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quinta-feira, 20 de março de 2014
Relatório Congresso FIST

BOLETIM INFORMATIVO FÓRUM DE ARTE PÚBLICA Data: 17 de Março
Oitavo encontro do Fórum dentro do projeto Arte Pública.
Começamos este encontro com o Amir apresentando Hamilton, artista que escreveu de quadrinhos, uma história sobre São Jorge. Como Amir narrou, não existe um santo tão público como ele, é uma invenção do povo. "Um Deus só existe enquanto tem seguidores que o adorem. Quem aqui reza para Zeus? Diana? Para o semideus Hércules. Jesus Cristo é um semideus, tem quem o adore e o respeite... Ogum é representante dos orixás... Yansã é orixá poderosa, o panteão afro brasileiro está vivo. Mas se não tiverem mais nenhum adorador, morre... É isso que os evangélicos fazem, atacam os seguidores dos santos, justamente para acabar com os santos, com os orixás... Na hora que não tiver nenhum adorador, a religião afro desaparece e estaremos rezando para um deus protestante branco. Monoteísmo exacerbado é a pior coisa do ser humano... Jéová, Deus, Alá... É soja transgênica... Só existem deuses que mantém seus adoradores... São Jorge foi assim... O Papa falou que o Santo estava morto, que não tinha nada que comprovasse sua existência... São Jorge está vivo no coração do povo. Ele não tem o respaldo como outros santos, como São Pedro, Santo Antônio... O Papa decretou sua morte e ele não morreu, porque tem quem o adore. São Jorge está vivo... Nossa arte como São Jorge está viva. O mercado exclui uma parte enorme da população... Nós os absorvermos para o nosso convívio. Somos muito parecidos como São Jorge... São Jorge é protetor de quem não tem proteção... Por isso o Papalorixá o consagrou como protetor da Arte Pública."
Falamos então que no dia 23 de Abril, depois de uma semana após a apoteose do projeto, comemorar o dia da Arte Pública na data dedicada ao santo guerreiro, com muito samba e feijoada. Será a primeira atividade do Fórum fora do projeto de Arte Pública. Acaba o dinheiro, mas como foi dito, a gente continua. E é um bom dia para comemorar, pois a cidade estará festejando o seu padroeiro não oficial.
Amir: "Esses encontros tem sido muito legais, de fortalecimento. Não houve nenhuma generosidade do poder público, da secretária de cultura... Foi uma atitude do prefeito... A primeira emoção do Tá Na Rua foi ter saído nos jornais, não na pagina de cultura, nas páginas policiais, atores detidos pela polícia em Madureira. Estamos trabalhando na veia da cidade, não estamos nos exibindo... Nós fazemos divulgação de cima para baixo... Optamos para que a divulgação se alastrasse, como uma peste. Tem que ser de baixo para cima e de dentro para fora. O que vem a tona é o sistema ideológico que esse mundo permite... Pensamos um outro mundo, este está acabando e precisamos pensar propostas para o outro mundo, novo... A arte é a perfeita organização entre o público e o privado e nos garante um momento de utopia com um bom espetáculo... O público é visto da pior forma possível... O que é público não é bom... saúde pública, transporte público, banheiro público... O que é bom é fechado em si mesmo... O que é coletivo para todos é difícil de se desenvolver em um mundo capitalista. É necessário a reconstrução da harmonia entre o público e o privado..."
André, Boa Praça: "Amir, você me fez pensar... O público está entendendo. Ás 17h, as crianças saem da escola, com as suas mães, com os seus lanches e vão para a praça ver os espetáculos... É uma pequena sementinha... Com nove, dez anos, será publico cativo... No espetáculo do Leo, na ultima cena começou a chover... Ficou aquele vou embora ou não vou... Tinha muito desejo de ficar, até o Leo falar gente, vão se proteger..."
Aproveitamos para lembrar que a apoteose do projeto acontecerá na segunda, dia 14 de abril. Próximo do dia, saberemos melhor o horário e se fazemos na lapa ou na Cinelândia.
Depoimentos:
Danilo, palhaço retratista: "Há dois anos não ia para a rua... Quando me chamaram, não pensei, fui. Antes de ir para a rua, eu me maquiava em um apartamento e saia. Quando vi o Tá Na rua, me maquiei na praça, em contato com o público..."
Sergio Biff, Teatro de Lambe Lambe: "É bom que a gente começa a ver outros trabalhos, não se sente só e começa a trocar, a participar mais do seu trabalho e dos outros..."
Teresa Moulin: "Pertenci ao Tá Na Rua durante seis anos... Comecei a querer retornar, me juntar com algumas pessoas e vim aqui para entender e conhecer melhor o projeto... Pertencer a alguma coisa é fundamental, é ruim ser solitário..."
Paulo Rafael: "Fui do Tá Na Rua e eu acho que pertenço á escola... Foi muito boa minha experiência na Praça Tiradentes... Em 1989 criamos um grupo pela necessidade de investigar a linguagem... Eu e o Godo ocupamos o Largo do Guimarães, nunca deixamos de fazer, mas timidamente... Quero parabenizar o evento da quinta feira..."
Zé Adriano, sanfoneiro: "Eu gosto de estar aqui e gostaria que os outros estivessem aqui com alegria tocando esse projeto..."
André, Boa Praça: "Quando o Seu Adriano foi na Saens Peña , teve uma barraqueira que, ouvindo a sanfona dele, disse que em quarenta anos aquele "foi o dia mais feliz da minha vida"..."
Caminhando para o encerramento, Amir pergunta para o Seu Adriano quando começou a tocar Sanfona. E seu Adriano respondeu: "Toco desde os cinco anos. Meu pai tinha dito que o primeiro filho que nascesse, ia aprender a tocar... Eu fui o privilegiado, só que eu era muito arteiro, né? Só queria brincar, fazer peraltices, até que um dia, vi o instrumento no armário, peguei e toquei minha primeira música. Quando meu pai chegou da rua, perguntou o que eu tava fazendo, ai eu falei para ele que tava tocando aquele troço do armário... Ele começou a me levar junto e eu tocava sentado no colo dele..."
E com essas palavras Seu Adriano pós sua sanfona para cantar e sua sanfona cantou xote. Cantou ciranda:
Ciranda da Rosa Vermelha
Teu beijo doce
Tem sabor do mel da cana.
Sou tua ama, tua escrava,
Meu amor.
Sou tua cana, teu engenho, teu moinho;
Tu és feito um passarinho
Que se chama beija-flor.
Sou tua cana, teu engenho, teu moinho;
Tu és feito um passarinho
Que se chama beija-flor.
Sou rosa vermelha,
Ai! Meu bem querer.
Beija-flor, sou tua rosa
E hei de amar-te até morrer.
Sou rosa vermelha,
Ai! Meu bem querer.
Beija-flor, sou tua rosa
E hei de amar-te até morrer.
Quando tu voas
Prá beijar as outras flores,
Eu sinto dores,
Um ciúme e um calor,
Que toma o peito, o meu corpo
E invade a alma.
Só meu beija-flor acalma
Tua escrava, meu senhor.
Que toma o peito, o meu corpo
E invade a alma.
Só meu beija-flor acalma
Tua escrava, meu senhor.
Sou rosa vermelha
Ai! Meu bem querer.
Beija-flor, sou tua rosa
E hei de amar-te até morrer.
Sou rosa vermelha
Ai! Meu bem querer.
Beija-flor, sou tua rosa
E hei de amar-te até morrer.
Cantou Funk:
Era Só mais um silva
Todo mundo devia nessa história se ligar
Porque tem muito amigo que vai para o baile dançar
Esquecer os atritos, deixar a briga pra lá
E entender o sentido quando o DJ detonar (solta o rap DJ)
Era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
É só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
Era um domingo de sol, ele saiu de manhã
Pra jogar seu futebol, deu uma rosa pra irmã
Deu o beijo das crianças, prometeu não demorar
Falou pra sua esposa que ia vir pra almoçar
Mas era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
É só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
Era trabalhador, pegava o trem lotado
Tinha boa vizinhança, era considerado
E todo mundo diziam que era um cara maneiro
Outros o criticavam porque ele era funkero
O funk não é motivo, é uma necessidade
É pra calar os gemidos que existem nessa cidade
Todo mundo devia nessa história se ligar
Porque tem muito amigo que vai pro baile dançar
Esquecer os atritos, deixar a briga pra lá
E entender o sentido quando o DJ detonar
Era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
É só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
E anoitecia, ele se preparava
É pra curtir o seu baile que em suas veia rolava
Foi com a melhor camisa, tênis que comprou suado
E bem antes da hora, ele já estava arrumado
Se reuniu com a galera, pegou o bonde lotado
Os seus olhos brilhavam, ele estava animado
Sua alegria era tanta ao ver que tinha chegado
Foi o primeiro a descer e por alguns foi saudado
Mas naquela triste esquina, um sujeito apareceu
Com a cara amarrada, sua alma estava um breu
Carregava um ferro em uma de suas mãos
Apertou o gatilho sem dar qualquer explicação
E o pobre do nosso amigo, que foi pro baile curtir
Hoje com sua família ele não irá dormir
Porque era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
É só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
Naquela triste esquina, um sujeito apareceu
Com a cara amarrada, sua alma estava um breu
Carregava um ferro em uma de suas mãos
Apertou o gatilho sem dar qualquer explicação
E o pobre do nosso amigo, que foi pro baile curtir
Hoje com sua família ele não irá dormir
Porque era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
É só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
Era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
É só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
Era só mais um Silva que a estrela não brilha
Ele era funkeiro, mas era pai de família
É só mais um Silva que a estrela não brilha
Ela é Top
Deixa ela passar, não olha nem mexe..
Rá ela é terrível !
Ela não anda, ela desfila
Ela é top, capa de revista
É a mais mais, ela arrasa no look
Tira foto no espelho pra postar no facebook.
Onde ela chega rouba a cena deixa os moleques babando
Na porta do pico arruma buchicho e as invejosas xingando
Baladeira de oficio não gosta de compromisso
Encanta com seu jeitinho ela não é de ninguém
Mas é chegada num lancinho
Quando chega no baile ela é atração
Fica descontrolada ao som do tamborzão
De vestido coladinho ela desce até o chão
Rá ela é terrível !
Ela não anda, ela desfila
Ela é top, capa de revista
É a mais mais, ela arrasa no look
Tira foto no espelho pra postar no facebook.
Deixa ela passa, não olha nem mexe
Onde ela chega rouba a cena deixa os moleques babando
Na porta do pico arruma buchicho e as invejosas xingando
Baladeira de oficio não gosta de compromisso
Encanta com seu jeitinho ela não é de ninguém
Mais é chegada num lancinho
Quando chega no baile ela é atração
Fica descontrolada ao som do tamborzão
De vestido coladinho ela desce até o chão
Rá ela é terrível !
Ela não anda, ela desfila
Ela é top, capa de revista
É a mais mais, ela arrasa no look
Tira foto no espelho pra postar no facebook.
Rá ela é terrível !
Cantou melodias espanholas e encerrou o dia cantando o nosso salmo:
"Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar.
É ele que me carrega, como nem fosse levar"
Termino lembrando que este é um boletim informativo, não é ata, que escrevo a partir das minhas anotações. Está aberto para correções, acréscimos e observações.
Herculano Dias
terça-feira, 18 de março de 2014
BOLETIM INFORMATIVO FÓRUM DE ARTE PÚBLICA - 10 de março
Amir abriu o encontro saudando a todos e falando que era o primeiro fórum após a ressaca de Carnaval. Ressaca dos que brincaram e ressaca dos que não fizeram o Carnaval. Agora estamos retomando nossas atividades. Falamos que paramos porque estamos na rua levando este projeto e paramos para dar passagem para a festa do Rei do Momo, que é da rua. Amir comentou que se estivéssemos fazendo um teatro experimental em salas fechadas, teria outra repercussão. Mas não estamos na rua. Como sempre Amir sempre diz: "Somos o Carnaval antes do Carnaval e o Carnaval depois do Carnaval. Trabalhamos o ano inteiro."
Carnaval é o período do ano em que a autoridade constituída entrega a chave para o Rei Momo e o povo vai para a rua brincar e se manifestar, se sentir livre, pois no resto do ano, a autoridade reprime, quer te controlar.
Amir: O artista de rua é carnavalizado... Estamos livres da autoridade, não somos a cara deles... Não somos instituição. A gente exercita a liberdade o ano inteiro. Nós somos uma carnavalização, somos historicamente submetidos a nada. Quando se fala carnavalização, não é imitar o carnaval, com porta bandeira e mestre sala, é exercer sua liberdade expressiva... Somos carnavalizados pela própria natureza... Somos assim desde a idade média, desde o Império Romano. Lé sobra a Idade Média é falar do rio de Janeiro no carnaval... Sempre estivemos na praça... Vivenciamos a cidade o ano inteiro... O carnaval não começa e nem termina o exercício da liberdade... O Carnaval não nós abduz, somos diferentes, não somos uma data no calendário... Há uma diferença... Isso me faz pensar como foi diferente o nosso carnaval... Aproveito para falar do nosso bloco, o Bloco do O800, a Arte Pública... Diante do nosso bloco, a diferença da Arte Pública e dos outros blocos... havia uma diferença do nosso carnaval, da nossa partitura... Foi bom ver a nossa cara, diferente... Era um bloco de carnaval teatralizado. Talvez, durante o ano inteiro, fazemos o teatro carnavalizado. Há uma potencialização máxima do carnaval... Joãozinho Trinta foi assassinado pelo pensamento burocrático, pela ignorância do julgamento. Ele chamou o Tá Na Rua para fazer o desfile dos mendigos na Beija Flor, ele chegou e me disse: Você carnavaliza o teatro, eu quero teatralizar o carnaval. Fizemos o desfile dos mendigos. Foi maravilhoso... O desfile que ganhou foi sobre o Duque de Caxias. Perdeu para o Duque de Caxias... Mas uma vez perdemos para o sistema que tira a nossa alma... Para o truque... (Aqui Amir se portar ao resultado do desfile carioca deste ano, em que quem ganhou foi a Unidos da Tijuca, deixando Salgueiro e Portela em segundo e terceiro lugar) Agente vive no mundo que está entre o truque e a alma. A alma fica derrotada... Quando saímos no bloco, tinha uma alma... Este é o Carnaval que nos alimenta... O bufão é o que tem liberdade de falar na cara do rei... Apesar da gente não ter se visto, muita coisa estava acontecendo... Muitos Blocos, muita gente e muito lixo... Saúdo a todos que estiveram no Bloco da Arte Pública, nós fomos ás flores brotando no meio do lixo... Dou as boas vindas fazendo está reflexão sobre o carnaval..."
Leo Carnevale do Boa Praça: "Somos os artistas do mundo ao contrário. No carnaval não me visto de palhaço, tiro o meu nariz... Mas acho que o carnaval é justamente isso... É a junta de todos os excessos, muita comida, bebida, lixo... A população, todo mundo é público... É para exercer publicamente o seu lado artista. O carnaval no Brasil é medieval. Acaba o carnaval, mas a gente se mantém..."
Neste momento, Wagner Seara, o Palhaço Picuinha do Grupo Baita Anões pede licença para ler um poema que foi dado a ele como presente de aniversário:
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'
O essencial faz a vida valer a pena.
Rubem Alves
Continuamos com o encontro falando sobre o retorno das atividades do evento arte pública. Warley Bach, o estátua viva Pirata Jack Sparrow pergunta se quem se apresentou dentro da programação das praças seria chamado de novo.
Maria Helena, do Tá Na Rua, respondeu que foi surpreendente o número de cadastros feitos e que as curadorias estavam cuidando disso dentro do planejamento do projeto; "Mas estamos numa fase de chamar de novo. Havendo está possibilidade... Vamos chamar sim."
Herculano do Tá Na Rua: "Independente de chamar, os artistas podem ir nas praças e realizarem o seu trabalho e colocar o seu chapéu, não tem problema. Vão estar juntos e vão ser anunciados também... É bom que apareçam..."
Lígia, da Cia Mystérios: "Isso... É adesão... Independente da programação, é importante que os artistas compareçam. Sempre serão bem recebidos..."
Fernanda Machado: "A gente faz o Carnaval do dia a dia... Somos foliões o ano inteiro..."
Richard, do Off Sina: "Como é importante a participação do folião artista e de como com este projeto estamos encontrando tanta gente interessante. No primeiro dia registrei a Dona Raimunda... Ela me atraiu... Ela tem um 1,45... Uma senhora com o violão foi o motivo da minha atração... e no ultimo dia na praça ela foi a primeira atração... Ela tem um violão Rosa... O violão era desafinado, uma corda não falava com a outra... Quando ela pega o violão ela toca verdadeiramente. Ela segurou a roda até o final... O investimento que a move é o seu violão e suas composições próprias... No centro do instrumento, o orifício é em forma de coração... Como ela estava encantada..."
Também foi lembrado que o dia 27 e março é o dia do Teatro, do Circo e também agora oficialmente é o dia do grafite, sancionada pela prefeitura do Rio de janeiro e se iríamos fazer uma atividade coletiva para comemorar a data. Conversamos e analisamos que o teatro que comemora está data é o da sala fechada, do teatro como instituição. No caso do circo tem mais a ver por ser aniversário do Piolin, um dos mais famosos palhaços do país que foi e é inspiração para muitos até hoje.
Concluímos que como artistas públicos, o melhor dia para comemorarmos é o dia 23 de Abril, dia do Santo São Jorge, padroeiro instituído pelos artistas de rua como "Padroeiro e Protetor das Artes Públicas."
Encaminhando para o encerramento, Luciana Savine que estava vindo pela primeira vez disse que saía dali encantada, que não conhecia o movimento, mas que queria muito participar e cantou para nós Retrato Falado, de Clara Nunes:
do meu jeito brando,
de falar de amor,
eu tenho uma metade de acalmar,
metade lutador,
no fundo eu sou um sonhador
eu tenho uma cidade pra cantar,
um peito cheio de verso
e as mão de trabalhador.
Quem me vê
Quem me vê sentido
é conhecedor
do meu jeito antigo
de guardar a dor
eu tenho uma metade no meu lar,
metade exterior,
porque eu também sou pecador
eu tenho a mocidade pra gastar,
um grande amor pela vida
e a benção do Rendentor.
E quem quiser me acompanhar
eu cantei pra me desabafar,
e agora a dor já passou.
Mas quem me vê lutando,
não é sabedor,
do meu jeito brando,
de falar de amor
eu tenho uma metade de acalmar,
metade lutador,
no fundo eu sou um sonhador,
eu tenho uma cidade pra cantar,
um peito cheio de verso
e as mão de trabalhador.
Quem me vê...
Quem me vê sentido,
é conhecedor
do meu jeito antigo
de guardar a dor,
eu tenho uma metade no meu lar,
metade exterior,
porque eu também sou pecador
eu tenho a mocidade pra gastar
um grande amor pela vida
e a benção do Rendentor.
E quem quiser me acompanhar
eu cantei pra me desabafar,
e agora a dor já passou...
Mas quem me ê lutando...
"Na minha bacia de jabuticaba, tem pouca jabuticaba. Por outro lado, quantas jabuticabas eu já comi. Quantas jabuticabas ela vai comer, faltando tanta jabuticaba para ele. Quando estava cheia, eu estava com uma angustia enorme, agora que tem pouca, me sinto tão bem alimentado. Chupar pouca jabuticaba, ter comido uma bacia, é muito legal. Todos nós sabemos quantas jabuticabas nos resta. Meter a mão e comer e engolir o caroço. Viva a Jabuticaba."
"Não sou quem me navega, quem me navega é o mar
Ele que me carrega como se fosse levar"
Assim terminou este encontro do fórum de arte Pública. Com sempre termino, este é um boletim informativo, não é relatório e nem ata. Escrevo a partir das minhas anotações e está aberto para correções, acréscimos e opiniões.
Herculano Dias
segunda-feira, 17 de março de 2014
Rede Brasileira de Teatro de Rua e seus rumos políticos
CARTA DA ASSEMBLEIA NACIONAL DO CPP 2014
Carta aberta à sociedade brasileira
"Vocês, de manhã, administrem a justiça e libertem o oprimido da mão do opressor..."
Jr.21,12b
Nós, agentes do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), estivemos reunidos em assembleia nacional com a participação de representantes do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP) e de outras organizações que atuam na defesa dos direitos dos povos e das populações tradicionais, no período de 10 a 14 de março/2014, em Olinda/Pernambuco. Na ocasião, avaliamos as ações do CPP junto aos pescadores/as artesanais; construímos estratégias coletivas visando fortalecer o protagonismo dos pescadores/as na luta pela garantia dos seus direitos.
Diante da conjuntura avaliada, constatamos o acirramento da situação de negação de direitos em que vivem as pescadoras e os pescadores artesanais do país submetidos à política desenvolvimentista adotada pelo Estado. A ação do governo ignora o modo de vida destas comunidades objetivando a abertura de espaços para o avanço dos grandes projetos, do turismo predatório, da mineração, da privatização das águas, da especulação imobiliária, da Aquicultura empresarial dentre outros investimentos que, incentivados de forma desordenada, ameaçam a vida destas populações tradicionais. Ao discutirmos sobre tais questões agigantou-se nossa indignação frente ao modo desprezível com que o Estado e as empresas privadas tratam as famílias e comunidades do pescadores/as artesanais. Estas se encontram entre as comunidades mais discriminadas pelo governo e pela sociedade.
Indignados com esta realidade de opressão e exclusão, comprometidos/as o Deus do Povo e com o Povo de Deus, reafirmamos nosso compromisso com as comunidades tradicionais pesqueiras na luta pela garantia dos seus direitos, bem como na luta pela permanência e retomada dos seus territórios. Da mesma forma, DENUNCIAMOS:
- A privatização dos corpos das águas públicas, bem de uso comum do povo brasileiro e que já tem inúmeras comunidades que tradicionalmente utilizam essas áreas, através de várias estratégias dentre elas os editais para repassar o controle a empresas e pessoas físicas, impedindo o acesso, a cultura e o trabalho das comunidades tradicionais pesqueiras;
- A dificuldade, principalmente das mulheres, em acessar atendimento de saúde adequado e de qualidade, bem como o não reconhecimento das doenças ocupacionais específicas dos trabalhadores/as da pesca artesanal, junto à Previdência Social;
- A manobra do governo aliado às organizações burocratas que dificultam e até mesmo negam o acesso aos direitos conquistados;
- O acordo de cooperação firmado entre o MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura) e CNPA (Confederação Nacional da Pesca e Aquicultura) que fere direitos constitucionais e sindicais, como a livre associação e a autonomia sindical, com o propósito de manter os pescadores/as atrelados à esse sistema de organização que os mantém reféns;
- A burocratização do MPA que dificulta o acesso e a manutenção do Registro Geral da Pesca (RGP). Muitos homens e mulheres das águas não conseguem ter seus registros; são obrigados a se recadastrarem anualmente e mesmo assim não tem o RGP reconhecido pelos próprios órgãos do governo ao acessar direitos;
- A terceirização dos serviços de responsabilidade do MPA aos pescadores/as que, ao serem repassados à outras organizações cria um circulo vicioso de domínio político, econômico e uso eleitoral;
- As constantes ameaças sofridas pelas comunidades tradicionais pesqueiras em luta pelo direito de permanecerem em seus territórios. Diversas tentativas de expulsão as levam à situações de violação dos direitos humanos. Um exemplo emblemático é o caso da comunidade do Cumbe/Aracati, no Ceará, que sofre com a violenta ação da justiça que atua para retirá-la do seu espaço, em benefício de um grupo de empresários da carcinicultura.
O que está acontecendo com as comunidades tradicionais pesqueiras trata-se de um verdadeiro genocídio cultural incentivado pelo Estado. Conclamamos a sociedade brasileira para que conheça e apoie a luta das comunidades pesqueiras afim de que seja preservada sua cultura, sua tradição e o seu modo de vida. Estas comunidades cumprem um papel fundamental na conservação do meio ambiente e na garantia da distribuição de uma alimentação saudável para o povo brasileiro.
Solicitamos da mesma sociedade um gesto concreto em prol desta causa: que se empenhe com todas as forças na Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras. Esta campanha propõe um projeto de lei de iniciativa popular sobre o reconhecimento, proteção e garantia do direito ao território dos pescadores e pescadoras artesanais. Os povos das águas são dignos de representar a luta por um país com menos desigualdades e onde a preservação dos direitos de todo ser humano seja respeitado. Estamos na luta pela preservação do modo de vida, da cultura, do meio ambiente e contra o modelo predatório de crescimento capitalista. Propomos a toda sociedade brasileira a construção de um novo modelo societário: a cultura do Bem Viver.
Quanto às comunidades Tradicionais Pesqueiras, nesta luta, resta-nos dizer, que esse povo resiste! É como bem expressa o profeta bíblico:
"Vejam! Esse povo chega veloz e ligeiro. No meio dele, ninguém cansa, ninguém tropeça, ninguém tem sono, ninguém cochila, ninguém desaperta o cinturão... Suas flechas estão afiadas, e todos os arcos bem esticados; os cascos de seus cavalos parecem de pedra e as rodas de seus carros são como furação. Seu rugido é como da leoa, ruge como leão novo."
– Is. 5, 26b-30
Nas águas da organização pescando vida e dignidade!
Participantes da assembleia Nacional do CPP
Olinda/PE, 14 de Março de 2014
domingo, 16 de março de 2014
CURIOSIDADES DO EVENTO ARTE PÚBLICA UMA POLÍTICA EM CONSTRUÇÃO
sábado, 15 de março de 2014
VIII Mostra de Teatro de São Miguel Paulista

- Dias 4, 5 e 6 de abril – Pato e Laranjinha (Macapá, AP) - A dupla de palhaços realiza números próprios e clássicos da palhaçaria, típicos do jogo do cômico feito por duplas. De forma hilária, eles se colocam em constante competição.

- Dias 11, 12 e 13 de abril – J. E. Tico (São Paulo, SP) - O ator, bonequeiro e palhaço faz pequenas intervenções, tendo como inspiração os brinquedos populares.
- 15h30 – Espetáculo: Marruá
- 19 horas – Espetáculo: Plural
- 15h30 – Espetáculo: A Fêmea Dominante
- 19 horas - Espetáculo: Do Repente
- 15h30 - Espetáculo: O Testamento do Cangaceiro
- 17 horas - Espetáculo: A Pereira da Tia Miséria
- 15h30 - Espetáculo: PatoLogias (45 min)
- 17 horas - Espetáculo: A Exceção e a Regra
- 15h30 - Espetáculo: Romeu e Julieta - O Encontro de Shakespeare e a Cultura Popular
- 17 horas - Espetáculo: Cafuringa
- 15h30 – Espetáculo: A Festa da Rosinha Boca Mole
- 17 horas – Espetáculo: O Baile dos Anastácio