessoas!'. Para quê? Para pagar os juros dos banqueiros - os bancos! Estes países estão à beira da falência porque não tem dinheiro para pagar os bancos e estão ali numa situação destas. Que mundo é este? Nós (teatro de rua) podemos ser uma possibilidade para um mundo melhor! Para uma redenção. Eu acredito no teatro de rua como esta possibilidade! Porque é uma arte que se faz publicamente, desinteressadamente, por necessidade absoluta de cada um de nós. Não acredito que tenha um grupo de teatro de rua - por pior que seja - que não tenha uma utopia na cabeça. Mesmo aquele que não está seguro do que está fazendo, mesmo aquele que não pensa nisto, ao fazer teatro de rua e ir para a rua, tem uma utopia na cabeça. Sair dos espaços fechados e se exercitar no espaço público, isto já significa um compromisso com a utopia. Todos nós temos isto e todos nós queremos oferecer o melhor de nós mesmos para melhor do mundo onde a gente vive. Para isto, é preciso desenvolver políticas públicas para as artes públicas.

É uma coisa que nem passa pela cabeça dos governantes de ter políticas públicas para as Artes Públicas. A gente mesmo, fica exercendo isto e trabalhando, como se a gente fosse privatizado. Nossa alma privatizada, nossos afetos privatizados, nossa atividade privatizada, competindo com o mercado e sempre recebendo a pior (parte) porque seremos sempre menos, porque não somos o que somos. Nós somos uma coisa que parece que é o pior porque somos comparados com o que eles acham que é o melhor. Mas isto não é verdade porque nós trazemos uma possibilidade nova. Nós trazemos o que o TNR faz sempre. Trabalhamos no presente para um outro futuro. Pensamos que: as coisas estão deste jeito... mas, poderão ser de outro. Se cada um de nós, comprasse esta idéia de arte pública e, em vez de pedir dinheiro pro governo, pedir políticas públicas para as artes públicas... Pensem nos grupos que trabalham nas praças públicas, nas ruas, que se oferecem para a cidade, que vão ao encontro da população, que não discriminam o seu público, que procuram modificar a cidade de uma maneira em geral. Pensar em políticas públicas de ocupação dos espaços públicos, de abertura e limpeza das praças, ver gente nas ruas. Pensar políticas públicas para as Artes Públicas, significa pensar o mundo de uma outra maneira, no momento em que se pensa o mundo com a idéia de limpar ao máximo a cidade, não deixar ninguém ir para as praças e atrapalhar... e botar polícia. A praça é da polícia.

Mas, se a gente tem um conceito de Arte Pública, uma idéia de como estimular as políticas públicas para as Artes Públicas, provavelmente seremos obrigados a pensar a cidade como ela é! No movimento de teatro de rua já se faz muito isto. As cidades começam agora a se dar conta que elas precisam se humanizar. Uma cidade como São Paulo faz muito bem em fazer o Viradão Cultural, fazer eventos esportivos enormes, porque viver numa cidade deste tamanho, se você não tiver estas coisas, fica muito difícil viver. E estas são maneiras de acalmar o cidadão... Mas pode ter uma outra maneira que é a de provocar o crescimento do cidadão.

No momento a coisa que é essencial na minha cabeça agora é essa: políticas públicas para as Artes públicas! Como é que a gente pode fazer isto? Como é que a gente reivindica isto? Eu não quero dinheiro prá nada. Eu detesto quando me dão dinheiro - apesar de precisar de dinheiro para viver - porque cada vez que me dão dinheiro, ele vem com tanta complicação, tanto tolhimento, que eu gostaria de não precisar deste dinheiro. Gostaria que todos os meus atores fossem milionários de forma que não precisassem de mais nada na vida e pagassem o meu salário.

A Lei de Fomento de São Paulo é um avanço grande nesta direção porque os grupos, que são contemplados, se oferecem para a cidade. Eles não vão atrás de bilheteria, não estão buscando isto e precisam deste apoio para exercer a sua função. Não é mais a mesma coisa de dar o dinheiro para uma companhia teatral... está dando o dinheiro de uma forma muito melhor... Mas ainda não tem o conceito de artes públicas funcionando.

Acho, que a gente deveria trabalhar por um conceito de artes públicas, dar este nome a nossa atividade. É bom porque pode conseguir políticas interessantes e a gente não (precisaria) vir sempre à reboque do pensamento da cultura oficial. Nós somos de outro setor, outro departamento e estamos andando para outra direção completamente diferente da que avança aquela. Se a gente consegue fazer passar uma idéia desta, avança muito.

E, também, no sentido de que cada um de nós faça uma reflexão sobre a nossa prática. Se nós nos encararmos também como executores de uma arte pública, nós vamos ter uma visão melhor da gente mesmo. Ficaremos menos prisioneiros da coisa do artista que não sabe direito o que está fazendo, que não se define na sua prática. E nós vamos sempre estar nos sentindo, por causa deles, piores em relação aos outros artistas. Porque todo mundo sabe que você faz. Se perguntam você é ator? Sou! O que é que você faz? Teatro de rua! Nêgo já vira a cara prá você!

Para mim é o que há de mais moderno, mais avançado, mais instaurador de uma possibilidade de futuro prá gente.

A arte já foi pública, se privatizou e ela deverá novamente se tornar pública. De que maneira, não dá para a gente dizer agora. Mas eu tenho certeza que este movimento de gente, que todos os dias faz novos grupos querendo fazer teatro de rua, aumentando ... Eu lembro quando era somente eu, o Junio santos e mais umas poucas pessoas... E agora, já é uma quantidade enorme. Isto significa uma coisa nova. Significa uma possibilidade de enfrentar o latifúndio cultural, a tsunami cultural que passa por cima da gente, devastando tudo. Então vamos fazer a nossa onda.

Há um mês atrás, eu não teria coragem de falar isto, tal era a minha angústia e o meu sufoco no Rio de Janeiro. Porque eu me via tolhido, impossibilitado de ir para as praças. Estas coisas todas. Isto demorou muito. Eu tive uma briga com a secretária de cultura, isto é público, todos vocês sabem. Xinguei o prefeito. Eu estava muito amarrado agora trocou o secretário de cultura. É o Emílio Calmom, paulista. Ele me encontrou, me cumprimentou e disse: 'não lembra de mim?' Eu disse: 'estou lembrando...' Ele disse: Adoro o seu trabalho!' E eu falei: 'não acredito!' Foi numa festa. Três semanas depois, ele me telefonou dizendo que iria reinaugurar a praça Tiradentes e queria que eu fizesse a festa de reinauguração. É para mim, um reconhecimento enorme. Eu sempre quis tomar conta de todas as praças do Rio de Janeiro. Queria administrar aqueles espaços culturais...

Lancei a idéia de sedes públicas para os grupos, onde cada um assumiria uma praça. Ele toma conta daquela praça, a prefeitura ajuda a ele. Sempre imaginei esta coisa... Mas é difícil de andar. Aí, o cara chega e me chama para fazer este evento, esta festa. Estou falando isto, porque eu estou fazendo legal. Porque o TNR faz desde uma rodinha com três atores e um tambor, até uma festa, como as de Mossoró, que trabalhei com cinco mil, seis mil pessoas. A gente não ficou no aperto, eu fui avançando, avançando, ocupando espaços, mobilizando tudo, até chegar a uma idéia de uma cidade luminosa, uma cidade feliz, que se manifesta através das artes. Este é um sonho que eu acho que um dia pode acontecer. Uma cidade etérea, uma cidade iluminada. Por isto fui trabalhando assim. E agora veio esta chance e o meu roteiro da festa é muito bom! A festa que eu escrevi. Eu fiz a dramaturgia do evento inteiro. É um espetáculo! Um espetáculo que dura 12 horas. Começa às 10h da manhã e termina 10 da noite. É um espetáculo formado de muitos espetáculos. Convidamos várias coisas que achamos interessantes, justapusemos elas, fizemos um roteiro, uma dramaturgia, Pura dramaturgia! Tem uma dramaturgia enorme em torno do evento e além de tudo, teremos os atores treinados pelo TNR, que já passaram por nós, cerca de 60 atores, que irão conduzir a festa o tempo todo. Desde a hora que ela começa até a hora que ela termina.

Se isto der certo, eu já posso falar de arte pública, em cobrar do prefeito, lançar esta idéia. Falar que o Brasil tinha que sair na frente - nós temos que sair na frente mesmo. Não temos que ir à reboque de nada. Que nós podemos propor políticas públicas para as artes públicas. Isto é muito bom. O Brasil vai fazer a Copa do Mundo. O Brasil vai fazer as olimpíadas. É hora de se pensar nas artes públicas! Porque, senão, o que é que nós vamos oferecer para as pessoas? Ivete Sangalo, Ivete Sangalo, Ivete Sangalo, Luan Santana, Ivete Sangalo, Ivete Sangalo, Ivete Sangalo, Luan Santana, Ivete Sangalo... o tempo todo!

Quantas Ivetes Sangalos você pode oferecer como show? No rio de janeiro é esta a variedade de artista... Pensar em artes públicas para os novos tempos que o Brasil vai enfrentar.

Eu já pensei coisas que até Deus duvida e agora eu não tenho o menor medo de pensar isto e lutar por esta idéia de arte pública.

Eu acho que políticas públicas para as Artes Públicas é uma coisa que ninguém pediu!

A gente pede dinheiro! Tem que pedir política sem se submeter ao que eles falam!

Tentar mudar este pensamento, também. Será que este ministério é capaz de ouvir uma demanda desta natureza?

Acho que a gente tem que começar a pensar nisto, talvez juntar mais gente e discutir. Colocar o conceito de arte pública.

Melhorar a nossa prática teatral, melhorar a generosidade que está por trás e por baixo de toda a nossa prática e avançar!

Adorei ficar aqui estes três dias entre os meus pares. É ruim ficar sozinho, isolado. Aqui a gente vai conversando... prá tentar vencer esta solidão. E nos organizarmos em movimento pelas artes públicas num país que já é muito privilegiado por políticas públicas para as Artes Privadas!

Obrigado.

A Linguagem Autoritária de Zé Celso.




A Linguagem Autoritária de Zé Celso


PRÓLOGO

Na estréia do seu blog, o sr. publica o texto "Libertemos a cultura de suas prisões", onde comparar o Movimento dos Trabalhadores da Cultura a Fascistas, à máfia, aos skin heads, à TFP, à Homofobia.
Isso é inaceitável.
O sr. entrou no meio de uma Assembléia, foi aplaudido, puxou uma ciranda na qual todos entraram e cantaram (com todo prazer mesmo interrompendo um momento importante), o sr. começou então um sermão cheio de provocações e... ficou bravo por que lhe responderam?
Por que discordaram do sr.?
Foi um som massacrante ouvir nosso refrão na cadência do seu samba?
Ninguém lhe expulsou nem ao seu coro.
Entraram e saíram quando quiseram.
No entanto, não somos seu coro.
Nem somos coro do Ministério da Cultura, que aliás estampa há dias em sua home page: Teatro Oficina é tombado pelo MINC...
Do outro lado, o site do Oficina há dias ostenta em sua home:
Ana de Hollanda assina tombamento do Teatro Oficina...
Difícil no caso saber quem faz coro a quem.
Nós não somos seu coro.
Mas comparar o movimento a fascistas, máfia, skin heads, à TFP, à homofobia?
Isso é inaceitável.
Tempos perigosos estes em que vivemos, em que tudo pode aparentar ser o contrário do que é. Assim como os iogurtes "saudáveis" espalham toneladas de embalagens plásticas pelo mundo, o "libertário" Zé Celso espalha o autoritarismo de sua linguagem pela internet.
Ele não debate nossas proposições, mas nos desqualifica totalmente nos adjetivos: linguagem autoritária.
Zé Celso nos chama de odiadores, mas o que dizer das palavras que usa contra nós? Por que tanto rancor? Só porque não aceitamos sua autoridade? Só para nos desautorizar?
A solidariedade que Zé Celso foi prestar ao movimento é da mesma natureza de quem oferece a um sem-teto um prato de sopa e um sermão. Nós queremos a sopa, mas não o sermão. Poderíamos conversar. Mas Zé Celso gosta de falar, mas não de escutar. Isso ficou bem patente em sua visita à ocupação da FUNARTE. Chegou e interrompeu uma assembléia porque tinha pressa. Fez sua performance-sermão. No momento em que respondemos às suas colocações, passamos a ser inimigos.
Zé Celso não é nosso Conselheiro. Será isso que o incomoda?
Zé Celso não é o único representante de Dioniso para nós. Podemos dançar, entrar em transe e nos rebelar sem ele. Ou podemos não fazer nada disso. Será que é isso que o incomoda?
Ou será que ele quer sequestrar a possibilidade de protesto apenas para si e seu grupo? Afinal, há bem pouco tempo, ele acusava a ministra Ana de Hollanda de burocratismo. Bem na estratégia morde-assopra, agora o Oficina afaga a ministra, já que conseguiu o tombamento do prédio público onde está sediado. E se junta ao coro de Antônio Grassi, presidente da FUNARTE, ao questionar os portões fechados durante a ocupação.
No caso, o diretor do Oficina e o presidente da FUNARTE usam em coro o mesmo raciocício torto que classifica uma greve de antidemocrática. Fechamos os portões por motivos tanto simbólicos quanto práticos. Simbólico: interromper o fluxo "natural" da ordem instituída, marcar um momento de exceção (como uma greve), e assim, impedir que nos vissem como mais uma "instalação" numa "residência artística". Prático: Na primeira ocupação da FUNARTE, em 2009, a polícia cercou o prédio e impediu a passagem de água e comida para dentro. Se a polícia resolvesse desocupar o prédio desta vez, como garantir nossa segurança e as instalações do prédio? E se houvesse tumulto? E se pessoas alheias ao movimento aproveitassem o período para depredar ou furtar?
O prédio da FUNARTE foi vistoriado após a ocupação, entregue como estava uma semana antes.
Por outro lado, cabe perguntar: os portões do Teatro Oficina estão abertos até que ponto? Não é um prédio público?
Quem sequestra a Cultura é o Mercado. E o Estado é usado para isso. Um dos mecanismos é a Lei Rouanet, que joga para a mão dos departamentos de marketing das empresas o poder de decisão sobre o que merece dinheiro. Assim "atendida" a Cultura, que se corte 2/3 das verbas de 2011 para o Ministério é irrelevante; que não haja políticas estruturantes, com dotação orçamentária própria prevista em lei, obrigando os governos que se sucedem no comando do Estado a apenas executá-las, é irrelevante. Isso parece menos importante para Zé Celso. O que interessa é nos atacar. É comparar o movimento a fascistas, máfia, skin heads, à TFP, à homofobia.
Em nome de quê? De que interesses? Por que tanto autoritarismo na sua linguagem, por que tanto ódio?
Danilo Monteiro
Integrante do Movimento dos Trabalhadores da Cultura
São Paulo, 3/8/2011
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Resposta ao Zé Celso do Fabrício Lima (Baiano).

Postado no blog:http://minhabarradeespacoquebrou.wordpress.com/2011/08/03/meu-querido-canibal/

Meu Querido Canibal.

Posted on 03/08/2011 by Fabrício Lima
E no quinto dia, um deus desceu à Nod e foi ter com os seus.
Os corações regorgizaram-se pois, eras atrás, esse mesmo deus ascendeu ao panteão brandindo sua espada flamejante contra um inimigo de seu povo. Ele pousou sobre Nod e entoou seus cânticos. O povo da cidade dos condenados prostrou-se e o louvou. Até que, em sua dança furiosa, o deus voltou sua espada contra aqueles que o louvavam.
A história do teatro brasileiro se confunde com a própria biografia do Zé Celso. Inventivo, questionador e polêmico. Apanhou da ditadura, perdeu amores e amigos para a barbárie e hoje merecidamente repousa ao lado da fonte de ambrosia do paraíso, desfrutando da tutela de parte de uma geração que deu testa à ditadura, mas que tomou para si a chave dos portões do jardim do Édem.
Após uma conturbada (e questionável) visita à ocupação da Funarte, Zé Celso redigiu uma carta aberta execrando os rebelados que infelizmente, ao contrário dele e dos seus eleitos, não tem a mesma liberdade e recursos para desenvolver e expandir a sua arte.
Meu querido canibal,
Como parte dos "infiéis" que ocuparam as instalações da Rua Northman 1058 fiquei lisonjeado pela atenção que você dispendiou à nossa rebelião a ponto de merecermos a postagem inaugural de seu blog. No entanto, venho por meio desta carta pessoal recomenda-lo a redigir postagens mais sucintas a fim de permitir menos contradições ou contestações.
Tente entender que nós da "esquerda  cuecona" não desfrutamos do sortido e bem-afortunado leque de amizades que você e sua companhia dispõem. Nenhum de nós está a um telefonema de distância do seu amigo Silvio Santos, esse "bicho humano adorável" (como você mesmo se referiu a ele em sua postagem), da "presidenta" Dilma, do eterno candidato Zé Serra e as óbvias facilidades que essas amizades provêem.
Espero também que você compreenda que, essa sua maravilhosa e expansiva visão do mundo e de todas as coisas que nos cercam, nos é cerceada pelo intransponível muro das 'contas a pagar'.
Infelizmente as instituições financeiras também não aceitam a penhora nossos cuecões em troca de fundos para viabilizar as nossas produções. Não seria maravilhoso se entidades como o Pau e Lata (Mossoró – RN) ou os coletivos do interior do Rio Grande do Sul tivessem a oportunidade de manifestar a plenitude de suas capacidades artísticas?
A verdade é que todos precisamos cagar, mas não há papel higiênico pra todo mundo. Muita gente vai ter que limpar o cú com a blusa. Ou – como você deu a entender – com o cuecão.
Imagino que ainda hoje, muitas pessoas se enterneçam com a pintura do quarteto de cordas que toma de assalto a rua – como uma bolha de ar na bolsa d'água do caos – com direito a aquele chapéu mal acabado no chão reluzindo parcas moedas e cercados pelos efuzivos aplausos daqueles transeuntes sem rosto. Do maracatu que passa furtivo e rouba sem aviso a angústia das metrópoles ou da montagem de Bretch no meio da hora útil, cujo o texto há de deitar-se com o funcionário da Bovespa e tirar-lhe o sono por uma noite ou por uma vida.
Pura poesia.
Mas somos o país dos poetas de obras póstumas e, empacados na encruzilhada entre fazer arte ou  fazer comida, não temos outra saída a não ser a vida dupla do artista analista de sistemas. Do artista funcionário de cartório. Do artista atendente do Outback. Todos devidamente formados pelas renomadas escolas de arte e da vida. Não lhes falta arte, lhes falta o mecenas.
Antes o que nos afligisse fosse a tal "pobreza de espírito", mas na verdade nossa pobreza é outra.
Por favor, eu imploro, não venha me dizer para nos "orgulharmos da gestão Lula, Gil, Juca, para sua estratégia MARAVILHOSA DE ERRADICAÇÃO DA POBREZA NO BRASIL". Porque alguns metros abaixo, no número 280 da mesma Rua Northman, a pobreza foi erradicada com a presença de um destacamento da polícia militar e de um oficial de justiça portando uma ordem de reintegração de posse. Nossa algazarra ainda causou algum alarde, mas a demanda deles é invisível e indigente. É pauta vencida nas empresas de mídia. Com sorte aquele arremendo de prédio deve pertencer à algum outro "bicho humano adorável" que há de transforma-lo em um espaço de arte para algum coletivo de sorte mediante a alguma publicidade positiva.
Mas com tanto pobre por aí, o que são algumas famílias desesperadas?
Com tantas montagens por aí qual a cultura que serve e que não serve?
Se você portar em seus cadernos algum grande plano generoso para nos ajudar a fazer das nossas vidas o que nos propormos a fazer, temos amigos em comum que sabem onde me achar. Mas se é pra limpar a bunda com café quente, nem me venha com essa xicrinha.

sábado, 6 de agosto de 2011

Carta do colegiado sobre a resposta de Grassi


Brasil, 4 de agosto de 2011.
Carta Aberta do Colegiado Setorial de Teatro
Ao Presidente da FUNARTE, Antonio Grassi e
A todos os fazedores de Teatro do Brasil,
Nós, membros representantes da sociedade civil no Colegiado Setorial de Teatro, eleitos por delegados de todos os Estados da Federação durante a Pré-Conferência Setorial e aprovados por unanimidade pela II Conferência Nacional de Cultura, conscientes de nossas competências estabelecidas pelo Artigo 3º de nosso regimento interno, do qual destacamos os incisos III e VIII:
III – promover o diálogo entre poder público, sociedade civil e os agentes culturais, com vistas a fortalecer a economia da cultura e a circulação de idéias, de produtos e de serviços, assegurada a plena manifestação da diversidade das expressões culturais;
VIII – propor ações para estimular a cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios para a formulação, realização, acompanhamento e avaliação de políticas públicas na área da cultura, em especial as atinentes ao setor do Teatro;
Trazemos a público algumas reflexões sobre posicionamentos por nós assumidos, como representação do segmento teatral brasileiro no Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura e, nessa mesma oportunidade, nos manifestamos quanto à resposta do presidente da FUNARTE ao nosso pedido de esclarecimentos.
Em sua missiva, Antonio Grassi reconhece a importância desse canal de comunicação entre a FUNARTE e a sociedade civil, se mostrando aberto ao diálogo e disponível para esclarecimentos. No entanto, o gestor questiona a posição de cobrança do Colegiado, ressaltando a sua natureza de conselho consultivo na instância do CNPC/MinC.
Inicialmente, reafirmamos o papel fundamental deste Colegiado de exercer o controle social e acompanhar atentamente as mobilizações políticas do segmento teatral, cumprindo assim sua função de promover o diálogo entre o governo e a sociedade, afim de que, juntos, possamos construir democraticamente políticas públicas para a cultura e, especificamente, para o teatro brasileiro.
Esclarecemos que nossa moção de apoio às reivindicações do Movimento dos Trabalhadores da Cultura de São Paulo foi embasada nos princípios expostos acima. Não julgamos adequada a qualificação de "invasão" dada pelo Presidente Antonio Grassi ao ato pacífico de ocupação da FUNARTE SP. A própria instituição recebeu os manifestantes de portas abertas, não havendo em momento algum o uso da força que justifique o emprego do termo. Atentos à repercussão do fato em nossas cidades e estados, consideramos que a pauta apresentada por esse movimento expressa demandas de grande parte do segmento cultural e a radicalidade de suas ações refletem a preocupação com o retrocesso iminente de importantes conquistas históricas no campo da política cultural. Como parte integrante de um órgão consultivo da estrutura do MinC somos testemunhas dessa ameaça, sendo surpreendidos por deliberações de gabinete anunciadas via imprensa ou demandados de última hora para contribuir apressadamente com algum tema já em discussão. Por isso, também exigimos que o MinC retome a agenda de construção coletiva das políticas culturais brasileiras expressas no Plano Nacional de Cultura, marco legal já consagrado, bem como chame para si a responsabilidade de acompanhar com vigor e pressionar para a urgente aprovação dos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional.
Faz-se necessário, portanto, que esse governo compreenda o esforço da sociedade, traduzido pela ação legítima de uma gama de trabalhadores da cultura com substancial apoio de diversas lideranças, em cobrar nas ruas o avanço das políticas culturais em nosso país. Nós, representantes do setorial de teatro numa instância governamental, jamais deixaríamos de apoiar essa mobilização que pretende evocar a questão das políticas de Estado para o fomento à cultura como uma das prioridades na agenda do governo federal.
Entendemos também que o acompanhamento e a conseqüente avaliação das políticas públicas em vigor, demandam nosso olhar atento sobre todo e qualquer tipo de financiamento à cultura, sobretudo na área teatral, feito com o erário público. A carta endereçada ao Presidente da FUNARTE cobrando diversos esclarecimentos, dentre eles, quanto aos processos de contratações sem licitação em valores, ainda a nosso ver, exorbitantes e demasiadamente concentrados na cidade do Rio de Janeiro, teve o respaldo de diversos movimentos e organizações artísticas locais aos quais estamos ligados e, repetimos, são quem de fato representamos dentro do CNPC/MinC. Cabe a este Colegiado repassar à sociedade civil e aos fazedores de teatro, em primeira instância, toda informação relevante ligada a esse tema e, quando for necessário, através do diálogo participativo previamente travado com quem nos delegou o papel de representação, solicitar esclarecimentos ao poder público. Não é cabível, portanto, qualquer estranheza do Presidente da FUNARTE quanto à divulgação prévia do teor do documento, antes mesmo de ser remetido ao seu destinatário, pois a referida carta foi construída publicamente em discussão com nossas bases locais. Obviamente, seu conteúdo não se restringiria aos representantes do Colegiado, uma vez que estes também não restringem a si próprios sua representação.
Ao tentar justificar as contratações sem licitação, o presidente da FUNARTE evoca a relevância da reabertura do Teatro Dulcina; a notoriedade e o prestígio dos artistas contratados, aliás, excelência esta nunca negada por nós em nosso documento. O gestor finaliza justificando a concessão por parte da FUNARTE, de apoios vultosos a projetos já contemplados pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, alegando que para os artistas há grande dificuldade em captar os recursos, sendo necessário o apoio financeiro da FUNARTE para a realização de tais projetos de "excelência". Informa ainda que "muitas vezes um mesmo projeto recebe recursos de várias fontes para se manter de pé". Fica a nossa observação de que até agora se sabe apenas de que estes projetos, superprotegidos pela FUNARTE e merecedores de apoio de várias fontes de um mesmo Ministério para contratação de um mesmo produto, contemplarão somente a cidade do Rio de Janeiro. Embora reconheçamos a presteza com que a FUNARTE através de seu Presidente respondeu ao nosso pedido de esclarecimentos, não podemos afirmar que suas respostas sejam elucidativas e não justificam o grande volume de recursos empregados sem seleção pública. E, ainda na tentativa de elucidação dos fatos aqui referidos, questionamos se os procedimentos adotados pela FUNARTE para contratações de artistas e serviços artísticos através da inexigibilidade de licitação, buscaram de alguma forma preservar os princípios da Lei 8.666/1993, como: a Legalidade; a Impessoalidade; a Igualdade e Isonomia; a Economicidade; a Razoabilidade; a Proporcionalidade; a Supremacia do Interesse Público Sobre o Interesse Privado e a Indisponibilidade do Interesse Público. De posse das informações sobre os fatos e com base nesses princípios, esperamos que todos possam tirar suas conclusões sobre a conduta da FUNARTE nas contratações que vem realizando sem devida licitação.
Já não estamos mais no início de um novo governo e, por isso, as práticas se consubstanciam como modelo de ação. A crescente centralização de recursos em apenas um estado do país e em apenas uma cidade desse imenso Brasil, bem como a desvalorização paulatina das ações do controle social,  denotam risco ainda maior de que o governo  abandone a cena da construção democrática de políticas na área cultural, retornando de forma contundente a abraçar o recorte mercantilista com extrema valorização da indústria cultural e do tecnicismo em substituição à garantia da ampla participação da sociedade nas definições de suas prioridades. Tememos sim pelo fortalecimento crescente do clientelismo e que tudo isso venha a resultar numa política frouxa de atendimento bancário de reivindicações corporativas e centralizadas, onde o governo ocupa a posição tranqüila de distribuição de verbas ao bel prazer de seus técnicos, bem como da consagração da renúncia fiscal como eixo estruturante de sua política para a cultura.
Imbuídos pela importância de nossa representação social e de que ela é uma conquista de lutas históricas de nosso segmento, temos urgência em garantir a continuidade transparente dessa interlocução e, em contraponto ao lançamento até a presente data de editais, em sua maioria, restritos à ocupação de seus espaços, reivindicamos que a FUNARTE:
- lance os editais dos seus Prêmios Myriam Muniz; Klaus Vianna; Carequinha; Artes Cênicas na Rua; Festivais de Artes Cênicas e Bolsa de Residências em Artes Cênicas;
- crie em 2011 a Bolsa de Reflexão Crítica de Espetáculos como debatido no Comitê Gestor do ProCultura ano passado;
- confirme em 2011 a realização e o lançamento do edital ProCultura de Manutenção de Núcleos Artísticos do Fundo Setorial de Teatro, planejado para o ano passado e;
- defenda a manutenção do Prêmio Teatro Brasileiro no projeto de lei ProCultura em tramitação no Congresso Nacional: uma conquista histórica do segmento teatral mobilizado durante quase uma década entorno de um projeto comum de fomento.
Colegiado Setorial de Teatro do CNPC/MinC
Titulares:
CARLOS HENRIQUE LISBOA FONTES (RN)
CLEBER RODRIGO BRAGA DE OLIVEIRA (PR)
CRISTIANO PENA (MG)
DEMETRIO NICOLAU (RJ)
FERNANDO OLIVEIRA CRUZ (MS)
GUILHERME ALVES CARVALHO (DF)
JANDEIVID MOURA (MT)
LENINE BARBOSA DE ALENCAR (AC)
LEONE SILVA (SC)
MARCIO SILVEIRA DOS SANTOS (RS)
PEDRO VILELA (PE)
RAIMUNDO NONATO TAVARES RAMOS (AM)
THIAGO REIS VASCONCELOS (SP)
VIRGÍNIA LÚCIA DA FONSECA MENEZES (SE)
WLADILENE DE SOUSA LIMA (PA)
Suplentes: 
ANTÔNIO DELGADO FILHO (GO)
CLAUDIA SCHULZ (RS)
ELCIAS VILLAR CARVALHO (RO)
ELIZANDRA ROCHA ARAÚJO (MA)
FÁTIMA SOBRINHO (BA)
JOAQUIM RODRIGUES DA COSTA (PR)
LEONARDO LESSA (MG)
MÁRCIO SERGINO (RR)
MARIA NEVES GARCIA (DF)
PAULO RICARDO SILVA DO NASCIMENTO (PA)
RICHARD RIGUETTI (RJ)
ROSA RASUCK (ES)
VALÉRIA DE OLIVEIRA (SC)
VANÉSSIA GOMES DOS SANTOS (CE)
VITOR HUGO SAMUDIO DELASIERRA BRITEZ (MS)

Cartas lidas e aclamadas antes da abertura dos portões da Funarte.

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EM DEFESA DE UMA OUTRA CULTURA
Impõem: não há alternativa, o mundo é um grande negócio e todos estamos à venda.
Anunciam: é no mercado que tudo se resolve e, através do consumo, todos seremos felizes.
Mentem: o Estado não deve interferir pois atrapalha o mercado e a concorrência.
E que vença o melhor!!!
É de cultura que estamos falando, não?
Nessa cultura, não pode haver lugar para a História, para a mudança desse estado de coisas: tudo é natural, a começar pela apropriação privada do conhecimento humano (patentes), de um planeta chamado Terra e da riqueza produzida pelo bicho homem. Tudo tem dono e isso é "natural".
E tudo tem que dar lucro: a comida, a moradia, a saúde, educação, transporte, a arte e a cultura...
E viva o progresso!!! E essa ordem, evidentemente.
Ordem e progresso: a maioria quer emprego, exige emprego, implora pelo emprego, mas, uma vez empregada, não vê a hora de terminar o expediente ou chegar o fim de semana para fugir do inferno conquistado. Mais do que a sobrevivência, é esse emprego que garante o lucro e a produção de bens e por isso tem que ser incensado e mantido como 'natural'.
Ordem e progresso: aqui e no resto do mundo, as riquezas produzidas pelos empregados se concentram mais e mais na mão de meia dúzia de corporações.
Ordem e progresso: a miséria continua, apesar de já haver riqueza suficiente para todos viverem muito bem; não é preciso esperar o bolo crescer para dividir; esse progresso não vai 'incluir' os 'excluídos'.
Ordem e progresso: o planeta Terra dá sinais de que não aguenta mais essa farra.
Ordem e progresso: aqui e no resto do mundo, o Estado e os empregados pagam a conta do mercado falido, numa demonstração de que a máquina emperra, não é tão poderosa e depende da intervenção do Estado, que ela finge não querer.
É por isso que mais de 13% do orçamento de São Paulo, a maior cidade do país, e 44% do orçamento federal vão direto para o bolso dos capitalistas financeiros. Não é para pagar uma dívida, que já está paga, mas para pagar juros e serviços que eles impõem unilateralmente. Que dívida é essa? Que juros são esses? Prá onde vai todo esse dinheiro? A população brasileira, que paga a conta, tem acesso a essas informações? Pode decidir sobre elas?
É por isso que se confunde uma política para a agricultura com o apoio incondicional ao agronegócio, uma política para a educação com a transferência de recursos para escolas privadas e até um projeto como o "Minha Casa, Minha Vida" fica sob o controle e iniciativa das grandes construtoras.
É por isso, também, que se reduz uma política pública de cultura à mera transferência de recursos públicos para o marketing privado das megacorporações e se rapa o já minguado orçamento do Ministério da Cultura.
É a essa cultura que dizemos não!
Somos poucos, mas juntamos nossas vozes àqueles que, no mundo todo, lutam contra esse estado de coisas.
Somos poucos, mas fazemos outra cultura quando cobramos da República, que se diz democrática, uma política pública e não privada e mercantil para a cultura, uma política de Estado que não se reduza às jogatinas do governo de plantão.
Se perdemos a paciência e ocupamos a Funarte é devido à desfaçatez do Ministério da Fazenda, Planejamento, Casa Civil, da própria Presidência da República, que, sem o menor pudor, declaram aos brasileiros que não têm e não pretendem ter nenhuma política pública para a Cultura. É isso o que significa a falta de orçamento ontem, hoje e o anúncio do que virá em 2012.
Que fique claro mais uma vez: não estamos 'pedindo' dinheiro. Estamos cobrando um orçamento público para programas públicos e não para essa ou aquela ação mercantil do governo. Estamos cobrando uma política de Estado.
E já apresentamos propostas nesse sentido.
São Paulo, 1º de agosto, 2011.
Movimento de Trabalhadores da Cultura - MTC

(PUBLICAÇÃO EXTERNA - AO GOVERNO E AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DE CULTURA)
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Os passos de uma ocupação.

Os trabalhadores da cultura estavam numa encruzilhada.
De uma trajetória de lutas ou da tentativa de garantir mínimas condições para fazer arte vinham apelando ao Estado que os financiasse, pois a maioria não cabia no mercado. Entendendo mercado como lugar onde se vende mercadorias. Nossos produtos artísticos não repunham o mínimo dinheiro para continuarmos o ofício. Neste sentido é que percebemos a falência do mercado, ao menos para nós, e apelamos ao Estado para que socorresse as linguagens e expressões culturais que compõem a diversidade simbólica e a continuidade criadora de uma sociedade.
Nesse processo, percebemos também que as idéias capitalistas estavam (e ainda estão) introjetadas em nosso imaginário como se fossem naturais. Por exemplo, a competição:  dada como natural que uma expressão artística possa ser melhor que outra e, portanto, passível de reconhecimento e premiação. O curioso é o avesso desta afirmação, sua negativa, ou seja, a maioria que não vence, os perdedores, os descartáveis, os não vendáveis, os fracassados, os embrutecidos. Nesta lógica, o mamulengueiro do sertão pernambucano é o fracasso ante bonequeiros "sofisticados" com suas técnicas ilusionionistas.  Mas, qual é o melhor entre eles? Bem sabemos que esta resposta é impossível se realmente buscamos poesia e, no entanto, a distinção se dá com crua nitidez na lógica capitalista. Joga uns contra os outros e assim passamos a eliminar a diversidade.
Os não vendáveis do mercado apelam ao Estado para que olhe por eles. A esperança era que o Estado bancasse seus fazeres e ainda estimulasse o surgimento de novas linguagens, síntese dos movimentos históricos atualizados.
O curioso é que o Estado opera pelas mesmas premissas do mercado, o Estado não busca possibilidades estruturantes de outra lógica.  Assim, a lógica da competência, do melhor, do produto de qualidade, vendável, da auto-sustentabilidade também vigora aqui.  Perpetua a sangrenta luta de todos contra todos. Não bastasse tamanha imposição de idéias e valores, surge o pior. Pior? O estrangulamento total de setores sociais do Estado, que, passa a remeter quantidades ainda maiores de verbas a setores privados e reduzir verbas das políticas de editais/competição/contenção.
O que era pouco e operado por lógicas mercantis torna-se ainda menos e nos vemos diante a trágica condição da "volta do pouco".
Os trabalhadores da cultura estão numa encruzilhada.
Sem paciência, ocupamos a Funarte com pautas históricas e, dentre elas, a "volta do pouco".
Nossa tragédia se convertia numa farsa, pois bem sabíamos que este órgão federal não tinha competência para solucionar as questões apresentadas. A falta de paciência também irrompia a necessidade de reflexão conjunta sobre a conjuntura que nos envolvia.
Neste sentido, frente a iminência do ridículo, criamos num prédio morto a ágora donde subvertemos a lógica e conclamamos o todos contra um.
Mas, quem era esse um?
A Funarte?
Estamos num órgão federal ligado a um ministério menor, dependente de outros ministérios, venalmente ligados a assembléias e senados e judiciários e meandros que compõem um governo social democrata de centro esquerda que detém as rédeas do aparelho estatal.
Para atender nossas exigências, se fôssemos seguir as trilhas desenhadas pela burocracia, evidentemente estaríamos no lugar errado. Este fato, de saída, garantia criticas e enxovalhos de toda ordem. Como se delírios impulsionassem os ingênuos que nem ao menos sabem onde gritar.
Daqui, em uma semana de ocupação, organizados de inédita forma, mergulhamos na intensa busca de formação política. Juntando trabalhadores da cultura, começamos a desenhar os novos rumos de nossa existência.
Primeiro, tornou-se evidente que este órgão (Funarte) é títere de jogos mais complexos e seu orçamento pífio endossa a realidade de sua inexpressão política. Sem capacidade decisória, apostamos ao menos no impacto de interditar o que agoniza. Mas sua agonia pertence a uma política de contenção de gastos e controle social coerente com as funções do Estado, sua agonia é uma escolha política de um governo que conduz o Estado mercantilizado.
A percepção do termo Estado mercantil advém de suas práticas, dos dutos e mecanismos que despejam dinheiro público nas empresas, bancos e corporações (camuflados em institutos, espaços e centros culturais). 
Ele (Estado) e o mercado são faces da mesma moeda, e constatamos igualmente pela simplicidade da observação que estão a serviço de uma classe.
A classe dos proprietários, dos donos das coisas todas, que construíram a capacidade de generalizar seu pensamento e métodos como universais. Esse aparato de reprodução econômica, política e ideológica é gerenciado e garantido pelo Estado, face política do capital.
Encruzilhada:
Exigir a estruturação de um Estado mais eficiente, capaz de manter a lógica destrutiva segregadora e apaziguar nossos anseios transformadores ou construir um pensamento que aponte para outra sociedade. A tarefa da luta contra o simbólico instalado em nós e, portanto, a viceral luta pelo desvelamento do tempo histórico que atravessa a todos.
Não há aparentemente condições históricas para tamanha mudança. Nosso imaginário está impregnado das naturalizações mercantis e sempre que nos levantamos para a construção do novo, o velho arraigado em cada peito se apresenta e repõe sua parcela de retrocessos e tradições.
Assim mesmo, em posse destas constatações não mais podemos ignorar a responsabilidade de produzir as condições da mudança profunda rumo a outra sociabilidade.
A Tarefa de construir o imaginário simbólico da classe trabalhadora (percebendo classe trabalhadora como junção de todos que trabalham, tod@s que criam) exigirá empenho conjunto dos trabalhadores da cultura a fim de tatearmos caminhos mais próximos do acerto.
Para tanto, a criação de um Programa de lutas conjuntas desvinculado das antigas pautas do Estado surge como necessidade urgente rumo à ruptura de nossa própria alienação política. Evidente que mais um passo foi dado nos dias de clausura política na Funarte, mas facilmente se apaga a chama.
Não seguiremos mais a lógica desumanizadora de eliminação do outro, da competição e do tratamento de gente como mercadoria. A opção é pela construção de outra lógica que nos irmane e possa apontar a superação da sociedade do capital.
Ao passo que políticas públicas estruturantes de novas formas de organização, produção e distribuição de recursos públicos viabilizaria a existência de grupamentos artísticos empenhados nas mudanças radicais.
Dupla possibilidade apresentada, reforma ou revolução, manutenção ou mudança. Esta oposição entre os caminhos nos paralisa e, ao mesmo tempo, aponta uma delicada possibilidade: atacar ambas as frentes.
A frente reformista tem forte inclinação à acomodação quando supre as necessidades dos que lutam premidos por urgências materias. Assim mesmo, o risco apresentado deve seguir como plano tático com vistas a uma estratégia que só pode ser revolucionária.
A busca da autonomia dos trabalhadores da cultura passa pela busca da autonomia de toda a classe trabalhadora, passa pela construção de outra relação com o tempo e espaço onde vislumbremos a supressão do controle/medida destes como mercadoria.
A ocupação da Funarte nos permitiu, ainda que temporariamente, a tentativa da suspensão das determinações base do capitalismo e, portadores de outros processos e relações, construímos reflexões político/estéticas, grávidas de possibilidades revolucionárias e de porvires humanizados.
Eis o objeto das próximas análises para vindouros ataques poéticos: Atacar esteticamente as corporações e grandes latifúndios da cultura, questionando a concentração de recursos e simultaneamente desvelando os processos de ocultação da realidade e Apresentar as mesmas empresas como as verdadeiras sedes das tomadas de decisões políticas, colocando em cheque as instituições da representação da farsa democrática. Intensificar o embate com governos, questionando a função do Estado, exigindo o cumprimento de nossa pauta.
Deixamos nossa ocupação permanente e partimos para a mobilização permanente, uma nova fase na luta se inscreve aos trabalhadores da cultura.
São Paulo, 1º de agosto, 2011.
Movimento de Trabalhadores da Cultura - MTC

(PUBLICAÇÃO INTERNA - AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DE CULTURA)

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ENCONTRO / AVALIAÇÃO OCUPAÇÃO DA FUNARTE
MOBILIZAÇÃO PERMANENTE
TRABALHADORES DA CULTURA QUE PERDERAM A PACIÊNCIA.
VAMOS AVALIAR E PENSAR AS NOSSAS PRÓXIMAS BOMBAS.

Depois da Manifestação do dia 25 de julho que culminou com a Ocupação da Funarte, atitude mais que acertada, pois conseguimos por 8 dias fomentar e difundir um debate nacional numa instituição falida em prol de políticas públicas para a cultura brasileira, resta-nos manter a mobilização e pensar estratégias de como agir daqui pra frente já que sabemos que a luta é longa e que os governos de plantão não estão interessado@s num avanço da nossa área tão precária.
Dia 10 de agosto (Quarta-feira) às 19h
Teatro Coletivo
Rua Consolação, 1623 – Consolação.
Informações: 8121-6554 ou 3255-5922
Pauta:
Avaliação da manifestação do dia 25 de julho, os 8 dias de Ocupação e o ato cortejo da Funarte ao Itaú Cultural.
Convite aos descontentes, descrentes, indignado@s, indigestos e explorado@s por esta falsa política de migalhas.
Compareça e junte-se a todo@s nós!
Por favor, ajudem na divulgação.
É muito importante que venham representantes de todos os grupos e estudantes das artes e culturas em geral.

Relato dos articuladores sobre ocupacao funarte

 
Relato aos amigos da REDE…
Experiência vivida, sentida, doída, pensada, repensada, refletida, modificada, trocada… experiência!
Mais de 300 trabalhadores entram portões adentro neste prédio  instituição falida: FUNARTE. Para descobrir aqui as suas próprias crises, medos e fragilidades. Seis dias dormindo, lavando banheiros, cozinhando, conversando, não dormindo na segurança dos portões, respirando coletivamente esse ar de tanta tensão-transformação.
Aprendizados: reconhecer os parceiros, saber com quem lutamos e contra quem lutamos. Lutamos contra este Estado, mesma face deste Mercado, lutamos com todos que não reconhecem a perversidade e força deste sistema e não se empenham com toda sua vida para derrubá-lo.
Em muitas assembléias, debates e encontros formais ou informais construímos e desconstruimos nossos conceitos. Discutimos a revolução, o capital, nosso modo de produção, nosso fazer artístico. Nossa luta que é poética, com mesmo peso e valor da política, porque também é política, mas pela estética, pela poesia, porque esse é nosso corpo e a nossa voz.
Madrugadas e madrugadas de produção riquíssima de debates, diálogos e encontros. Pau e lata do RN, Escambo do Nordeste e do Brasil, parceiros do Sul, de Mato grosso do Sul, do Acre, de Minas, do interior e litoral paulista e de todos os Estados, presentes aqui ou não, se presentificaram em suas moções de apoio, em sua vontade de estar junto, em sua paciência perdida a distância.
Sentimos aqui energia parecida com a de nossos encontros sempre tão produtivos e ricos… No entanto, vemos o quanto as nossas conversas em roda nos encontros da RBTR, mais livres, as maneiras de condução, a diversidade e as diferenças culturais e regionais caberiam muito bem aqui.
Não à toa, nestes seis dias, construímos rapidamente documentos de tanta contundência e de respeito de toda sociedade e de toda categoria. Não à toa mobilizamos tantos jovens ou não jovens. Não à toa PERDEMOS A PACIÊNCIA e estamos aqui! E é preciso estudo, pesquisa, formação política... É fundamental.
Qual modelo? Qual jeito? Qual forma? Que bom nunca ter respostas… Vamos escrevendo nosso caderno de erros, junto!
O mais triste são trabalhadores como nós, que preferem apontar tantas falhas (que claro, existem!) e destruir pequenos atos de resistência como este, que são apenas pontinhas de lança contra esse iceberg sistemamercadoestado que muito mais perverso e inteligente e organizado que nós, não passa por rachas e desavenças internas porque sabe muito bem contra quem luta.
Daqui, vemos que nossos anseios são os mesmos. Que não há diferença entre paulistas e brasileiros, a não ser um maior número de pessoas reunidas por conta do maior histórico de politização que se dá pela maior concentração de verba e de grupos por aqui e principalmente pela lei de fomento, conquista desta mesma categoria aqui reunida e que hoje, por força e luta de companheiros de outros estados, está brotando em outros lugares.
O Prêmio Teatro Brasileiro é pro BRASIL! O descontingenciamento é pro BRASIL! As PECS, os programas e leis de orçamento fixo, são pro BRASIL! Mas nós, ingenuamente ainda mantemos richas internas medíocres e pequenas, desfocando-nos do inimigo imensamente maior que nós.
A idéia que está sendo divulgada de que somos juvenis, de que há um pequeno grupo no comando, de que nos fechamos à sociedade e somos contra o diálogo é uma grande mentira bem construída ou ingenuamente pensada até por parceiros que fazem uma avaliação diminuída do que aqui está sendo construído.
Estamos aqui construindo e desconstruindo, ou, como diria o sr. Keuner: preparando nosso próximo erro! Parceiros da REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA, sentimos aqui uma coisa só. O mesmo grito e o mesmo chapéu! Somos trabalhadores e perdemos a paciência por políticas públicas para todo um país! Os que se contemplam em nossos documentos, cartas, manifestos, juntem-se a nós, para erros e mais erros contra os que acertam muito bem, sem deslize algum!

Núcleo Pavanelli; Grupo Teatral Parlendas; Cia dos Inventivos; Trupe Olho da Rua; Companhia do Miolo; Populacho & Piquenique;

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Natália Siufi
Grupo Teatral Parlendas
(11) 8083-3909

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